
Por Renato Flexa
A pouco mais de dois meses para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, o governador Clécio Luís chega ao período pré-eleitoral com um dos principais ativos para sustentar a candidatura à reeleição: resultados administrativos aliados a um amplo arco de alianças políticas. Levantamento do G1 Amapá, divulgado na terça-feira (22), mostra que o chefe do Executivo cumpriu integralmente 19 das 34 promessas apresentadas na campanha de 2022 e avançou parcialmente em outras 12. O índice representa 91,17 por cento dos compromissos cumpridos ou em execução após três anos e meio de gestão.
O monitoramento considera o período entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026. Nesse intervalo, apenas três promessas ainda não tiveram execução. O desempenho alcança áreas como saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, cultura, habitação, assistência social, esporte, turismo, administração pública e desenvolvimento econômico.
Na saúde, o governo transformou a Unidade Mista de Saúde de Tartarugalzinho em hospital de pequeno porte, entregou o Hospital Regional de Porto Grande e implantou a Carreta da Saúde Delas, responsável por mais de 160 mil atendimentos. O levantamento também considera parcialmente cumpridas as obras do novo Hospital de Emergências de Macapá, da Unidade de Pronto Atendimento da Zona Oeste e o programa Zera Fila, em razão do estágio de execução.
Na segurança pública, a gestão criou o Instituto de Ensino de Segurança Pública do Estado do Amapá, antigo Aifa, assegurou recursos permanentes para projetos sociais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros por meio do Plano Plurianual, fortaleceu ações de prevenção nas escolas com o Escola Segura e implantou o Programa de Saúde e Combate à Violência nas Escolas.
Na educação, o Projeto Afrocientista passou a conceder bolsas de iniciação científica e o Centro Danielle Mitterrand ampliou vagas após reestruturação administrativa. Na infraestrutura, o governo entregou o Terminal Hidroviário de Santana, retomou investimentos em rodovias estaduais, iniciou a pavimentação da AP 160 e avançou na implantação da Rodovia do Goiabal.
Na cultura, ampliou editais para novos segmentos artísticos, retomou a Folia Literária Internacional do Amapá, criou calendário cultural permanente para a juventude e inaugurou o Parque Residência Governador Janary Gentil Nunes. Também realizou concurso para oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, criou a Secretaria Extraordinária Colegiada dos Povos Indígenas, lançou o programa Habilita Amapá e promoveu milhares de progressões funcionais.
Outro marco ocorreu em fevereiro de 2025, quando o estado recebeu oficialmente as glebas transferidas pela União, em ato com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A medida encerrou uma discussão histórica sobre o patrimônio territorial do Amapá e abriu caminho para novos investimentos públicos e privados.
Ao longo do mandato, essa articulação contribuiu para a transferência das glebas da União ao Estado, para a ampliação dos investimentos em infraestrutura, saúde, habitação e assistência social e para a consolidação de parcerias entre o Governo do Estado e o Governo Federal.
Entre os compromissos cumpridos também aparecem a entrega de mil moradias no Residencial Miracema, a retomada da Expofeira Agropecuária após quase uma década, a criação do programa Habilita Amapá, a implantação do vale gás dentro do programa Amapá Sem Fome, o pagamento da parcela adicional do Amapá Jovem, a criação da linha de crédito Empreendedor Digital e a modernização da legislação tributária estadual.
Na assistência social, o programa Conta Paga ampliou o número de famílias beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica. O governo também fortaleceu políticas públicas voltadas aos povos indígenas, ao empreendedorismo, à juventude e à regularização fundiária.
Mesmo nos compromissos classificados como parcialmente cumpridos, o levantamento identifica obras e políticas públicas em andamento, como o novo Hospital de Emergências de Macapá, a Unidade de Pronto Atendimento da Zona Oeste, o Centro Multiuso Aldeia da Paz, a pavimentação da AP 160, a Rodovia AP 360, conhecida como Rodovia do Goiabal, a recuperação do Macapá Hotel e a construção do futuro Centro de Convenções.
Aliança forte
Além dos resultados administrativos, Clécio Luís entra na disputa eleitoral respaldado por uma das maiores articulações políticas já formadas no estado. O governador reúne o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, do líder do Governo Federal no Senado, senador Randolfe Rodrigues, candidato à reeleição, do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, da presidente da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), deputada Alliny Serrão, candidata ao Senado, do União Brasil, da maioria dos deputados federais, da maioria dos deputados estaduais e de 15 prefeitos amapaenses.
Essa composição amplia a capacidade de interlocução do Governo do Estado junto ao Congresso Nacional, ao Governo Federal e aos principais espaços de decisão política do país. O alinhamento institucional fortalece a captação de recursos, a execução de investimentos estruturantes e a continuidade de projetos estratégicos para o desenvolvimento do Amapá.
O levantamento do G1 mostra que, dos 34 compromissos assumidos durante a campanha de 2022, 19 foram integralmente cumpridos, 12 alcançaram execução parcial e apenas três ainda não tiveram cumprimento até o encerramento do período analisado. O resultado coloca a gestão com 91,17 por cento das promessas cumpridas ou em fase de execução.
Uma escolha fácil
No cenário político, esse desempenho administrativo soma forças a uma base de apoio que reúne os principais atores da política amapaense e nacional. A convergência entre Governo do Estado, Governo Federal, Congresso Nacional, Assembleia Legislativa e grande parte das lideranças municipais cria um ambiente favorável para a continuidade de projetos estruturantes e para a manutenção da capacidade de investimento no estado.
No campo oposto, o cenário descrito no material fornecido aponta que uma eventual candidatura de Antônio Furlan teria uma estrutura política significativamente menor. Conforme o Texto 2, o prefeito de Macapá contaria apenas com o apoio do senador Lucas Barreto, do deputado federal Vinícius Gurgel e do deputado estadual R. Nelson. Ainda segundo o texto, esse grupo não reúne maioria no parlamento estadual, possui baixa capacidade de articulação junto à bancada federal e não dispõe da mesma estrutura política para viabilizar recursos e apoiar grandes projetos estaduais.
Isso somente para falar do campo administrativo. Mas além disso, o ex-prefeito eleito, Antônio Furlan, e do vice-prefeito, Mário Neto, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram afastados dos cargos em março de 2026. A decisão foi proferida no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas relacionadas à construção do Hospital Geral do Município.
Já em maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma milícia digital que, segundo as investigações, desviou mais de R$ 25 milhões dos cofres públicos. Entre os alvos dos mais de 30 mandados de busca e apreensão que teve como alvo políticos, influenciadores, jornalistas, ex-secretários da Prefeitura, uma agência de publicidade e seus sócios.
De acordo com a PF, a milícia digital atua há quatro anos e é financiada com recursos da Prefeitura de Macapá, com o objetivo de promover o ex-prefeito Dr. Furlan (PSD), a esposa dele e atacar adversários.
Portanto, de um lado temos uma gestão que exibe elevado índice de execução de compromissos, segundo levantamento do G1, a uma ampla aliança política que reúne lideranças nacionais, estaduais e municipais. Esse conjunto de fatores fortalece o projeto de reeleição de Clécio Luís e coloca o governador em posição competitiva para a disputa de 2026. Do outro, a inaptidão política, suspeitas de corrupção com investigações em curso e isolamento institucional. Ou seja, uma escolha muito fácil.
*Renato Flexa é analista político e jornalista amapaense.*
*Fonte: G1 Amapá*
https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2026/07/22/promessas-de-clecio-luis-governador-do-amapa.ghtml
