Por Sérgio La-Rocque*
O Brasil, em especial o povo do Amapá, na manhã de 10 de setembro, acordou estupefato com a mega operação realizada na capital denominada Mãos Limpas, que envolveu 600 policiais federais, 60 servidores da Receita Federal e 30 da Controladoria Geral da União e prendeu diversas autoridades, personalidades e empresários do estado, entre os quais o ex-governador Waldez Góes, o atual governador Pedro Paulo Dias, o presidente do Tribunal de Contas, Júlio Miranda, além de ações coercitivas contra o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás e o prefeito da Capital, Roberto Góes.
Os presos foram acusados de envolvimento no desvio de dinheiro público, cujos valores no âmbito do Poder Executivo, conforme as investigações da CGE, ultrapassam R$ 800 milhões.
Tal acontecimento, de natureza extremamente grave, que envergonha a todos, traz à baila dentro do presente processo eleitoral a discussão sobre o Orçamento Público estadual e sua gestão pelos governantes.
Antes de tudo é preciso que a população saiba que o Amapá possui um dos melhores Orçamentos do país, algo em torno de R$ 3.980,00 por habitante ano. É muito dinheiro!
Para se ter uma idéia desta magnitude, os três estados mais “ricos” da Federação; São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, possuem orçamentos per captas de R$ 2.448,00, R$ 2.975,00 e R$ 2.050,00 respectivamente.
Na Região Sul, o estado do Paraná apresenta R$ 2.448,00 e Rio Grande do Sul, R$ 2.541,00.
No Nordeste, o estado da Bahia possui R$ 1.623,00 e o Ceará, R$ 1.529,00.
No caso da Região Norte, nosso Orçamento por habitante ano só fica atrás do campeão Acre, com R$ 5. 217,00, mas muito superior, mais do que o dobro, ao do vizinho estado do Pará, com R$ 1.487,00. Temos ainda o Amazonas com R$ 2.470, Rondônia, com R$ 3.312,00 e Roraima, com R$ 3.938,00.
Como se vê, o Amapá ocupa uma posição privilegiada. Bem ao contrário do que se propaga, não é um estado pobre. Tal afirmação não se sustenta pelas evidências.
Tem um belo Orçamento Público. Que, bem gerido e em boas mãos, possibilita, no médio prazo, transformá-lo “num brinco”.
O momento é propício para uma profunda reflexão sobre o assunto. Uma grande repactuação, em torno deste Orçamento entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário precisa ser construída. Tal tarefa, por ter a chave do cofre, caberá ao novo governante que será escolhido pelo povo do Amapá nas próximas eleições.
Assim, está nas mãos do povo amapaense a decisão para se construir um novo tempo no Estado e para o estado.
*Sérgio La-Rocque é engenheiro químico/MBA, ex-presidente da CAESA e atualmente diretor de expansão e tecnologia da Cosanpa/Pa.

