O Pantanal queima. Qual o valor da vida de tantas espécies?

*Laura Machado. Jornalista 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando pensamos em meio ambiente automaticamente nos vem à cabeça natureza, florestas frondosas, animais exuberantes e raros, água em abundância e afins. Mas quando se trata disso, nós enquanto seres humanos, também podemos ser entendidos como meio ambiente, assim como o espaço em que vivemos e os objetos que utilizamos diariamente, tudo é meio ambiente. Ou seja, as ações praticadas voluntária ou involuntariamente refletem no outro de forma significativa.
Nesse sentido, o crescimento ou não dessas duas formas de vida caminham lado a lado, de modo que se uma delas sofre determinada alteração, influenciará na outra. E a partir do desequilíbrio entre o homem e a natureza surgiu a crise ecológica, evento esse que gerou uma série de danos ambientais, afetando os recursos naturais e colocando em risco a vida dos seres humanos. Partindo dessa premissa e da relação inseparável do homem com a natureza, percebe-se ao longo do tempo o crescimento constante no número de desastres que prejudicam ainda mais o desenvolvimento da biosfera.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no dia 16 de setembro de 2020, o Pantanal brasileiro alcançou a marca de 15.756 focos de incêndio somente nesse ano. Além da vegetação nativa que foi destruída, 36 das milhares de espécies de animais que ali vivem, estão ameaçadas de extinção. Estima-se que pelo menos 1.000 animais já morreram desde o início das queimadas.
Se for contabilizado todas as vidas perdidas em catástrofes ambientais, o número certamente ultrapassará a casa do milhão, pois muito embora não se considere a perda da vegetação nativa e dos animais, para o ecossistema existente na região, essas mortes são irreparáveis. Sendo assim, a partir da retirada desses componentes, a natureza precisa se readaptar para continuar existindo e, a forma dela responder a esses enfrentamentos pode variar de acordo com o grau de seriedade.
Qual o valor da vida de outras espécies? E quem é responsável por fazer essa distinção? É importante perceber como somos influenciados desde o nosso nascimento pela cultura que nos cerca e apesar de estarmos no centro da Amazônia, o instinto de proteção parece não fazer parte dos nossos costumes, o que explica todos os desastres envolvendo a natureza e principalmente o esgotamento de recursos naturais. Ainda que estejamos caminhando para um futuro incerto, aos poucos, parte da população já começa a olhar com mais cuidado para aquilo que antes era considerado coisa de “naturalista”.
Cuidar de si também é cuidar do outro, mas por que não cuidar dos dois? Afinal, não existe sustentabilidade sem pensar o meio ambiente, e sendo meio ambiente tudo aquilo que o homem é e produz, torna-se indissociável tomar partido de uma batalha onde não existe inimigos, mas sim aliados na transformação e evolução do ecossistema.

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