Política: respeito acima da disputa. Nosso papel na evolução da prática eleitoral

*Rafael Pontes. Professor-doutor e secretário de estado de Ciência e Tecnologia 

 

 

A retomada do período eleitoral trouxe uma boa lembrança da campanha de 2018, que se transformou em experiência de vida.

Em 2018, fui candidato a deputado federal pelo PDT e concorria numa coligação extremamente forte e qualificada, além de ter um concorrente direto e amigo da mesma geração de enorme potencial técnico e extrema habilidade política, Teles Júnior.

A disputa e o diálogo entre eu e Teles iniciou bem antes da campanha e do período pré-eleitoral, quando conversávamos e analisávamos uma possível candidatura minha a reitor da unifap em 2018, até a decisão de que ambos seríamos candidatos a deputado federal.

Faço essa lembrança com saudosismo e a lembrança de um período de muito aprendizado durante as conversas, debates, discussões, ríspidas por muitas vezes, mas sempre com respeito, embora fôssemos adversários no pleito político.

O respeito foi a marcar nessa disputa. Sabíamos, eu e Teles, que ali estava o desejo individual de realizar o sonho de conquistar êxito na eleição e representar o Amapá, mas também sabíamos que sendo ele ou eu eleito, o Amapá estaria bem representado.

E essa construção até a decisão de sermos candidatos, por muitos momentos, precisou ser mediada.

Lembro dos amigos, e aqui posso destacar, entre muitos outros, Alcilene Cavalcante, João Paulo, Lucas Barreto, minha esposa Jade e o governador Waldez, que intermediaram a possibilidade de uma aliança entre nós.

Mas decidimos disputar. E aprendemos muito. Sobre o Amapá, sobre política, mas principalmente sobre relações pessoais e respeito mútuo. Teles foi muito bem votado, e eu também fiquei muito satisfeito com minha votação. Ambos saímos vitoriosos e ainda mais maduros, capacitados e dispostos a contribuir com o Amapá. Além de ter consolidado ainda mais a amizade, o respeito e admiração, mútua.

E este é o intuito deste texto, embora não tenhamos sido eleitos naquele ano, fica a mensagem e o intuito de que campanhas eleitorais, redes sociais, disputas, competições, ser adversários, não precisam se configurar na pregação do ódio e no desrespeito.

Fica a mensagem que é possível, sim, você disputar uma campanha eleitoral, uma partida de futebol ou ser competitivo em qualquer outra atividade profissional e preservar o respeito e a admiração, compartilhar e cooperar, como aconteceu entre Teles e eu.

Para o período eleitoral que se inicia, desejo que seja uma eleição respeitosa, equilibrada, qualificada, com propósitos coletivos e que os candidatos de 2020 foquem em projetos e políticas públicas, que vislumbrem qualidade de vida à população nos 16 municípios do Amapá.

E que independente do resultado, aprendam e se qualifiquem.

Só não vale desrespeito, ataques, fake news e destruir amizades.

  • Não conheço pessoalmente nenhum dos dois, mas conheci pessoalmente o dr. Teles, desde os tempos de estudante, e o Lima, da CEA, meu contemporâneo de trabalho. Por essa ascensão, o que dizem reflete a verdade que seria dita por seus pais. Grandes jovens amapaenses!

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