O Amapá e sua eterna dependência da aviação comercial

Por José Aparecido Ribeiro – Consultor em Assuntos Urbanos

Um Estado inteiro e seus cidadãos estão reféns de duas cias aéreas. Essa é a realidade do Amapá, cuja população soma quase 700 mil habitantes em 16 municípios, sendo que 500 mil vivem em Macapá e Santana. Todos dependem do avião para se conectarem ao mundo. Porém, poucos conseguem – nesta época do ano – sair de Macapá rumo a Belém do Pará, que é a Capital mais próxima e rota obrigatória de aviões comerciais. Embora a aviação seja algo estratégico, e que não deveria se submeter às leis de mercado, no Amapá, as duas únicas cias aéreas que possuem concessão do governo para voarem cobram o que querem, colocam o número de voos que elas acham conveniente e ninguém pode contrariá-las. Para quem não sabe, o Amapá é cercado de um lado pela densa e impenetrável Floresta Amazônica, e do outro, pelo gigante Rio Amazonas, além de um labirinto de pequenos braços de rios, cuja travessia é perigosa e quase impossível. O braço esquerdo do Delta do Amazonas contorna toda parte oeste, sul, sudeste e leste do Amapá e tem na foz do Rio a Ilha do Marajó do outro lado como vizinha. A  viagem mais curta de barco até Belém leva 24 horas. Uma passagem aérea entre Macapá e Belém, pasmem, está custando nesta época do ano, em média, R$ 1.200 cada perna, ou seja, ida e volta pode chegar a R$ 2,4 mil. Mais caro do que um bilhete São Paulo/Nova York, ida e volta. O mesmo trecho (40 minutos de voo) entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro custa R$ 89.  Entre Curitiba e São Paulo, as mesmas cias aéreas cobram R$ 90. Ambas não escondem o duopólio e cobram tarifas por vezes iguais até nos centavos, saindo de Macapá para qualquer destino do Brasil, em especial para Belém. Se isso não bastasse, nos próximos 15 dias, mesmo que o passageiro queira pagar R$ 1.200 pelo trecho Macapá Belém, ele não vai conseguir. Todos os voos estão lotados. Milhares de cidadãos amapaenses, pobres e ricos, dependem de Belém para tratamentos de saúde, já que o Estado do Amapá tem um dos piores IDHs do País e um sistema de saúde extremamente precário. Eles dependem de Belém também para compras e para o acesso a estradas que lhes permitem conexão ao restante do país por terra, já que o Amapá não possui estradas ligando o Estado ao Pará e nenhum outro destino dentro do Brasil. Ninguém consegue sair do Amapá, se não for de barco, avião ou a nado. Portanto, aviação é algo estratégico, que não deve se sujeitar única e exclusivamente às leis de mercado, cujo único objetivo é o lucro.(combinado, inclusive). Fica o alerta para o MP e para os políticos que ainda se preocupam com os interesses do povo, mesmo sabendo que esses quase não existem mais.

 

  • Adorei o texto. Agora vê se falta passagens aéreas (Brasilia/Macapá/Brasilia e outros destinos) pra esses políticos filhos da #[email protected]”#$&*@#…………………………………………….

    • Verdade,por isto a falta de interesse em brigar por mais cias que sirvam o estado do Amapa.Uma vergonha e um assalto pelas companhias ao bolso do amapaense,pq se houvesse concorrencia, aposto que isto não aconteceria.Sem contar o sufoco que se passa p/embarcar na rodoviária.Rodoviária sim, é como vejo esse tal aeroporto daqui.

  • Caramba !! E eu que pretendia ir a Macapá no final do Mes que vem, vou ter que rever meus planos, Puts ! alem de caro demais o trecho até Belem, ta esgotado as vagas ….Assunto sério, e briga para “Cachorro Grande”!!!
    Ta na hora de nossos politicos, trabalharem de verdade nos bastidores e trazer pra Macapá, Cias Aereas como a Azul por exemplo, que não só tem crescido a passos largos no Brasil, mais tem tido uma postura altamente competitiva.

  • Absurdo o que se paga em um trecho de 40min,práticamente uma ponte aérea Rio/Sampa que é um trecho maior.Politicos nem ai p/povo do Amapá,maioria das pessoas aqui fazem procedimentos médicos lá fora por falta de profissionais aqui.Hospitais e planos de saúde deficiente de profissionais p/atender a demanda,estou há 02 meses tentando consulta c/psiquiatra pelo meu plano e simplesmente o único que tinha deixou de atender o mesmo,pode?.Pessoas de diversas áreas profissionais que viajam quase que diáriamente p/resolver assuntos de trabalho em outros estados.
    Já houvi diversas vezes funcionários da TAM e GOL dizerem que aqui é fim de mundo,final de linha(tenho conhecidos lá no RJ, nestas companhias) e que vários vôos são cancelados, devido a falta de passageiros vindos de outros estados e países p/cá,ou seja,só viajam com aeronaves práticamente lotadas.Então,falta vontade politica p/resolver o problema.Triste!

  • Primeira vez que vejo alguém abordando o assunto, excelente texto e, eu assino embaixo. Não podemos ser reféns de ninguém!

  • Com a palavra os nobres senadores, deputados federais e estaduais,no sentido de mudar esta situação junto à ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil.

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