Retorno do isolamento social e saúde mental na transição: Enxergar o outro lado e nossa jornada evolutiva

*Renata Ferraz. Psicologa Clínica. 

Ao longo da vida   são frequentes os desafios que precisamos superar, seja na vida profissional ou pessoal. Sempre que conseguimos vencer um obstáculo e alcançarmos o objetivo almejado, logo surge outro, para nos lembra r que a existência humana é sempre repleta destas provocações, que servem para nos fortalecer diante das adversidades. Desenvolver esta consciência nos ajuda a entender que a vida é um ciclo repleto de desafios a serem superados, cuja a aceitação dos momentos difíceis, assim como as mudanças oriundas destes servem de aprendizado, contribuindo para o amadurecimento emocional durante nossa trajetória.

A vida de cada um de nós, antes da pandemia, seguia uma rotina de repetições mecanizadas que de repente mudou. O mundo virtual foi instalado em nosso cotidiano do dia para noite, tanto para os que o dominam, quanto para os que não estavam habituados a ele.  Passamos a trabalhar de forma diferente, crianças a ter aulas em casa, rotinas foram alteradas e adaptar-se a tudo isso de forma imediata é algo muito difícil, requer de nós uma verdadeira prova de resistência.

Bem como, a aquisição de novos hábitos e comportamentos orientados pelas autoridades em saúde pública, que devem ser adotadas como práticas habituais em prol de um grande esforço civilizatório, e que precisam ser encarados como um problema de consciência coletiva que demandam mudanças permanentes.

Precisamos absorver a ideia que o mundo anterior “normal”, no qual estávamos imersos em nossas rotinas, não existe mais. Portanto, para viver esse “novo normal” que surgirá após nosso retorno do isolamento social, se faz necessário cuidar da nossa saúde mental durante esse período de transição. São tantas as variáveis de como será esse “mundo pós pandemia”, que qualquer previsão finda frustrada. A única certeza está no desafio que a humanidade terá ao aceitar as incertezas e acolher as transformações advindas. 

Diante de tudo isso, devemos ter a crença de que a esperança nos conecta ao futuro de redescobertas, de grandes inspirações e criações. Desta forma: planejar, sonhar, buscar objetivos e traçar novas metas são recursos internos importantes para nos tornarmos seres fortes, resilientes e preparados. Capazes de aprender com as experiências negativas, e até mesmo as positivas, a fim de seguir em frente em nossa jornada evolutiva.

Durante a evolução social e biológica do mundo constatou-se que o ser humano é bastante flexível e consegue lidar bem com adaptações de estresses , porém ele não é capaz de tolerar a quebra da homeostase por grandes períodos, sem que haja algum tipo de adoecimento físico ou psíquico. Portanto, sentir-se mal diante da ruptura do padrão anterior de vida e a incerteza de um desconhecido cenário atual é compreensível e até inevitável, assim como, a vivência de outros sintomas emocionais. 

Contudo, mesmo diante de um cenário caótico, não podemos permitir nosso desmoronamento psíquico que podem desencadear patologias, como: cansaço extremo, desânimo recorrente, preocupação e ansiedade excessiva, inquietude, tédio persistente e pensamentos negativos/mórbidos. Contar com o apoio psicológico e/ou psiquiátrico ajudam a diferenciar o que são crenças limitantes irreais, dos medos saudáveis que nos protegem, conciliando o mundo interno com o mundo externo de uma forma saudável.

A desestruturação dos comportamentos e a ação aniquiladora das certezas, trazidas pela COVID-19, deixarão marcas em toda a humanidade. Sendo assim, encarar as transformações de frente, sustentar e dialogar com suas emoções e desconfortos internos, sem se identificar com eles e sem negar o que sente, são dicas preciosas para manter o equilíbrio psíquico.

Cada situação vivenciada contribui para um aprendizado de vida, quando enxergamos o outro lado, por mais difícil de seja. Enfrentar as muitas realidades impostas pós pandemia será um desafio, uma excelente oportunidade de ressignificação. É tempo de cultivarmos a afetividade e empatia, o simples, a inventividade improvisada e inusitada em contramão do ultra tecnológico artificial. A vida nos espera depois da pandemia, novos tempos, novas chances de nos reinventarmos em todos os contextos de atuação descobrindo novos empoderamentos pessoais. Devemos adotar então, como nossa meta principal a transformação do “Novo Normal” em um “Novo Melhor”.

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  • Me peguei refletindo várias vezes em relação ao isolamento, e quando isso passar, vamos tirar isso como aprendizado. Consegui transformar parte dessa angústia em gratidão. Gratidão por estar com saúde em meio a um caos, ter uma casa, poder estar com meus pais, entre milhões de coisas que sou grata. Também estou rezando muito e fazendo o que posso para ajudar aqueles que estão doentes, perderam parentes, empregos e não tem comida na mesa. No fim isso vai passar!!!!

    • Estou do mesmo jeito. Grata pela saúde, pela casa, pela família e procurando ajudar quem precisa

    • Gratidão é a aceitação e o despertar da consciência. E aceitação é o acolhimento das emoções para pensar o que podemos fazer com isso. Quando aceitamos as emoções e as compreendemos, podemos entrar no modo de resolução de problemas.

    • Gratidão é a aceitação e o despertar da consciência. E aceitação é o acolhimento das emoções para pensar o que podemos fazer com isso. Quando aceitamos as emoções e as compreendemos, podemos entrar no modo de resolução de problemas e assim enfrentarmos qualquer situação aversiva.

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