CTMac inicia ações educativas para orientar condutores sobre funcionamento de radares

 

A Prefeitura de Macapá inicia nesta terça-feira (15) blitz educativa nas principais vias da capital. A ação, coordenada pela Companhia de Trânsito e Transporte (CTMac), busca orientar a população para a importância dos radares na redução de acidentes. As ações de orientação seguem até o dia 28 de fevereiro, com a distribuição de material informativo, lixeira para carro e adesivos.

Os radares, que já estão instalados, começam a operar a partir do dia 1º de março. No total, a prefeitura instalou 17 fotossensores em 70 faixas de rolamento, nas principais vias de Macapá.

Segundo o diretor-presidente da CTMac, Andrey Rêgo, o objetivo é conscientizar os motoristas para o início da operação dos radares e informar sobre o registro de infrações e as penalidades aplicadas para quem desobedecer a sinalização.

“Os motoristas imprudentes pensarão melhor antes de cometer alguma infração. Com isso, o número de acidentes pode reduzir. Ressaltamos que a fiscalização eletrônica não deixa espaço para questionamentos ou dúvidas. O objetivo é aumentar a segurança no trânsito em nossa cidade”, afirma o presidente.

Os radares estão localizados nas seguintes vias:

• Av. Padre Júlio (em frente ao Exército);
• Av. Padre Júlio com a Rua Paraná;
• Av. Padre Júlio com a Rua Santos Dumont;
• Av. Padre Júlio com a Rua Leopoldo Machado;
• Av. Padre Júlio com a Rua Tiradentes;
• Av. Professora Cora de Carvalho (próximo ao Santuário Nossa Senhora de Fátima)
• Av. Professora Cora de Carvalho com a rua Marcelo Cândia;
• Av. FAB com a Rua General Rondon;
• Av. FAB com a Rua Hildemar Maia;
• Av. FAB com a Rua Hamilton Silva;
• Av. FAB com a Rua Jovino Dinoá;
• Rua Eliezer Levy (próximo à Rua Duque de Caxias)
• Rua Hildemar Maia (próximo à Av. Raimundo Álvares da Costa);
• Rua Claudomiro de Moraes (próximo à Av. Caramuru);
• Rua General Rondon (próximo à Av. Ana Nery/ praça Chico Noé)
• Rua Feliciano Coelho, com Jovino Dinoá
• Rua São José, com Henrique Galucio

Flor da Samaúma e um novo circuito de ecoturismo e vitrine para a bioeconomia no Amapá

 

O empreendimento “Flor da Samaúma” é mais nova opção de passeio que mostra o potencial de ecoturismo e bioeconomia do Amapá, em um dos estados mais preservados do Brasil. O empreendimento fica localizado na Área de Preservação Ambiental (APA) do Quilombo do Curiaú, na Zona Norte de Macapá e fica há 30 minutos do centro da cidade.

 

Para se chegar ao local, é preciso percorrer o itinerário do ramal do Torrão do Curiaú, que leva cerca de 10 a 15 minutos até chegar ao Porto do Mocambo, onde se começa a imersão pelo lugar lindo cercado de rios, trilhas, muito verde e grande biodiversidade amazônica.

Após percorrer a ponte com
acessibildade que leva até o porto do Rio Curiaú Mirim, os visitantes embarcam no Catamarã “Flor da Samaúma” que faz o percurso até sua foz, que deságua no rio Amazonas. Desta vez, o guia do passeio foi o ex-governador João Alberto Capiberibe, que também comanda o empreendimento.

Capi, explica que essa área é ícone da história e da cultura amapaense. O Sítio pertence a sua família há mais de 30 anos, e agora se transformou nesse empreendimento.

“O projeto de ecoturismo tem dois passeios diários de catamarã. Uma paisagem lindíssima com passeio pelo rio Curiaú e que deságua no rio Amazonas, onde a frente da cidade pode ser vista. Três horas de imersão profunda com a nossa riquíssima biodiversidade”, explicou Capi.

Na volta do passeio de barco, o visitante pode degustar do café de caroço de açaí e se deliciar com o biscoito de castanha, produtos da floresta amazônica que já ganharam o mundo e geram muitos empregos no Amapá.

Nesse espaço, o público curte as atividades da bioeconomia amazônica, como a Vitaminosa de açaí  e se delícia com o saboroso vinho e a aprende mais sobre as colméias da meliponicultura, ou criação de abelhas sem ferrão.

Após a aula sobre bioeconomia, é hora de percorrer seiscentos metros de caminhada pela trilha com nome de espécies de árvores até chegar a principal atração que é a Samaúma, a rainha da floresta. Todo trajeto é acompanhado de perto pelas guias de turismo, Natália e Keila,  da própria comunidade e responsáveis em apresentar o belo cenário da floresta.

O passeio custa R$ 120,00 mas se você levar o RG e for amapaense só paga a metade do preço. Crianças até seis anos não paga, e até doze anos paga somente R$ 30, 00. Uma curiosidade: o Porto do Mocambo abrigou os primeiros escravos fugitivos durante a construção da Fortaleza de São José de Macapá. Se você quiser almoçar por lá , tem que ligar antes e fazer a reserva. Perto do empreendimento tem um restaurante que serve galinha caipira, pato no tucupi, peixe e camarão regional, tudo preparado na hora.

A jornalista Ana Girlene acompanhou o passeio no último sábado 12, e ficou encantada. “Que maravilha, estamos há uns minutos apenas do centro da cidade, acompanhando o passeio e se deslumbrando no majestoso no rio Amazonas, experimentando a nossa realidade amazônica, estamos tendo uma aula”, contou.

A equipe do Portal Alcilene Cavalcante, acompanhada de profissionais da imprensa e de turismo, estiveram no local para conhecer de perto o empreendimento. Eles  aprovaram a Flor da Samaúma, que com certeza é  deuma riqueza imensurável para os amapaenses.

 

Texto e fotos: Lilian Monteiro
Serviço

Flor da Samaúma Ecoturismo e Bioeconomia

Funcionamento e horário dos passeios: terça-feira a domingo
Hora: 8h30 às 11h30 e 15h30 às 18h30
Local: Porto Mocambo (Área de Proteção Ambiental do Curiaú, Macapá)
Mais informações: (96) 99108-4814 / (96) 99901-5532

Perfil nas redes

https://instagram.com/empreendimentoflordasamauma?utm_medium=copy_link

Horto Municipal será transformado em praça urbana pela Prefeitura de Macapá

 

 

A Prefeitura de Macapá planeja transformar o Horto Municipal, localizado no bairro Jardim Felicidade I, em uma praça pública, com algumas atrações semelhantes às que existem no Bioparque da Amazônia, como trilhas, espaço sensorial e orquidário. O processo está em fase de levantamento topográfico.

Objetivo do projeto é revitalizar e valorizar o jardim, que produz, aproximadamente, mil mudas por dia. Horto é responsável pela produção de mudas ornamentais, arbóreas e medicinais.

A reforma será executada pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob). A meta é revitalizar o espaço, dando um novo uso a ele. O planejamento foi feito pelo subsecretário municipal de obras públicas, Ivy Vasconcelos, e o projeto está orçado em pouco mais de R$ 5 milhões.

“Queremos transformar o local em um ambiente parecido com o Bioparque. A intenção é que o espaço passe a ter visitação, para que os munícipes tenham acesso a um parque urbano na zona norte, ou seja, aberto, conservado e valorizado. Também contamos com o público que frequentará esse jardim para cuidar dele”, explica Vasconcelos.

Horto Municipal
É administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Postura Urbana (Semam). O órgão é responsável pela produção de mudas ornamentais, arbóreas e medicinais, segundo a diretora do local, Lana Couto.

“A maioria dessas mudas e plantas são utilizadas no paisagismo e arborização da capital. Temos quatro divisões: a do Horto, de Arborização, de Paisagismo e de Educação Ambiental. Respectivamente, essas divisões têm como função multiplicar as plantas e mudas, enfeitar os canteiros, rotatórias e outros locais públicos e conscientizar a população sobre cuidados com as plantas e poluição e conservação do meio ambiente”, destaca.

Além de ser um espaço de integração com a natureza, o Horto Municipal faz doação de mudas e recebe visitas de estudantes. Os interessados em mudas devem solicitar à Semam a finalidade e a quantidade.

Quanto às visitas escolares, os alunos podem interagir com os vegetais e aprender todo o processo de cultivo até o repasse às praças da capital. O horto funciona das 8 às 14h e fica na Avenida Sebastião Queiroz Alcântara, no bairro Jardim Felicidade, zona norte de Macapá.

Homem acusado de abusar sexualmente de criança e adolescente é preso pela Polícia Civil, em Macapá

 

A Polícia Civil do Amapá, através da Delegacia Especializada em Repressão de Crimes Contra a Criança e Adolescente (DERCCA), prendeu um homem de 19 anos de idade, acusado de abusar sexualmente de um menino de 9 anos de idade e de um adolescente de 14 anos de idade, nesta sexta-feira, em Macapá.

De acordo com o Delegado Ronaldo Entringe, titular da DERCCA, as duas vítimas são de famílias distintas e moram próximo à residência do acusado, no bairro Marabaixo IV, local onde os crimes ocorreram no último dia 19.

“As vítimas estavam na casa do acusado, brincando com o irmão dele. Em determinado momento, o acusado ficou sozinho no quarto irmão com as duas vítimas e praticou os crimes. Tanto o menino quanto o adolescente contaram aos seus respectivos genitores o que havia ocorrido e os fatos foram denunciados. Representei pela prisão preventiva do acusado e hoje, com o apoio dos Agentes da DEIAI, tivemos êxito em mais essa ação”, disse o Delegado.
 Em interrogatório, o acusado negou os fatos que lhe são imputados. O homem preso foi encaminhado ao Iapen.

Sankofa divulga sua última programação deste fim de semana, antes do fechamento do espaço

O espaço cultural Sankofa preparou um programação com reggae, cantores locais , poesia e muito Marabaixo que começa nesta quinta-feira, 10, e segue até domingo, 13. Os quatro dias de festa são para infelizmente encerrar o ciclo do Sankofa que fechará em definitivo.

 

O espaço começou em 2016, no Quilombo do Curiaú, como símbolo de valorização da arte e da cultura quilombola. Atualmente ele funcionava na Orla do bairro Santa Inês, tornando-se uma das grandes referências do setor cultural do estado.

O Sankofa se consolidou como palco de grandes manifestações culturais, entre shows, exposições, poesia, literatura.

O proprietário Willy Miranda, lamenta o fechamento do espaço. “Foram quase 8 anos cultuando a tradição de servir arte. Alegrias e choros, poesia e grito dos oprimidos, música e dança, arte e cultura, sons, cheiros e sabores, e acima de tudo afetividade. Uma jornada que iniciou em 2016, no Quilombo do Criaú, e veio parar na frente do majestoso Amazonas. De lá para cá a gente só viu e viveu a evolução, muita coisa mudou, mas a essência política sempre foi aquilombar com o propósito de continuar, cultuar e manter a herança do nosso povo. Fizemos o nosso melhor, um orgulho para nós e para os nossos, manifestando nossa arte e cultura como nunca antes registrado na história, um sonho realizado. Bar, restaurante, casa, quilombo, ninho ou simplesmente SANKOFA que passa a ser parte apenas das nossas memórias. E nunca iriamos encerrar sem deixar de nos despedir, e como em África a gente comemora tudo, inclusive o fim”, disse Willy.

 

Sankofa, que dá nome ao Espaço, é um símbolo que faz parte de um conjunto chamado Adinkra, um dicionário de valores e significados desenvolvidos pelos Akan (grupo étnico-cultural, presente em vários países da África). Esse conjunto constitui uma espécie de sistema de preservação e transmissão de valores que guia a ética e a política da comunidade. É representado por um pássaro estilizado que se move para frente, mas sempre olha para trás e carrega em seu bico um ovo (o futuro), manifesta a importância de compreender o presente sem entender e estar consciente do passado. 

Amapá registrou 338 casos de HIV/Aids em 2021

 

Segundo dados do Serviço de Assistência Especializada e Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA), em 2021, o Amapá registrou 338 novos casos de HIV/Aids. Desse total, a prevalência é de 62% para homens, com faixa etária de 21 a 30 anos.


Comparando com o ano de 2020, que fechou com 268 casos, houve aumento de mais de 21% nos diagnósticos. Para a coordenadora do SAE/CTA, Virginia Moreira, esse aumento pode ser reflexo direto de uma cultura que não prioriza a prevenção.

“Reforçar a prevenção através de ações de conscientização é fundamental para que essa ideia fixe socialmente. Precisamos sempre abordar o assunto e trabalhar enquanto agentes na disseminação da importância da prevenção através do preservativo”, disse.

No Amapá, o SAE/CTA é referência no tratamento de pessoas que convivem com HIV/Aids. Para ter acesso ao serviço, é necessário realizar o teste em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Com o encaminhamento, a unidade refaz os testes do paciente para que ele possa ter acesso ao serviço de assistência.

A unidade dispõe de consultas, realiza exame de carga viral (para identificar o volume de vírus presente no sangue), exame CD4 (que avalia o sistema imunológico para saber os fatores de contaminação e transmissão), além de dispensar a medicação adequada para cada paciente.

Conviver com HIV não significa ter AIDS
A sigla HIV diz respeito ao vírus da imunodeficiência humana (human immunodeficiency virus). A Aids é a Síndrome da imunodeficiência adquirida (Acquired Immune Deficiency Syndrome), estado avançado do vírus no organismo que se estabelece quando o paciente não segue o tratamento adequado.

Pacientes soropositivos podem nunca desenvolver a Aids, desde que façam o tratamento com antirretrovirais, que impedem a multiplicação do vírus e tornam a carga do HIV indetectável. O consenso médico é de que o vírus indetectável também significa não transmissível.

Transmissão e sintomas

A contaminação pelo vírus da imunodeficiência humana acontece durante a troca de fluídos corporais (sêmen, secreções vaginais, leite materno e sangue). Outra circunstância de risco é o compartilhamento de materiais perfuro cortantes previamente contaminados.

“Cada pessoa deve possuir um kit de manicure e de sobrancelhas, com pinças e alicates próprios. Quem faz tatuagem necessita estar alerta para as condições do material do estúdio e do ambiente”, adverte a coordenadora do SAE/CTA.

Perda de peso, dor de cabeça, cansaço excessivo, garganta inflamada, febre baixa, perda de apetite, dores nas articulações, sudorese noturna e diarreia estão entre os sintomas mais comuns da infecção por HIV.
Na fase mais avançada podem surgir doenças oportunistas como pneumocistose, histoplasmose, herpes, candidíase, meningite, tuberculose, entre outras.

Por serem sintomas amplos, o paciente pode ter dificuldade de relacionar ao vírus, por isso é indispensável realizar o teste de HIV quando houver suspeita de contaminação.

Prevenção combinada
O uso o simultâneo de metodologias preventivas é conhecido como Prevenção Combinada e engloba ações como: conscientização, testagem regular para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), uso de preservativos e profilaxias de pré e pós exposição ao vírus (PEP e PrEP).

A Profilaxia Pré-Exposição diminui a possibilidade de infecção pelo HIV para quem se expõe a situações de risco e é indicada para grupos de maior vulnerabilidade, como profissionais do sexo e usuários de drogas, por exemplo. A PrEP é uma combinação medicamentosa que impede que o vírus se estabeleça e se espalhe pelo organismo.

A Profilaxia pós-exposição é um recurso emergencial indicado para as pessoas que se expuseram a situações em que possam ter sido infectadas pelo vírus HIV. A PEP é um tratamento que dura 28 dias e precisa ser iniciado o mais rápido possível, com prazo máximo de 72 horas.

“A prevenção combinada deve ser difundida como um recurso possível, não como única opção. O uso da camisinha feminina, masculina e a diminuição da exposição a situações de alto risco de contágio ainda são as medidas mais efetivas de prevenção”, completou Virginia Moreira.

As profilaxias não previnem outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) como herpes, sífilis e gonorreia.
A PrEP é disponibilizada pelo SAE/CTA e a PEP pelo sistema básico de saúde, através de UBS.

O Serviço de Assistência Especializada e Centro de Testagem e Aconselhamento fica localizado na Rua Jovino Dinoá, 1251, centro. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

“Cores, formas, cheiros e sabores tucujus”, esse é o tema do concurso gastronômico Enchefs 2022

Estão abertas até o dia 25 de março as inscrições para o concurso gastronômico Enchefs Amapá 2022. Com o tema “Cores, formas, cheiros e sabores tucujus”, o concurso tem como objetivo principal o de mobilizar os Chefs de Cozinhas/Cozinheiros do estado a concorrerem a duas das três vagas do Prêmio Nacional Dólmã, representando o estado.

Segundo o edital, o objetivo também é “mobilizar os Chefs de Cozinha/Cozinheiros e os profissionais da Coquetelaria a valorizarem as suas atividades, através de uma titularidade de reconhecimento estadual. Outro importante objetivo é o de mobilizar todos os profissionais, através do uso de insumos típicos regionais, valorizar a história, a cultura, o turismo e a economia local, tendo como elo a Gastronomia”.


São cinco categorias: chef profissional, chef burguer, chef pâtisserie, chef pizzaiolo e coquetelaria, sendo que os inscritos da categoria “Chef profissional” disputarão as duas vagas para a indicação ao Prêmio Dólmã 2022, que será em Macapá, no mês de agosto.

Na categoria Coquetelaria, o vencedor, além do título de melhor profissional do estado, concorrerá ao título de melhor profissional do Brasil, através da seletiva final que acontecerá no Festival Enchef Brasil 2022.

O Festival Enchefs Amapá acontecerá no período de 13 a 15 de maio, no SEBRAE AMAPÁ, das 17h às 19h. O edital e as inscrições estão disponíveis no site https://doity.com.br/concursoenchefsap2022

Colonialismo ecológico, um carrapato em nossas costas

 

João Capiberibe- Ex-governador e ex-senador, Psb-Ap. Ativista pelo desenvolvimento humano e sustentável da Amazônia.

– “Na minha casa eu frito peixe com ele,” disse-me uma senhora da comunidade. Pois é… eu tive que viver muitos anos, setenta e quatro, para ouvir isso pela primeira vez! Não! Não é possível! Reagi incrédulo. O que sei é que ele amarga e fede! Sobre a mesa havia uma dezena de garrafas, pedi uma colher e pela primeira vez provei o azeite de pracaxi.

Fiquei positivamente chocado com o sabor! Naquele dia, 29 de julho de 2021, aprendi que o pracaxi, além de sua utilização na medicina e na cosmética, era saboroso, bom de comer! De lá pra cá, eu troquei, o azeite de oliva, que vem de Portugal, as vezes da Grécia, pelo azeite de pracaxi, produzido pelas mulheres do Limão do Curuá, comunidade ribeirinha da Ilha Grande do Curuá, arquipélago do Bailique, onde eu me encontrava naquele dia de julho.

Pergunto-me porquê não aprendi isso antes, aliás, porquê não nasci sabendo que o azeite de pracaxi é tão bom na salada quanto o azeite de oliva. Pois bem, um dia desses convidei as pessoas mais qualificadas de minha cidade, professores doutores e pesquisadores, para provar uma saladinha que eu fiz em casa. Uma eu temperei com azeite de oliva, a outra com azeite de pracaxi, os mestres acharam as duas deliciosas, quando perguntei quem era quem, eles não souberam responder, não conseguiram distinguir um azeite do outro na salada. Eles, homens e mulheres de ciência, assim como eu até aquele 29 de julho no Limão do Curuá, não sabíamos que o azeite de pracaxi era comestível, tão bom quanto o azeite de oliva.

Essa degustação, que causou surpresa geral, foi um momento de intenso aprendizado, um dia para ficar na história, aconteceu em 20 de dezembro de 2021, quando homens e mulheres de ciência e tecnologia do Amapá, descobriram o azeite de pracaxi. E mais, nesse mesmo dia experimentaram e aprovaram o vinho tinto seco feito de açaí, no entanto este assunto deixo reservado para uma outra ocasião. Nesse dia, senti como nunca o peso do colonialismo ecológico em nossas vidas. É verdade! Somos detentores da maior biodiversidade do planeta. Também é verdade que pouca ou quase nada sabemos dela. Nossas universidades no Amapá e no Brasil, e mesmo a Embrapa, que estava presente na degustação, não têm politicas de pesquisa básica ou aplicada sobre a biodiversidade amazônica, quando muito vamos encontrar um ou outro abnegado, sem apoio institucional, desenvolvendo pequenos projetos nessa área.

Precisamos entender que nosso atraso é político! O carrapato que chegou por aqui há 500 anos continua agarrado em nossas costas, sugando nosso sangue, ensinando-nos a fazer tudo que é bom pra ele e nos mantendo na mais profunda ignorância sobre o que é bom pra nós. Continuamos consumindo azeite de oliva, plantando pinho e eucalipto, criando carpa e tilápia e exportando soja, como nos velhos tempos do Brasil colônia.

Mas nem sempre foi assim! Pelo menos num pedacinho do território nacional! Na década de noventa, vivemos ali uma experiência ousada, revolucionária, O Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá – PDSA, que tirou das prateleiras da utopia o conceito de desenvolvimento sustentável e o transformou em prática de governo, colocando os indicadores sociais, econômicos e culturais do Amapá entre os mais altos do país, os registros históricos estão disponíveis, vamos revisitá-los e trazê-los de volta ao futuro. Não foi à toa que os corruptos reagiram ao PDSA, ele mexia nas estruturas da sociedade e redistribuía riquezas.

Portanto nem tudo está perdido! Naquelas jornadas de julho e dezembro, ao tomarmos conhecimento, pelas mulheres do Limão do Curuá, que o azeite do pracaxi extraído a frio era bom pra comer, caiu a nossa ficha! Ainda há tempo de nos reinventar e sair do atraso.

 

SiSU 2022.1: Ifap ofertará 490 vagas em cursos superiores

 

O Instituto Federal do Amapá (Ifap) vai ofertar 490 vagas em cursos de graduação por meio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), do Ministério de Educação (MEC), neste primeiro semestre de 2022. São cinco cursos de licenciatura, cinco bacharelados e cinco tecnólogos, em quatro campi – Laranjal do Jari, Macapá, Porto Grande e Santana. Para concorrer às vagas, o candidato que realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve se inscrever no Sisu e optar por um dos cursos ofertados pelo Ifap. As inscrições no SiSU serão realizadas de 15 a 18 de fevereiro. : Acesse http://sisu.mec.gov.br ::


Do total das vagas oferecidas pelo Ifap, por curso e turno, 50% são reservadas aos estudantes de escolas públicas e políticas de ações afirmativas correspondentes aos candidatos cotistas – candidatos com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Das vagas da ampla concorrência, 2,5% serão reservadas às políticas específicas de candidatos com deficiência. Portanto, 47,5% serão somente para ampla concorrência.

A seleção, a classificação e a convocação dos candidatos serão realizadas pelo Sisu. Caberá ao Ifap somente a realização das matrículas dos convocados. As informações serão divulgadas pela Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC) e estarão disponíveis no site do Sisu e no portal do Ifap. O cronograma de inscrição está em acordo com o Edital MEC-SESU nº nº 2 de 18/01/2022 referente à 1ª edição de 2022 do SiSU .

Vários bairros de Macapá completam 24h sem água

Vários bairros de Macapá estão há 24 horas sem abastecimento de água, após pane elétrica que paralisou o fornecimento para os bairros ligados à rede da empresa, desde a manhã do domingo, 6. Laguinho, Trem, Zerão,  Cidade Nova, Centro, Perpétuo Socorro, e outros também estão sem água.

Em comunicado, a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) informou que o funcionamento do sistema central de captação de água de Macapá foi restabelecido às 21h deste domingo, 6.

A previsão era que a pressurização completa da rede acontesse durante a madrugada da segunda-feira, 7, para que todos os bairros integrados à rede central fossem alcançados. Mas não foi o que aconteceu, nas redes sociais muitas pessoas ainda estão reclamando que estão 24h horas sem água. A assessoria da Caesa informou que às 13h de hoje o sistema será todo restabelecido.

Vale lembrar que, em leilão, a Equatorial arrematou concessão no AP de serviços de água e esgoto em setembro de 2021. O novo concessionário investirá em torno de R$ 3 bilhões durante o período de 35 anos de contrato, sendo 70% destinados à melhora do esgoto e 30% para fornecimento de água.

A empresa está no período de transição, os técnicos da nova concessionária de saneamento farão o acompanhamento das atividades operacionais da Caesa na capital e demais municípios. Também ocorrerá, nos próximos seis meses, a mobilização e capacitação das equipes que atuarão na nova concessionária, que assumirá oficialmente a operação de todo o sistema de saneamento.

 

Aperte o Play: “Só Nós Dois”, a poesia musical de Tim Bernardes

 

“Só Nós Dois”, música linda lançada por Tim Bernardes em single que exalta o amor romântico em letra apaixonada. Um declaração de amor em forma de poema musical. Duvido alguém não suspirar por essa canção. Aproveite e mande ela para o amor da sua vida❤️.

 

Só nós dois (Tim Bernardes)

Grande amor da minha vida

Nunca se sinta sozinha
Meu amor eu te prometo
A cada momento
Te fazer feliz
Meu amor eu agradeço
Para sempre o dia
Que eu te conheci
Quando à noite fizer frio
Nossa cama é nosso ninho
As conversas, as risadas, pelas madrugadas
Nunca vão ter fim
Nos teus braços meus abraços
Beijos demorados antes de dormir
Só nós dois
Só nós dois
Pra sempre eu quero estar
Ao seu lado, amor
Nunca em toda minha vida
Sonhei nada parecido
Ninguém te imaginaria
Ninguém sonharia alguém como você
Se hoje a realidade é bem maior que o sonho
Eu já sei por quê
Minha grande companheira
Quero a nossa vida inteira
Cada parte do caminho
Cada desafio junto com você
Saiba sempre que eu te amo
É lindo, é tão gigante
O que a gente tem
Só nós dois
Só nós dois
Pra sempre eu quero estar
Ao seu lado, amor
Ao seu lado, amor

Sessão Pipoca: “Homens de Honra”

 

Baseado em fatos reais, o filme “Homens de Honra” relata a vida de um jovem negro no início  dos anos 40 de origem humilde que gosta muito de mergulhar e se alista na Marinha, para conseguir se tornar um mergulhador, o filme pode ser visto na Netflix, SKY e YouTube. Carl Brashear (Cuba Gooding) não deixa nada atrapalhar o seu caminho. Filho de um agricultor de Kentucky, Carl deixa a casa dos pais em busca de uma vida .

“Nunca desista… seja o melhor!”. Essas foram às palavras de despedida de seu pai, e Carl leva estas palavras dentro do coração. Ingressa na Marinha e deseja tornar-se mergulhador de elite da divisão de busca e resgates. Billy Sunday (Robert DeNiro) oficial da marinha e seu instrutor de treinamento, não quer saber de Carl e nem de suas ambições. Submete-o às piores provas de resistências na tentativa de fazê-lo fracassar e desistir. Com a convivência nasce um respeito mútuo que os levará a lutar juntos para defenderem a honra e protegerem suas vidas. Chegou à função de Mergulhador de Combate Chefe da Marinha dos EUA. Carl foi o primeiro afro-americano a receber tal título.

Claro, Gooding Jr. deve ter se sentido desafiado ao atuar junto a Robert De Niro, em um de seus últimos grandes papéis (infelizmente). De Niro está visceral como o Capitão Sunday e apresenta uma boa química com seu colega de atuação. O personagem é ríspido, as vezes preconceituoso e completamente comprometido com seu trabalho. Porém também acaba encontrando redenção no final de sua jornada. A última cena desse filme apresenta um dos melhores discursos motivacionais da história do cinema. Sério, é de fazer você querer se levantar e cumprir as ordens. Não entendo como De Niro nem ao menos concorreu ao Oscar na categoria de Melhor ator coadjuvante.

Notas da colunista

Homens de Honra é um belo filme, do tipo que conta uma história que te mantém ligado até o fim e que te faz pensar na vida. Um filme que emana esperança, motivação e determinação. Não perca tempo e assista, garanto que será uma excelente experiência.

Já viu o filme? Concorda com a minha opinião? Gostaria de sugerir outras recomendações? Deixe sua opinião aí nos comentários. A Sessão Pipoca  volta semana que vem.

Até quando vamos matar nossos pretos e pretas?

Jornalista e ativista social- Lilian Monteiro

Dois crimes bárbaros marcaram e pautaram a sociedade e a imprensa durante toda a semana. Falo sobre os assassinatos cruéis do congolês Moïse Kabagambe, 24 anos , espancado até a morte, por cinco homens no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E também, Durval Teófilo Filho, 38 anos, morto pelo sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra, que o confundiu com um ladrão.

Ambos episódios de barbárie aconteceram no estado do Rio de Janeiro, contra dois homens pretos, que carregam na pele a triste realidade de uma sociedade que perpetua o racismo estrutural e mata todos os dias um de nós, com o preconceito letal. Que país estamos construindo? É lamentável a nossa condição humana. Continuamos anestesiados vendo pretos e pretas sendo mortos por um racismo hediondo.

Moïse veio junto com família para o Brasil como refugiado em 2011, fugiu da guerra do Congo, mas a sua batalha, assim como a de Durval e de todos os pretos e pretas desse país é construído dia a dia, na luta para vencer e provar todos os dias, que nossos corpos não devem ser animalizados e chicoteados pelo sistema da crueldade de uma sociedade excludente e cruel.

Essa xenofobia desenfreada continua aniquilando muitas pessoas. A discriminação racial continua presente em muitas partes do Brasil, onde afro-brasileiros são frequentemente alvos de ataques por motivos raciais.

Durval Filho, assim como muitos brasileiros saia cedo de casa e voltava tarde para garantir o sustento da família. Mas na quarta- feira, 2, de fevereiro, cumprindo mais uma rotina, ele voltou para seu lar, às 23h, havia esquecido sua chave e estava mexendo na bolsa, quando de repente foi recepcionado a tiros por seu vizinho que o confundiu com um bandido…Até quando a nossa cor vai gerar desconfiança e ódio? Até quando seremos mortos com piadinhas racistas? Até quando seremos confundidos com criminosos por termos a pele preta? Até quando crimes como esses ficarão impunes?

“O que aconteceu foi uma covardia, porque meu irmão era trabalhador. Meu irmão nunca encostou em nada de ninguém. Ele sempre saiu de casa cedo. Minha mãe criou três filhos sozinha e nenhum seguiu vida errada. Ele era o único irmão que eu tinha e acontece um negócio desse? Ele tira a vida do meu irmão? Aí vai dizer que é legítima defesa? Não tem como. Meu irmão não tinha arma, meu irmão veio do serviço, ele veio do trabalho. Ele chegou em casa onze horas da noite”, disse Fabiana irmã se Durval.

Ninguém atira para não matar,
racismo é estrutural,a violência contra as mulheres e negros e LGBTQIA+ é estrutural. Vivemos reféns de um país violento, racista, que mata o povo que é história, é raiz, é negritude. Temos também a polarização desenfreada e um governo que alimenta o ódio.

Um dia um trabalhador é espancado até a morte num quiosque, no outro um cidadão chega na sua casa mexe na mochila e é morto. Ambos seres humanos que a sociedade insiste em retirar de suas famílias covardemente.Até quando vamos ver nossos irmãos morrendo e tudo continua como está?

Que as famílias de Moïse e Durval recebam o abraço de uma mulher preta que luta todos os dias pela dignidade de todos nós. Vidas Negras Importam.

Jornalista e ativista social- Lilian Monteiro

“Tattoo Solidário” 2022 reúne 16 tatuadores afim de arrecadar doações para ajudar instituição de caridade

O “Tattoo Solidário” chega a sua 9ª edição em 2022, reunindo 16 tatuadores feras e ocorrerá nos dias 12 e 13  de fevereiro (sábado e domingo) em Macapá, no Amapá Garden Shopping . Além de promover a arte da tatuagem, tem o objetivo de ajudar uma instituição que cuida de crianças em situação de risco social. A ação será realizada pela Norte Rock, loja especializada em artigos de rock que já promove o festival há nove anos. No sábado, a programação inicia às 10h e segue até às 22h, no domingo, inicia às 12h e finaliza às 21h.

Além das tatuagens com preços de R$ 50 até R$ 400, a ação busca arrecadar  um pacote de 200 gramas de leite em pó. De acordo com Paulo Pontes, proprietário/sócio da loja Norte Rock e organizador do  evento. “Além de pagar pela tattoo, os interessados garantem participação no evento entregando mais 200  gramas de leite em pó, que serão distribuídas para a Casa da Hospitalidade, organização sem fins lucrativos que funciona em Santana, a 17 quilômetros de Macapá”, explicou.

Os desenhos podem ser sugeridos pelos próprios interessados, com valor a negociar com cada artista. Para participar do evento, basta a pessoa  chegar com o desenho, e escolher qual artista quer tatuar e aguardar a vez. A arte não pode ser para cobrir outras tatuagens já existentes no corpo e o pagamento deve ser feito em dinheiro em espécie. Detalhe importante, é necessário levar a carteira de vacinação com a comprovação da segunda dose da vacina. Além disso, o Tattoo Solidário é para maiores de 18 anos.

No evento, os valores cobrados são abaixo dos preços de estúdio. As tatuagens são de pequeno a médio porte, as maiores de até R$ 400 são de tamanho de 11 a 12 centímetros. Além disso, durante a ação, terão shows, exposição  e dj’s, um evento multicultural.

E aí, tá ansioso? É só entrar no perfil do Instagram da Norte Rock https://instagram.com/norterock?utm_medium=copy_link

E ver quem são os feras da tatuagem que estarão no Tattoo Solidário. Confira os perfis dos profissionais aqui:

@madtattooo

@kaostattoo

@danilomachdo

@hianmtattoo

@alextattoo40

@marconiink

@tattoogabe

@tattoo_hugo

@morhy.ink

@pristattoo

@douglasdarksidetattoo

@johnnysantostattoo

@wandotatuagem

@jhontattoo__

@omuller_

@elieltattoo

Muito legal  ver que o ramo de tatuagem cresceu bastante aqui em Macapá e  a gente  ama, claro. Mais informações: 98100 2171/ 98106 5148.
Serviço:

Tattoo Solidário

12 e 13 de fevereiro (sábado e domingo)

Amapá Garden  Shopping

Horários: sábado das 10h às 22h

domingo das 12h às 21h

 

 

 

A vergonhosa exportação de pacientes com câncer para outros estados e os traumas do exílio involuntário de amapaenses

*Marileia Maciel – Jornalista 

Ontem, 4 de fevereiro, foi o Dia Mundial do Câncer, criado pela União Internacional para o Controle do Câncer para estimular ações, inspirar iniciativas e mudanças e salvar vidas. Hoje também completa 1 mês que precisei sair do meu estado, Amapá, para buscar a cura, salvar minha vida, e 10 dias que iniciei meu tratamento quimioterápico pelo SUS, no Rio Grande do Norte. Assim como eu, dezenas de amapaenses são obrigados a fazer esse exílio involuntário, por força da precariedade e falta de humanidade nas condições oferecidas pelo Estado para pessoas vítimas dessa doença, que se não for diagnosticada e tratada a tempo, traz sofrimento, mutila, queima, envenena e mata, não somente o paciente, mas arrasta junto nessa esteira seletiva, família e amigos, e deixa os afetados com a triste sensação de fracasso.

Todos sabem, tem conhecimento, que o diagnóstico e tratamento do câncer nunca foi prioridade para as gestões com atribuições para tomar decisões a respeito do assunto no Amapá. São anos de reclamações, reivindicações, dor e perdas, por falta de medidas que de fato podem mudar tudo isso. Constroem uma parede, adquirem um equipamento, tem inauguração, festa, foto, depoimentos emocionados, mas por trás dessa cortina colorida e confetes, a realidade é dura, fria, reflexo da incompetência e falta de amor e responsabilidade, enxergam os pacientes de câncer como pessoas condenadas, já mortas. Pra que investir em alguém que não vota?

Esse descaso é muito antigo e sair do Amapá é um escolha entre dar uma chance a vida ou morrer. São centenas de pessoas que precisam aceitar com gratidão e lágrimas nos olhos a “benevolência” do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que é mais um remédio amargo que é tem que ser engolido. E seguem para Porto Velho, Barretos, Goiânia, e outras cidades em que os governos, por piores que sejam, não deixam estes doentes desassistidos, e as instituições filantrópicas trabalham duro, conseguem apoio para que menos pessoas morram em uma cama por falta de medicação. Nestes estados que recebem tão bem os amapaenses, a situação é dura, muitas vezes até humilhante por falta do pagamento do TFD que além de não ser muito, ainda atrasa. É constrangedor e dolorido, porque essa doença exige muito do corpo, da mente e das emoções, e se algo não vai bem, o risco de piorar é grande.

Essa falta de dignidade e responsabilidade está tão presente em nossa realidade, as pessoas se acostumaram a conviver com esse descaso, que até instituições consagradas nacionalmente por seu trabalho para prevenir e evitar que a doença prolifere ou mate são envolvidos nesta teia sinistra. Caso do Hospital do Amor, reconhecido em todo o Brasil pelo eficiente trabalho, foi instalado em Macapá gerando expectativa e esperança, para fazer o rastreamento e prevenção. Uma grande luta e pressão da população, organizações, pacientes, famílias, fez com que autoridades e parlamentares finalmente entrassem na guerra e garantisse sua instalação.

Um esforço da Bancada amapaense destinou emendas, o GEA fez um investimento para instalação elétrica, hidráulica e esgoto e assinou um convênio com Henrique Prata, assumindo a responsabilidade de custear a manutenção, funcionamento, exames, recursos humanos, água, luz, internet. Tudo perfeito, e o Hospital do Amor e mais uma carreta entraram em funcionamento em dezembro de 2018 com a previsão de realizar 60 exames por dia para detectar câncer de mama e colo do útero. O prédio é lindo, limpo, espaçoso, os profissionais bem capacitados e educados, um primor. Campanhas chamavam as mulheres para realizarem os exames, incentivavam a prevenção, e chegaram a lamentar a baixa procura.

Em 2020 eu, como todos os anos, fiz meu preventivo, devido uma inocente bolinha que insistia em meu seio direito, que sempre era identificado como algo inofensivo, mas que precisava de atenção e observação. Fui ao Hospital do Amor em julho daquele ano, atendimento impecável. O resultado sairia em 2 MESES. Tudo bem, não tinha crescido a bolinha, era só pra acompanhar mesmo. Passados dois meses o resultado não saiu. Liguei, acredito que em outubro atrás do resultado e me disseram que “se não deram retorno era porque estava tudo ok”. Se estava tudo normal para eles, porque eu haveria de me preocupar e insistir pelo exame e laudo? Achei normal e muitas mulheres conhecidas diziam também que não receberam o resultado mas que estava tudo bem. Em 2021 eu senti que a bolinha estava estranha e maior. Consegui marcar meu preventivo para julho, e assim fiz. O resultado sairia em setembro, mas eu iria esperar, poxa, tratava-se do Hospital do Amor, não tinha porque colocar em dúvida anos de trabalho. Eu ainda não sabia que pra quem tem câncer, um dia a mais de espera é um dia a menos de vida. Continuei minha vida normal, preocupada, mas crente que “se não ligaram, estava normal”. Começou aí minha saga para ter o resultado, porque qualquer consulta posterior, iriam me perguntar e eu queria apresentar.

Nenhum telefonema, nem email, correspondência, mensagem, nada. Liguei várias vezes e na única vez que me atenderam, ficaram de retornar em dez minutos, e nada. Procurei informações com uma amiga que conhece pessoas que lá trabalham, e que conseguiu saber que estavam com problema para digitalizar os exames, que eram muitos, mas que eu teria que fazer um complementar no dia 10 de novembro. Só fiquei sabendo porque usei da amizade, ninguém me ligou. Fui fazer o exame complementar e o resultado sairia em um mês. Neste dia do exame, enquanto esperava o carro me buscar, uma senhora muito humilde e meio atordoada me pediu para chamar um carro de aplicativo. Enquanto chamava, me perguntou se eu sabia de uma clínica particular onde pudesse fazer a mamografia, porque só teria vaga para ela fazer no HA em seis meses, e me mostrou o seio desfigurado. Disse que mostrou no balcão, mas mesmo assim teria que esperar. Espero sinceramente que esta senhora esteja na luta para se curar. Eu tinha resolvido me consultar em Brasília, para onde iria a serviço no dia 11 de dezembro, mas exatamente no dia 10 dezembro, à noite, minha amiga ligou e disse que conseguiu a informação privilegiada que eu teria que fazer uma ultrassonografia, e que seria dia 5 de janeiro.

Antes de viajar, no sábado, 11, esse caroço me deu um alerta e pela primeira vez doeu e a pele ficou vermelha. Cheguei em Brasília com a sensação ruim, através de uma amiga consegui uma consulta em uma clínica em Taguatinga para segunda-feira, 13. Tentei ao menos conseguir meus exames de mamografia que havia feito no HA e não consegui. Foi meu filho, sobrinho e amiga pessoalmente tentar pegar em Macapá para me enviar antes da consulta, mas não conseguiram. Me colocaram para falar por telefone com uma atendente, e tive como resposta que para eu ter acesso a um exame que fiz, referente a minha saúde e vida, depois de seis meses sem resposta, teria que enviar email para a diretoria explicando meus motivos e esperar. Desisti do HA a tempo. Em dois dias fiz a mamografia, ultrassonografia e biopsia, e diante das evidências a mastologista antecipou que a chance de ser maligno era de 95%.

Voltei para Macapá, fui aconselhada a aceitar ir para Porto Velho, mas com fé em Deus, apoio irrestrito da minha família e alguns amigos, e dos meus chefes, em 26 de dezembro decidimos que eu viria para Natal, e aqui estou. Tive que mudar meu domicílio para fazer meu tratamento via SUS através de uma instituição filantrópica que é sustentada com recursos públicos e de doações, os impostos do cidadão ao comprar qualquer alimento ou medicação pode ser convertidos para esta instituição ou outras de apoio a pacientes com câncer, basta dizer o CPF no caixa. Nada falta, nem lanche para as famílias que vem do interior, nem carinho, internet, aconchego, atenção, transporte para quem não tem como chegar até lá. Refiz alguns exames de rotina, e no dia 26 de janeiro passei pela minha primeira sessão de quimioterapia vermelha, acompanhada por minha irmã e muitos profissionais atenciosos e guardiões, sempre me orientando e tirando dúvidas. No dia 28 de janeiro recebi uma ligação do Hospital do Amar, e adivinha? Pra me comunicar que eu precisaria fazer minha ultrassonografia porque identificaram uma alteração. Educadamente agradeci a pessoa e expliquei que a necessidade havia me trazido para outro estado e que já havia iniciado o tratamento. Me senti mal em dizer isso, não sei de quem é a culpa, nem porque isso acontece, mas com certeza não era da moça, que ficou constrangida no telefone.

Aqui estou neste 4 de fevereiro, assim como dezenas de amapaenses, longe de sua casa, da família, do trabalho, da rotina. Eu estou em uma situação boa, mas a maioria não. Precisam fazer coleta e promoções para pagar aluguel, comida e transporte, sofrem por estar distantes, tanto os pacientes como acompanhantes desenvolvem doenças como depressão e ansiedade, isso atrapalha o tratamento, causa insegurança, medo, angústia. No Amapá somos impossibilitados de fazer estes tratamentos perto da família, com direito a ir e voltar para casa, sem humilhações, muitos são obrigados a dar aquele jeitinho brasileiro para ser beneficiado com um direito que é seu, que é acesso à saúde, garantia de tratamento humano, a Lei dos 30 dias é só um sonho, espera-se tanto por um resultado que quando chega, capaz de não ter mais jeito, morre-se esperando uma vaga, morre-se por falta de medicamentos, morre-se por falta de atenção, de saudades da família, da casa, por falta de humanidade e responsabilidades.

Alguém sabe dizer porque o Hospital do Amor demora tanto para dar um resultado, quando dá? Alguém sabe se os compromissos assumidos pelos parceiros são cumpridos? Se eles têm como agilizar os resultados e serem mais cuidadosos como quem procura atendimento? Se empresários do Amapá são incentivados a investirem no HA? Há política de incentivo para que os impostos sejam investidos no HA? Graças a Deus ainda podemos contar com instituições como IJOMA e ONG Carlos Daniel, nascidas da indignação e sofrimento com todo este descaso. Seus dirigentes lutam diariamente para que não parem, e recebem ajuda de algumas empresas, órgãos públicos e pessoas, ou a situação seria bem pior. Onde assumimos nossa responsabilidade em não compactuar com a falta de responsabilidade das gestões no tratamento de câncer? Quando vamos parar de aplaudir, por questões pessoais, o puxadinho que fazem eleitoralmente em vez de cobrar atitudes sérias? Quando vamos parar de exportar doentes de câncer para outros estados e jogar para outros a responsabilidade que é nossa?

Por Mariléia Maciel

Sessão Pipoca: “Açaí”, vencedor do Festival Nacional Guarnicê

O curta-metragem amapaense “Açaí” é o filme  que está na sessão pipoca de hoje, para homenagear Macapá pelos seus 264 anos, celebrado nesta sexta-feira, 4 de fevereiro. Ele já  conquistou os prêmios de melhor curta-metragem nacional por júri popular e melhor trilha sonora original no 43º Festival Guarnicê de Cinema, um dos mais antigos e importantes do audiovisual brasileiro, realizado pela Universidade Federal do Maranhão. O filme pode ser visto nas plataformas de streaming.

Sinopse do filme Açaí

O curta “Açaí” conta a saga de Dionlenon, um homem de 30 anos que está acostumado com a vida que leva ao lado da mãe, com quem mora numa periferia de Macapá. Ele sai em busca de dois litros de açaí para almoçar, mas não conta com uma viagem tão distante assim.

Ficha Técnica
Direção: André Cantuária
Roteiro: Sandro Romero
Direção de Fotografia: Nildo Costa
Edição/Montagem: Richard Monteiro e Ícaro Reis
Trilha Sonora: Manoel Cordeiro e O Sócia
Desenho de som: Hian Moreira
Elenco: Joca Monteiro, Deize Pinheiro, Rute Xavier, Naldo Martins, Paulo Bastos, Lu de Oliveira, Adalberto Marques, Veerney Nunes, Murillo Mathiel, Dionizio Junior, Kaio Castillo, José Augusto, Neto Montalvão, Laura do Marabaixo, Danu Alcântara, Sarah Aranha, Lucas Souza, Silvana Eduvirgens, Maria Rosa, Mauricio Maciel, Nilton “Biro Biro”, Caique Sampaio, cadela Pantera.

“Coração de Criança”. Um poema de Paulo Madeira em homenagem a Macapá

 

Nasceu com o nome de Vila
Com vocação militar
Gerada para defesa
Minha amada Macapá

 

Desde o teu nascimento
Com as bençãos de São José
Já mostravas fortaleza
Com o coração de mulher

O tempo correu com força
No embalo do Majestoso
Viver no teu coração
É cada vez mais gostoso

Quem nasceu nas tuas terras
Quem veio de outro lugar
Encontram em ti um abrigo
Mãe zelosa, Macapá

Hoje é teu aniversário
Vou comemorar com dança
Já és quase uma senhora
Com coração de criança

Sou o teu filho adotado
Me tratas como nativo
Tenho orgulho de dizer:
Teu amor me mantém vivo

Viva minha mãe de leite
Que alimenta e ensina
Segue crescendo e amando
Com uma alma guerreira
Com coração de menina.

Macapá, 04 de Fevereiro de 2022
Paulo Madeira – filho adotivo.

 

O juiz Paulo Madeira é natural de São Luís, no estado do Maranhão. Adotou Macapá como sua cidade do coração desde
9 de agosto de 1996, quando foi empossado Magistrado do Tribunal de Justiça do Amapá.

Aperte o Play: “Jeito Tucuju”, o hino cultural do Amapá, cantado magistralmente nesse video por Patrícia Bastos. #Macapá264anos

No aniversário de Macapá, que é celebrado nesta sexta-feira, 4 de fevereiro, onde a cidade completa 264anos, O Aperte Play traz a música “Jeito Tucuju”, de autoria dos compositores e cantores, Val Milhomem e Joãozinho Gomes, cantada pela diva amapaense, a cantora  Patrícia Bastos. A canção  também é o hino  Cultural do Amapá.

Foto: Bruno Mont’alverne

Jeito Tucuju

 

Quem nunca viu o Amazonas
Nunca irá entender a vida de um povo
De alma e cor brasileiras
Suas conquistas ribeiras
Seu ritmo novo

Não contará nossa história
Por não saber ou por não fazer jus
Não curtirá nossas festas tucujú
Quem avistar o Amazonas nesse momento
E souber transbordar de tanto amor
Esse terá entendido o jeito de ser do povo daqui

Quem nunca viu o Amazonas
Jamais irá compreender a crença de um povo
Sua ciência caseira
A reza das benzedeiras
O dom milagroso

Um poema para Macapá. “Vozes da Madrugada”, de Joãozinho Gomes.

Cidade cafuza onde moro

Sem muro é a minha morada

Com a franja d’aurora decoro

Os caramanchões na sacada

Aonde os pardais fazem coro

Com as vozes da madrugada

Louvando o nosso decoro

Com músicas enluaradas

Cidade cafuza onde moro

Namoro a manhã serenada

Que dia-após-dia-após-dia dá quórum

A nossa nortista jornada

Em ti vive tudo o que adoro

Contigo não me falta nada

Teu rio reside em meu poro

Meu verso em tua tez morenada

Cidade cafuza onde moro

Meu ninho de eterna morada

A casa de amor onde oro

Com a porta bem escancarada

Cidade despida de ouro

Teu templo é a mata sagrada

E a chuva é teu choro

Por todas as vidas futuras,

Presentes e antepassadas