Para além do PDSA

Por Marcos Chagas, Doutor em Gestão Ambiental e Sustentabilidade

Entre tapas e beijos o PDSA colocou o Amapá no foco da curiosidade da intelligentsia ambientalista nacional e internacional, afinal o discurso encaixou perfeitamente no momento em que a Amazônia se inseria no cenário das preocupações ambientais globais e recebia vultosos recursos de cooperação internacional para o fortalecimento da gestão ambiental.

O PDSA tornou-se a “marca do zorro” do governo Capiberibe. Esse mesmo fenômeno ocorreu no Acre com o “Governo da Floresta” na gestão de Jorge Viana e com o Amazonas com a “Zona Franca Verde”, no governo Eduardo Braga. Todos bem sucedidos enquanto marketing político de governo, mas com lições aprendidas ainda não compartilhadas.

A crise de novas ideais pela sustentabilidade remete os governos eleitos a reviver as teses do “desenvolvimento econômico” traduzido em esperança para a solução imediata de todos os problemas que afligem a sociedade. Celso Furtado, o mais brilhante economista da história deste país, após a vida inteira pesquisando o desenvolvimento ou as causas de sua falta na América Latina, concluiu que o desenvolvimento é uma ilusão ou um simples mito. Para Furtado, o apelo desenvolvimentista tem sido usado para desviar as atenções dos países periféricos das ações simples de identificação das necessidades fundamentais da sociedade. Não se pode desconsiderar, entretanto, que os mitos exercem grande influência sobre as mentes humanas.

O Nobel de economia de 1998, Amartya Sen, incrédulo do Produto Interno Bruto – PIB como indicador “cego” para medir o desenvolvimento, trouxe a dimensão humana para o debate sobre “desenvolvimento como liberdade”. Dos estudos de Amartya Sen foi idealizado o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH como um novo instrumento de aferição do desenvolvimento e logo adotado pelo Programa das Nações Unidas – PNUD nos Relatórios sobre Desenvolvimento Humano das Nações.

Tanto o PIB quanto o IDH passaram a ser questionados enquanto medida do desenvolvimento, pois um novo ramo conhecido como “economia da felicidade” subverteu a ordem do “quanto” pelo “como”, incorporando novos adjetivos para o termo desenvolvimento, como sustentável e includente.

Os desafios do século XXI migraram do campo dos números da economia desenvolvimentista para a busca de novas ideias que possam enfrentar a crise das preocupações intergeracionais, como uma corrida de repasse de bastão, onde o fracasso de um leva a derrota de todos, incluindo aí o papel dos governos, das empresas e da sociedade.

O significado da percepção do conceito de desenvolvimento sustentável traduz, a meu ver, as dificuldade que teve o PDSA enquanto política de governo no Amapá. A sustentabilidade não é um conceito operacional e sim político-normativo. Não cabe a ansiedade dos governos em desvendar o enigma da sustentabilidade com ações limitadas pelas amarras da administração pública e sim construir princípios para garantir a governabilidade política de longo prazo.

  • Vocês tão querendo dizer que este tal PDSA deu certo no amapá? Que isso gente. Votei no Camilo por acreditar que ele pensa diferente do pai. O cara passou pouco menos de 08 anos e nao roubou, mas nao fez nenhum concurso, asfaltou menos que o governo anterior, deu menos atenção ao interior, bagunçou com a educação, nao teve um projeto impactante pra nos deixar saudade, ainda me vem com essa onda de saudosismo do PDSA, enterra isso meu, vamos mudar com camilo 40.

    • Ao meu ver, o grande mérito da Gestão João Alberto Capiberibe, foi a política de preservação das florestas. O resto ficou a desejar…

    • Slogam da harmonia: Pés no presente, olho no futuro(dos meus parentes, é claro), O que é bom tem que continuar: (A corrupção desmedida e a ladroagem desenfreada, descoberta pela operação Mãos Limpas). O resto é chororô de derrotado, que não assimilou ainda os quase 24 mil votos de diferença…

  • Meu caro Marcos, eu sou Economista e Mestre em Economia. O PDSA é o simbolo do atraso que vivemos em nosso Estado. Espero que o Camilo passe bem longe dessa linha, pro bem do nosso Amapá.

  • Ja dei uma lida sobre… Indice da Falicidade j’a foi motivo de varios artigos, entrevistas e editorial de revista nacionais. Concordo! O olhar apenas pelo dinheiro e apenas por estruturas sociais n’ao ‘e o suficiente para avaliar a qualidade de vida de um povo!

  • Se o PDSA era ou é tão revolucionário assim, p q o psb não levantou essa bandeira na campanha de 2010? (acho que já sabemos a resposta)!?.

  • Professor, penso que levantaste um tema interessantíssimo. Estou lendo ultimamente textos e obras sobre a filoofia do UTILITARISMO, onde a questão da felicidade é defendida com muita razão. Tentemos aprender um pouco sobre o utilitarismo e talvez percebamos quão importante suas teses e a felicidade.

  • Engraçado, parece que entre 2002 e 2010 não existiu governo, apenas um vácuo, sem qualquer importância. O professor Marcos, no seu “brilhante”artigo, com suas garras afiadas, deixa de lado o pesadelo de oito anos de Waldez, mergulha fundo no passado na tentativa de minimizar o resurgimento da liderança de Capi e de suasa idéias inovadoras, sua tentativa de queimar termina tendo efeito contrario, a memória populara não é tão curta asssim, depois do PDSA aconteceu um tshunami político no Amapá. Na verdade a vitória dos Capiberibes se deve a suas posições políticas de vanguarda, doa a quem doer.

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