Relato de Viagem

E vamos acompanhando a viagem de moto do juiz Luciano Assis, pela Europa.

CONTINUAÇÃO:

Como foi que retornei? Essa outra história…

Pois é, fiquei para trás. Não sabendo qual a cidade-destino do dia, nem mesmo o hotel, segui em frente até Blankenburg, próxima cidade escolhida entre as duas opções das placas, certo de que me esperariam na entrada dela (tal como fiz à espera do companheiro). A chance de errar de 50/50, então…

Palpite errado. Totalmente perdido, sem lenço e sem documento (literalmente, lembram-se?), comecei a me preocupar. Afinal, a Alemanha está unificada, mas a polícia do lado oriental eu não tenho tanta certeza, acredito que ainda tenha algum ranço da guerra fria. Pensei: se a polícia me abordar, como eu iria justificar (com o meu inglês sofrível) que estava perdido, não tinha documentos da moto, não sabia qual a cidade e o hotel em que estavam hospedados os meus parceiros, sem passaporte, sem sorte, sem destino… Enfim, eu estava em maus lençóis.

Como sou brasileiro “e não desisto nunca” fui a uma praça cheia de jovens (ninguém assistia ou esperava o jogo do Brasil, estavam mesmo era curtindo o por do sol) e abordei um grupo de jovens, um deles com a camiseta do Iron Maiden. Ah, foi batata!!! A linguagem universal do rock resolveu o meu problema. Contei a eles que também gostava do Iron Maiden, e que era uma das bandas preferidas da minha época, que já havia assistido ao show dela, isso nos idos de 1985, no Rock In Rio. Senti-me um ancião contando histórias a uma criança. O certo é que aquela turma, já entrosada comigo, guiou-me até um cybercafé. De lá, alguns minutos de MSN e passados e-mails de que estava perdido (meu celular ainda estava bloqueado para ligações – a Vivo exige desbloqueio, a TIM não), o alerta de que eu estava numa enrascada tinha sido dado. Era só esperar as informações (aquelas que deveriam andar permanentemente comigo).

Já empolgado com a situação de desespero (incrível, quanto mais enrolado, mais eu me divirto), enquanto a ajuda não vinha fui para a rua prosear com alguém (isso mesmo, a cara-de-pau já estava incrustrada). Conheci o Klaus, um alemão gente fina, tipo faz-de-tudo, que estava consertando a parede da casa dele, enquanto a esposa assistia lá do alto da janela. Depois das apresentações, ele me cedeu o celular e fiz um “0800” pra minha amada Karla, aí no Brasil.

Conclusão: a cidade destino era Quedlinburg, cidade medieval, um dos maiores momumentos da Alemanha, tombada pela Unesco. Achei a turma fácil, fácil. Lógico, num barzinho coincidentemente chamado “Doctor Bier”, onde todos assistiam ao primeiro jogo do Brasil na Copa. Participei do bolão e, claro, perdi a aposta. Não era o meu dia… Agora, já escaldado, fotografei o guia com o nome da próxima cidade: Berlim…

Mas o trajeto dessa viagem quase desastrosa foi interessante. Passamos pelo Alpha Point, marco histórico da Alemanha ainda dividida, um ponto de observação do período da guerra-fria (o Google tem muitas histórias a respeito), meio sinistro. Hoje é só memorial, mas…

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NOTA DA KARLA: O Ponto Alpha era um dos quatro postos de observação dos Estados Unidos ao longo da fronteira interna alemã, construído e utilizado no período da Guerra Fria, como disse o Luciano, situado entre Rasdorf, no Estado de Hesse (Alemanha Ocidental) e Geisa, na Turquia (Alemanha Oriental). Deste posto, agentes ocidentais vigiavam o vale de Fulda, uma das vias principais de uma potencial invasão da Europa Ocidental por parte da União Soviética. O posto está no alto de uma colina de 411 m de altitude e permitia ver todo o vale e captar as transmissões de rádio dos soviéticos. Em caso de invasão iminente, a guarnição do Ponto Alpha seria evacuada e o campo de batalha previsto era alguns quilometros a oeste.

Luciano Assis

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