Padre Aldenor: a rebeldia segundo às leis de Deus

Professor Aldenor. Acervo do curso de Jornalismo da UNIFAP.
O Padre era aquele tipo de professor que, ao entrar na graduação, você já conhecia antes de vê-lo. Era uma lenda e também uma presença. “Tá vendo essas câmeras? Foi o Aldenor que conseguiu aqui pro curso” eram coisas comuns no nosso vocabulário. Ali, ainda no primeiro ano da faculdade, vi minha turma organizar um evento lindo totalmente financiado pelo “Aldenor Projetos e Engenheiria”. Desde a gengibirra com abacaxi com shot a um real, até a carona depois do sarau, na carroceria daquele carro branco que era a marca dele. E que anos mais tarde, entre uma risada e uma explicação, quando a formatura já era um sonho mais concreto, soltou um “eu dou a placa de formatura de vocês, mas só se vocês colocarem o meu nome como o nome da turma”. Aldenor e suas negociações, que aliviaram várias vezes os meus picos de raiva e indignação dentro da UNIFAP. Não havia naquele mundo algo que não pudesse ser resolvido pelo padre, fosse na diplomacia ou na reza. Aliás, se o professor tivesse sumido, era só procurá-lo na missa das 18h. E eu, que nem orar o terço sei, criei até simpatia pela coisa.
Quando ele veio pra reitor, lotamos a sala de reuniões da coordenação com tanto aluno, que não dava para fechar a porta. Não levamos as eleições, mas duvido que os outros candidatos tenham alimentado tão bem as suas equipes. Qualquer coisa era um motivo para uma panela de mingau de milho.
O meu leve ceticismo e total desconhecimento sobre a cultura católica sempre foram motivos de piadas pra ele, que logo de início, passou a me chamar de encosto. Não é pra menos, o procurava uma a duas vezes por semana para resolver um BO da turma 2016. E os BOs que ele mesmo arrumava pra mim, como me fazer dançar na frente da reitora. Não negar um favor a um padre deve ser um desses mandamentos bíblicos do livro que eu nunca li, mas ele falava.
Mas meu carinho pelo Padre Aldenor vinha da admiração que tenho pela rebeldia genuína desse homem. Uma desobediência segundo às leis de Deus, tão correta e transgressora que fazia pequenas revoluções a cada aula ou a cada sermão. E garanto que isso foi o que mais aprendi com ele, aprendi para ensinar a ser assim, também. Vai ser esquisito passar pela Rádio Universitária e não lhe ver. E não poder dizer “ei, Aldenor, tu tens que ver Fleabag, tem um padre lá que é doido que nem tu kkkk”. Que vazio imenso deixaste naquele curso, curso esse que também era um filho pra ti. E eu, como filha do curso de jornalismo, sinto a perda do pai daquela graduação.
Em nome da 2016, a turma que prometeste a placa, posso dizer que talvez a placa nem saia, mas que o seu nome vai ser levado com a gente para além do histórico acadêmico. Que Deus lhe receba de braços abertos e risadas sonoras. Faça a festa na casa dele, que também é tua, sempre foi. Os “encostos” do lado daqui vão sempre orar por ti.
Da sua eterna aluna, Luiza Nobre.
  • Uma grande perda para todos nós . Padre Aldenor professava os melhores e mais compreensíveis sermões e suas celebrações eucarística eram sempre cheias de alegria e fé. “O Senhor vai nos fazer muita falta Padre Aldenor”. Descanse em paz.

  • Que lindo texto nesse momento f*oda, Luiza. Padre Aldenor nunca foi um ser humano. Chame-o de lenda, mito, excelência, divindade. Era um espírito à parte que tivemos a honra de conhecer.

  • Conheci o padre quando foi fazer um testedrave numa Ranger ,trabalhava na Moseli e de cara gostei dele, era um ser humano incrível, falamos de Deus e nossas religiões e ele falou voce nao vai me converter, eu creio na obra do Espírito Santo boa viagem padre

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