Mercado Central de Macapá será palco do Festival Brasil sabor

Um show de criatividade, variedade e valorização da culinária nacional será apresentado no maior festival gastronômico do planeta, o Brasil Sabor. O evento inicia nesta quinta-feira, 28, e conta com aproximadamente quatro mil estabelecimentos inscritos em todo o Brasil.

No Amapá o Festival terá seu lançamento, às 18h, no Mercado Central de Macapá, onde estarão participando 22 estabelecimentos do seguimento culinário. Fazem parte do Festival os municípios de Macapá e Santana. A coordenação do evento traz uma novidade, trata-se da ficha com a composição nutricional dos principais alimentos que compõe os pratos.

As fichas com valores calóricos e indicações nutricionais foram elaboradas pelos acadêmicos do curso de Nutrição da Faculdade Seama após a realização de pesquisa e análise dos itens de cada cardápio. A coordenação do evento estima que durante os três dias de lançamento do festival compareçam ao Mercado Central mais de 11 mil pessoas, para isso os pratos serão comercializados a preço popular.

Participantes

Em 2011, os restaurantes participantes do Festival Brasil Sabor no Amapá são: Cantinho Baiano; Divina Arte; Mister Grill; Só Assados; Estaleiro; Casa da Pizza; Reginis Buffet; Triunfus Buffet; Churascaria Santa Rita; Restaurante Sarney; Flora restaurante; Kátia Cestas; Cris Lanches; Waldir Buffet; Restaurante Sapucaia; Restaurante Plutão; Buena Pizza; Tsuru Sushi; Tacacá Atalaia; Doce Desejo e Rafaela Decoração.

Ahan

E não é que as excelências da Assembléia Legislativa fizeram uma caravana e foram a Brasília cantar parabéns para o senador José Sarney, que fez aniversário?! Com passagens e diárias, quanto custou o mimo para o contribuinte?

Dizem que, 22 dos 24 deputados estaduais embarcaram no Parabéns Fly.

 

Miss Amapá

Josiene Modesto ganhou na noite de ontem o título de Miss Amapá 2011

A bela Lana Botelho ficou em segundo lugar

Fotos: Patrick Almeida

Governador firma parceria para combater a criminalidade

O governador Camilo Capiberibe garantiu nesta terça-feira, 26, em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o apoio do governo federal para investimentos e ações emergenciais na área de segurança pública no Amapá. Uma força-tarefa do Ministério virá ao Estado, nos próximos dias, para traçar conjuntamente com o governo estadual ações na área de segurança pública.

O pedido do governador ao Ministério da Justiça foi motivado pela recente onda de assaltos e crimes no Estado. “A segurança pública estava sucateada. Além dos investimentos que estamos fazendo, fomos buscar apoio federal para recuperá-la com mais rapidez”, afirmou o governador.

“O Amapá teve um histórico muito positivo de segurança pública com policiamento comunitário durante o governo de João Capiberibe. Estamos fazendo esta parceria para trabalhar com o governador Camilo e resgatar esse projeto que serviu de referência para o país”, comprometeu-se o ministro, em audiência ao governador do Amapá e parlamentares da bancada amapaense.

A força-tarefa, coordenada pelo próprio ministro José Eduardo Cardozo, deverá vir ao Amapá dia 26 de maio. O ministro estará acompanhado de técnicos das várias secretarias que integram o Ministério da Justiça, para se reunirem com técnicos da área de segurança pública do governo do Amapá.

A previsão é que sejam envolvidos diretamente nas ações os organismos da área de segurança pública ligados ao Ministério da Justiça, como a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal, além do Tribunal de Justiça do Estado e do Ministério Público.

O ministro Cardozo garantiu ao governador que o Ministério deverá repassar recursos financeiros ao governo do Amapá para aquisição de equipamentos e implantação de ações para aperfeiçoar a segurança pública no Estado. A previsão inicial é que sejam repassadas 35 motos e 35 veículos para o policiamento motorizado, além de outros investimentos. O Ministério dispõe de recursos para a construção de postos de policiamento comunitário e para a implantação do programa Territórios da Paz.

O governador Camilo Capiberibe solicitou recursos para construir novos presídios no Estado, que poderão ser implantados nos municípios de Laranjal do Jari, Oiapoque e Amapá. Além disso, o governador pediu que o ministro repasse ao Estado o valor de R$ 4,5 milhões para que o governo adquira um helicóptero próprio para a área de segurança pública, em vez de usar equipamentos alugados. A resposta deverá ser dada em breve ao governador.

A deputada Fátima Pelaes (PMDB) e o deputado Bala Rocha (PDT) acompanharam o governador Camilo Capiberibe, representando a bancada federal do Amapá.

Sizan Luis Esberci/SEAB
Assessor de Comunicação Social

Do Portal do Jornal do Dia

Bandidos levam R$ 100 mil de dentro do quartel da Polícia Militar
Gerente do banco Santander, que funciona dentro do quartel, foi feita refém durante o assalto

A audácia da bandidagem somada à precária segurança pública resultou ontem em um dos assaltos mais comentados no Amapá, inclusive com repercussão nacional. O posto de atendimento do banco Santander, localizado dentro do quartel da Polícia Militar, foi roubado em R$ 100 mil. Os bandidos até o fechamento desta edição não haviam sido presos.
De acordo com as informações de funcionários do próprio banco, tudo aconteceu por volta das 13 horas quando a única funcionária que atende naquele posto bancário saiu para almoçar. A pequena agência atende somente aos servidores da Polícia Militar e não tem sistema de monitoramento de câmeras.
A gerente que já vinha sendo monitorada há alguns dias pelos bandidos, dirigiu-se até um restaurante, localizado na Avenida Presidente Vargas, no bairro Central, e na saída foi abordada por um dos assaltantes. Sem levantar suspeitas, eles entraram no carro da vítima e seguiram, novamente, para o posto de atendimento dentro do quartel.
Como a funcionária tem acesso livre no QG da PM, a companhia do bandido não levantou qualquer suspeita.
Depois de sacarem o valor, os bandidos fugiram usando a mesma estratégia. A vítima foi deixada na rodovia Macapá/Santana, próximo ao trilho do trem. Há suspeita de que mais de um assaltante esteja envolvido no caso. Um deles teria usado uma motocicleta para dar apoio à ação.
Ontem, após o ocorrido, o comando da PM resolveu reunir para debater o roubo e tomar providências quanto a falta de segurança. A suspeita principal recai sobre um foragido da penitenciária, conhecido como “Arlei”.
Esse não foi o primeiro roubo registrado em um ponto de atendimento bancário localizado dentro do quartel da Polícia Militar. Há uma semana, outro posto do banco Santander, localizado na Unifap (Universidade Federal do Amapá) também foi alvo de bandidos.
A onda de assaltos registrada ontem não parou com o roubo dentro do quartel da PM.
Uma loja de balas localizada no centro da cidade também foi assaltada. Uma pessoa acabou sendo baleada e foi internada no Hospital de Emergências.

Repiquete é Memória

Duas fotos de contribuição do leitor Edem Melo.

Placa da obra do empreendimento Isa Peixes, que virou Leal Santos e depois sumiu.

Lembra do camarão rosa, da Leal Santos? Essa empresa ficava no Distrito Industrial.

E do antigo Marco Zero?

 

Bandidos ousados

Assaltantes roubaram ontem o Posto de Atendimento do Banco Santader do quartel da PM, após renderem a gerente do banco e a levarem para abrir o cofre.

Onde vamos parar?

No final de semana, as poucas viaturas da PM estavam sem combustível, que ainda é comprado pela SEAD, pra fazer o policiamento.

UM CONTO DE MINAS

Robson Ribeiro de Sá

 

O Binga mora em Minas. Vive rindo. Tem um riso bem grande pregado na boca. Ganhou o apelido na escola quando narrava uma empolgante cena do filme Ben-Hur: “E aí o bandido veio em alta velocidade com a biga…” Gargalhada geral da garotada. Hilário.  Muito engraçado!  Estava corretíssimo, mas as crianças não sabiam o que era biga e a caçoada foi geral. Gozação eterna e apelido pra sempre. Depois o Biga virou Binga porque soava melhor.

 

O Binga, na infância, morava com a mãe na beira do rio quase no meio do mato perto de uma pequena plantação de verduras, numa baixada. Depois que a mãe morreu, órfão foi morar com uns tios em Correia de Almeida, distrito de Barbacena, na Zona da Mata mineira onde vive até hoje. O Binga está bem de vida, fez fortuna negociando cachaça. Cachaça de finezas artesanais que só em Minas floresce. Compra cachaça verde e forte, cabeça de alambique, no Jequitinhonha, e matura em barris de imburana. Vende cachaça boa, boa e saborosa. Cachaça pra beber em copinhos aos filetes, aos pequeninos goles para sentir a lembrança cheirosa da madeira. Salve! Quem conhece estala a língua! Sabe.

 

O Binga caiu no prazer vicioso da cachaça boa. Quando bebe, bebe muito, mas depois para e cai em depressão. Fica meses sem beber e sem por os pés na rua. Taciturno, ensimesmado e distante. Sua mulher cuida dos negócios. Quando ele está muito pálido e magro ela o obriga a sair de casa e ele vai voltando lentamente para as ruas. No início só sai nas altas da noite feito morcego pra não encontrar com ninguém. Esgueira-se de todos e vai beber só umazinha nos botequins copos-sujos mais afastados do distrito. Com o tempo ele começa a aparecer na cidade no final da tarde. Por fim, com uma aparência normal volta para luz do dia. Retoma a vida e os negócios, descobre novas cachaças finas, ganha mais dinheiro e volta a beber muito de novo.  O ciclo se repete, fica deprimido e volta a se enclausurar.

 

O Binga comprou um cavalo velho. Cansou de ser multado e preso por dirigir embriagado e não quer ter problemas quando dormir ao volante. Nas vezes que dorme “dirigindo” o cavalo, o equino o leva para casa a passos lentos pelas ruelas calmas, comuns às pequenas cidades mineiras. Uma vez bebeu demais e caiu da sela orgulhoso e elegante como uma pedra. É muito carinhoso com o cavalo, mas trata o animal como um automóvel e várias vezes quis entrar montado num lava a jato de Barbacena. Ao final do dia guarda o cavalo na garagem e baixa a porta sanfonada de aço. “Cautela”, diz o Binga. Quis instalar um alarme no cavalo, mas foi persuadido a deixar pra lá. Quando, montado no bicho, para ao lado de uma viatura policial, olha para autoridade, imita uma buzina “bii bii” e grita com a língua enrolada “Tô dirigindo embriagado” e racha de rir. Ninguém se importa, o Binga é gente boa!

 

Fica muito tempo sóbrio, cuidando do patrimônio, mas de repente volta a beber. Bebe, bebe, para e fica deprimido. Nas crises de depressão, que nunca se sabe o motivo, várias vezes tentei visitá-lo. Nunca quis me receber. Mas há uns meses aquiesceu e marcou um encontro num botequim, desses bem toscos, que existem aos montes nas cidadezinhas de Minas, e o horário foi depois das onze da noite.

 

Encontrei-o envelhecido, pálido, cadavérico e olhos amarelados, num ambiente de pouca luz. Olhou-me, não disse nenhuma palavra e apoiou os cotovelos na mesa. Pôs a cabeça entre as mãos com o rosto virado pra baixo, os dedos entre os cabelos esbranquiçados e ficou assim em silêncio por um bom tempo. Depois falou. Falou da vida, falou do tempo alegre ao lado da mãe e da ausência do pai que partiu muito cedo, das braçadas no rio e das brincadeiras de fundo de quintal com os antigos amigos de infância. Calou-se novamente, e no silêncio triste começou a assoviar baixinho uma canção da sua terra e da sua meninice doce e feliz: “Aonde tu vai rapaz por esse caminho sozinho? Vou fazer minha morada lá nos campos do laguinho eu vou fazer minha morada lá nos campos do laguinho…” A depressão do Binga  eu sei, é saudade. Saudade da antiga capital do manganês, do glorioso Território Federal do Amapá.

Seicom discute revitalização do Distrito Industrial

A Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), realizará nesta terça-feira, 26, um encontro para tratar da revitalização do Parque do Distrito Industrial. A abertura do evento terá início às 9h, no Centro de Educação Profissional de Santana Maria Salomé Gomes Sares (Ceps), localizado na Quadra O, lote 04, ao lado da sede administrativa do Distrito.

O encontro tem o objetivo de estabelecer ações positivas integradas de infraestrutura básica do Distrito Industrial de Macapá e Santana. Órgãos do governo estadual, empresas privadas e instituições do município de Santana participarão para apresentar propostas de projetos e parcerias para impulsionar o setor industrial gerando mais emprego e renda. Será apresentado aos empresários que têm empreendimentos no Distrito pelos parceiros convidados, conforme sua área de competência.

A Oi Telefonia, Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), Polícia Militar de Santana, Prefeitura Municipal de Macapá e Santana farão as propostas para implementação e manutenção na rede de telefonia, informática, energia elétrica, água, segurança pública, pavimentação e coleta de lixo.
Dentre outras questões que serão discutidas, estão os projetos em andamento na captação de recursos, que demanda maiores investimentos. É caso do projeto de pavimentação asfáltica, drenagem e sinalização em negociação com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

A recomendação do governo do Estado é também no sentido de buscar essa interação com setor privado. O projeto de revitalização do Distrito Industrial tem sido pauta constante do secretário da Seicom, José Reinaldo Alves Picanço, o que aponta soluções para os entraves do Parque Industrial.

Lilian Monteiro/Seicom

O FPE e a justiça fiscal

Por Charles Chelala. Economista, Professor e Mestre em Desenvolvimento Regional

O Fundo de Participação dos Estados e Distrito Federal – FPE foi criado em 1965 como o principal instrumento econômico do pacto federativo, tendo sido constituído com o objetivo de promover o equilíbrio socioeconômico entre os Estados. Já na sua fórmula original previa mecanismos de redução de disparidades regionais, pois o rateio obedecia aos seguintes critérios: 5% conforme a superfície territorial e 95% conforme a população e o inverso da renda per capita de cada Unidade da Federação.

A Constituição de 1988 ampliou os recursos destinados ao FPE e entregou ao Congresso a tarefa de definir os parâmetros de distribuição para o equilíbrio dos Estados. Sem condições políticas para conseguir o consenso, em 1989 os congressistas “empurraram o problema com a barriga”, criando uma tabela fixa provisória (que deveria valer por apenas dois anos). Tal tabela perdura há mais de duas décadas, o que levou o Supremo Tribunal Federal a declarar sua inconstitucionalidade e atribuir que seu prazo de validade expira no fim do ano que vem.

A questão nos interessa diretamente. O Amapá depende em mais de 60% de suas receitas dos recursos compartilhados pelo FPE. Além disso, pode vir a ser uma boa oportunidade de se corrigir as profundas injustiças que o congelamento dos coeficientes de distribuição só fizeram acirrar.

Um exemplo: para cumprir seu papel institucional, o FPE deveria ser destinado em maiores somas a Estados hipossuficientes em receitas próprias, como o Amapá, Roraima e Acre, entre outros. Se compararmos sob esses critérios veremos que, em 2008, o Amapá arrecadou R$ 350 milhões em ICMS e recebeu R$ 1,6 bilhões de FPE. Já a Bahia obteve R$ 9,5 bilhões de ICMS e R$ 4,2 bilhões de FPE. Não é justo entregar tal soma de transferência a um Estado que já possui elevada capacidade de arrecadação própria. O mesmo ocorre com o Ceará, com o Maranhão e até com o poderoso Estado de Minas Gerais, que recebem cotas bem maiores do que a do Amapá

No intuito de sanear estas distorções, o Senador Randolfe Rodrigues ingressará com um Projeto de Lei no Congresso, baseado em um aprofundado estudo técnico elaborado por um grupo específico criado no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ.

Sua aprovação não será tarefa fácil, pois será travada na arena política, com cada Unidade da Federação querendo aumentar o seu quinhão. Entretanto, será um momento de repactuação da Federação. Será também uma excelente oportunidade de se conhecer os verdadeiros defensores do Estado do Amapá

GEA implanta formação superior no campo

A partir do próximo dia 26/04, a formação superior promovida pelo Estado ganhará um forte aliado desta vez exclusivo para aqueles que são formados nas Escolas Famílias (EFAs) do Amapá. A data marcará o início das atividades letivas do curso de Licenciatura em Ciências Agrárias, projeto piloto do Programa de Formação no Campo da Universidade do Estado do Amapá (UEAP).

A aula inaugural, marcada para 9h30, acontecerá na Escola Família Agrícola de São Joaquim do Pacuí, no distrito de mesmo nome, onde funcionará o curso na modalidade presencial, em sistema de alternância quinzenal, o mesmo praticado pelas EFAs durante toda a educação básica.

O curso de Ciências Agrárias é fruto de parceria entre o governo do Estado, UEAP e Associação das Redes das Escolas Famílias do Amapá (Raefap), que no dia 1º de março assinou convênio anual com o governo do Estado no valor de R$ 3,2 mi destinados à manutenção das cinco escolas famílias existentes no estado.

A formação superior destinada aos residentes das áreas rurais, a maioria sustentada pela pequena produção agrícola e agroextrativista, é fruto dos anseios dos trabalhadores rurais e de parceiros como o governo do Estado, que vêem no ensino, pesquisa e na extensão a geração de oportunidades de desenvolvimento com consciência ambiental para proveito de todos, em especial dos produtores do campo responsáveis pela geração de riquezas a partir da matéria prima.

Entre os objetivos do curso de graduação, destacam-se a formação de profissionais habilitados para atuar como técnicos e pesquisadores, com consciência crítica e que respondam aos desafios que a sociedade exige. O perfil do profissional licenciado em Ciências Agrárias atenderá à formação técnica adequada para o exercício da docência nas escolas do campo, com domínio de metodologias pedagógicas que permitam a aplicação dos conhecimentos em diferentes níveis de ensino.

A área de atuação desse profissional vai do Ensino Fundamental ao Médio, especialmente em escolas com formação em alternância. No âmbito da pesquisa poderá desenvolver atividades em universidades, faculdades e institutos públicos e privados. Poderá também atuar como profissional liberal, por meio de assessorias e consultorias para instituições públicas, empresariais e políticas.

ASCOM-UEAP

Keila Rebelo
Assessora de Comunicação – Universidade do Estado do Amapá (Ueap)

PÁSCOA, EM NÓS E SEMPRE

* Randolfe Rodrigues. Senador, Historiador, Bacharel em Direito, Mestre em Políticas Públicas pela UECE.

A semana que termina nos impõe a necessidade de meditar sobre o sentido da existência.   É por isso que tem um valor universal que ultrapassa os limites da religiosidade cristã.    É o sentido da renascença, da ressurreição.
É assim que diz o meu querido amigo Chico Alencar, que aqui faço
questão de reproduzir: Santa não é uma semana ou alguns dias, marcos da inventada cronologia. Sagrada é toda a existência, sempre: tudo o que pulsa, tudo o que vibra, tudo o que chora e canta, tudo o que viceja e floresce, tudo o que é húmus/humano, tudo o que é Terra. Cosmos Terra, parte da natureza, hoje tão ameaçada como nós, suas partículas. Somos solidão, desencanto, angústia e morte, e somos também possibilidade de ressurreição.  Como indivíduos, como grupos, inclusive políticos, como
civilização?.
Um humano quando gasta seu capital energético, envelhece e morre.   Nos próximos dez bilhões de anos o sol terá exaurido seu estoque de hidrogênio e em seguida de hélio, morrerá como estrela brilhante.
Lentamente será transformada em um buraco negro.   Morrerá carregando consigo muito antes, todo o sistema solar e a nossa Terra.    O universo é movido por estas leis, ditas entrópicas.    Tudo um dia vai desaparecer.
O cristianismo nos oferece uma importante contribuição para a caminhada humana no planeta.  A dialética vida-morte-ressurreição é presente em todos os momentos da nossa trajetória.   À materialidade humana tem uma saudável dimensão sagrada, somos seres em constante formação, em processo continuado de humanização, somos feitos de acertos, erros, ensaios, vitórias, derrotas.   A vida tem valor e nós só temos valor diante da vida!   Ou seja, a Vida é sopro de beleza.   É o maior patrimônio que se recebe.   Ela é necessariamente produção conjunta, social.   Nós somos o resultado da relação com outras tantas pessoas.
A morte é a negação da vida.   O maior pecado do mundo atual é a
produção em série de egoísmos.   Os tempos globais de neoliberalismo move-se pelo individualismo e pela concorrência.    A solidariedade não tem vez.    Não seria este um dos sintomas do esgotamento do atual sistema social?     Seria uma crise conjuntural ou seria estrutural que prepara o desenlace final.
A palavra crise tem a dupla perspectiva de morte e vida.    Crise vem
de kir ou krl, que significa limpar e purificar.   Daí deriva a palavra
crisol, elemento químico purificador do ouro e outros metais, ou
acrisolar, que quer dizer purificar e depurar.   Todo processo de
purificação implica morte e renascimento.   Tudo que passa pela crise
permanece e tem essências que fundam um novo futuro.
A páscoa, em qualquer das religiões monoteístas, busca o mesmo
significado: a morte não tem a palavra final.   Ela é uma das fases do
ciclo dialético, que nos afirma que tudo no mundo muda, nada mais
sugestivo para nós e para o Amapá, hoje.
Por isso tenho fé e crença, na crise, na ressurreição, na Páscoa, na
passagem da morte para a vida, na utopia que insiste em ser teimosa, no sentido revolucionário que tem o Amor.   Nas possibilidades transcendentais da humanidade de construir um mundo novo.

CICLO DO MARABAIXO COMEÇA NESTE DOMINGO NO LAGUINHO

Começa neste domingo, 24, no bairro Laguinho, o Ciclo do Marabaixo 2011, na casa da Tia Biló, marcando os festejos em homenagem à Santíssima Trindade e  Divino Espírito Santo.Homenageados há mais de duzentos anos por família amapaenses, os santos são festejados dentro da religião católica mas com o costume brasileiro de incluir  o lúdico, unindo às ladainhas e missa, rodadas de marabaixo e bailes dançantes. A programação inicia no Domingo de Páscoa e se prolonga até o Domingo do Senhor, após Corpus Crhisti, no dia 26 de julho. Constam ainda nos  festejos,  o corte dos mastros nas matas do Curiaú, levantar e derrubada dos mesmos com a participação de devotos, estudiosos e população em geral.

No Laguinho, local escolhido pela família de Mestre Julião Ramos para morar após a mudança das famílias que iniciaram o povoamento de Macapá do Centro, a bisneta Danniela Ramos dá continuidade à tradição. Ela preside a Associação Cultural Raimundo Ladislau que reúne mais de 100 integrantes de todas as idades comprometidos em não deixar a cultura amapaense se perder no tempo. Sob o comando da Tia Biló, única filha viva de Julião Ramos, ela e outros familiares e amigos se reúnem para organizar a festa que se eterniza com empenho e persistência da família Ramos.

Neste domingo o Marabaixo da Ressurreição começa às 17:00, e a programação continua no dia 28 de maio com o corte dos mastros no Curiaú. Será distribuído caldo e gengibirra para os participantes.

Programação:

24/04/2011——— 17:00h – DOMINGO DE PÁSCOA: MARABAIXO DA RESSURREIÇÃO -1º MARABAIXO.

28/05/2011——— 09:00h – SÁBADO DO MASTRO:  CORTE DO MASTRO NO CURIAÚ.

29/05/2011——— 10:00h – DOMINGO DO MASTRO: 2º MARABAIXO. Até meia noite.

01/06/2011——— 17:00h – QUARTA-FEIRA DA MURTA DO DIVINO ESPíRITO SANTO: 3º MARABAIXO (Até o amanhecer do dia 02/06-QUINTA-FEIRA DA HORA: Levantação do Mastro do Divino Espírito Santo).

02/06/2011——— 21:00h – 1º BAILE DOS SÓCIOS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

03/06/2011——— 19:00h – INÍCIO DAS NOVENAS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

10/06/2011——— 19:00h – INÍCIO DAS NOVENAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

11/06/2010——— 21:00h – 2º BAILE DOS SÓCIOS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

12/06/2011——– 07:00h – DOMINGO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO- missa na Igreja de São Benedito, após a missa café da manhã na casa dA festeira;

16:00h – MURTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE: 4º MARABAIXO (até o amanhecer do dia 13/06:Levantação do Mastro da Santíssima Trindade).

13/06/2011——– 21:00h – 1º BAILE DOS SÓCIOS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

18/06/2011——– 21:00h – 2º BAILE DOS SÓCIOS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

19/06/2011——– 07:00h – DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE- missa na Igreja de São Benedito, após a missa café da manhã na casa da festeira.

23/06/2011——–20:00h – CORPUS CRHISTI – 5º MARABAIXO

26/06/2011——–17:00 – DOMINGO DO SENHOR – Derrubada dos mastros, escolha dos festeiros do próximo ano e encerramento do Ciclo do Marabaixo 2011.

Texto e Fotos

Mariléia Maciel

Assessora de Comunicação

São Roque

Conheci ontem,  aqui perto de São Paulo, a cidade de São Roque. Bucólica, cheia de vinícolas e roteiro turístico e gastronômico, que tem um belo trabalho do Sebrae, da prefeitura e do governo de SP, na capacitação de mão-de-obra de turismo e gastronomia.

Comprei vários e ótimos espumantes e doces e pastas de fazenda. E colhi caqui no pé.

Passeio bom demais com filho, sogros e cunhados

Um flâneur no meio do mundo

Por Roger Normando. Médico e professor da UFPA

 

Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. (João do Rio)

 

Bem no meio do mundo, no endereço mais fácil do planeta – precisamente na esquina do Rio Amazonas com a linha do equador – fica Macapá (Maca Pichu na língua Waiãpi, de influência Inca, segundo um amigo fonologista). A capital do estado do Amapá, na geografia, corresponde à latitude zero, mas para o compositor Zé Miguel, Macapá fica bem no meio do mundo e lá a vida corre (beeeeeem) devagar.

Por lá também acontecem coisas incríveis que até o fim do mundo (ou começo) duvida. A história que vou contar principia ao ler a página de entrada do blog Flanar, em que está tarjado o conceito de Charles Baudelaire sobre o termo galês flanar: “ver o mundo, estar no centro do mundo, e ficar escondido do mundo….” Maca Pichu tem o simbolismo baudelairiano.

Ao sobrepor estes dois parágrafos, sigo minha prosa no papel de flâneur nos moldes do Rio Sena: perambulando pelas ruas de Maca Pichu a “curiar” a paisagem urbana e o rio-mar.

No sentido norte-sul, mais precisamente na Rua Jovino Dinoá, ao pegado à Cora de Carvalho, andando sobre as soleiras abandonadas numa temperatura equinocial, avistei um mercadinho que exibe uma propaganda no mínimo curiosa: “Mini box Bino – Qualidade altamente mais ou menos”.

A terra de Joãozinho Gomes e Fernando Canto agora empresta poesia à publicidade como jamais imaginaria Washington Olivetto, um dos mais requisitados agentes de propaganda do Brasil. Se Olivetto ler essa propaganda “desenganosa”, certamente ficará mirando o céu à cata de astronautas – como fiquei – e procurará interpretar – como procurei – o que o autor quis dizer com aquela idéia que mistura lealdade com gengibirra. Embasbacado e olhando para o céu, Olivetto não encontrará astronautas, levará um tombo, como ocorreu comigo, e ainda torcerá o tornozelo; ficará com uma sequela que o obrigará a usar uma bota de gesso por seis meses, como quase aconteceu comigo, se não fosse muita reza.

Deixando o paulistano de lado sigamos com a história. Após seis meses transitando de lá pra cá (Belém-Dinoá-Belém), eu resolvi levar dois dedos de prosa com Severino, o dono do estabelecimento. É um tricolor fiel, pois o conheci envergado com sua camisa verde-grená dia após a derrota do Fluminense no Uruguai pela Libertadores da América. Bino, como é conhecido o dono do negócio (e da idéia), disse que no seu mercadinho vende-se de tudo um pouco e um pouco de tudo. O lugar é meio apertado, confessa, pois entre as prateleiras abarrotadas, mal cabe um cliente. Se for gordinho então… Mas Bino guarda um humor contaminante e, provavelmente essa dádiva o motivou a emplacar o texto na lateral de seu negócio, em letras garrafais, mas em cores rubro-negras, que acabou virando motivo para contemplação de curiosos flâneurs. Apaixonado pela vida universal, Severino entra na mídia da ética como num imenso reservatório de humildade, quebrando o paradigma da propaganda enganosa – daí o regozijo baudeleiriano.

Para Bino mando muita luz; para Washington Olivetto mando flores e o desejo de melhoras para que se recupere mais rápido do quebranto lançado por seu mais novo algoz, o mesmo quebranto que de mim foi espantado ao passar no tornozelo bálsamo de andiroba com copaíba, cabacinha, cânfora, sebo de carneiro… e muita reza.