Marabaxeiras Tia Chiquinha, Tia Venina e Tia Gertrudes são homenageadas com esculturas em Macapá. Preconceito contra as homenagens, mobilizam as redes sociais contra o racismo e a intolerância

No findar de 2020, a prefeitura de Macapá prestou uma homenagem  a três mulheres que representam a nossa maior manifestação cultural: o Marabaixo. São três monumentos com as esculturas, feitas pelos artistas Josaphat, Dekko Matos e J. Márcio, do grupo Urucum,  que esculpiram as marabaixeiras Tia Chiquinha (localizada na entrada da Rodovia do Curiaú), Tia Venina (localizada na esquina da Mãe Luzia com Eliezer Levy, Bairro do Laguinho) e Tia Gertrudes (em frente à escola Municipal Meu Pé de Laranja Lima, no bairro da Santa Rita, antigo bairro da Favela).

As esculturas e os locais em que foram colocadas simbolizam um conceito de territorialidade da cultura tradicional na zona Urbana da nossa cidade do qual Curiaú, Laguinho e Favela são expoentes, respiram e vivem cotidianamente essa manifestação. As homenageadas são figuras históricas que resistiram e superaram todas as adversidades e preconceitos por serem mulheres, que através do amor pela sua arte e ancestralidade, puderam preservar e repassar, às gerações seguintes, toda a vivência e o significado do fazer cultural, religioso e lúdico que cercam as rodas de marabaixo.

As esculturas estão sendo alvo de polêmicas levantadas pelo pastor Gesiel Oliveira, que em postagem em sua redes sociais, que as imagens causam medo nas crianças( se referindo a escultura da Tia Chiquinha) e ressaltou ainda que fazem parte de uma cultura estranha. Esse foi  o pontapé para que inúmeras pessoas se mobilizassem em várias redes  sociais contra a declaração do pastor.  O manifesto condena a atitude e ainda pede a mudança do nome da praça para: Praça da Resistência “Tia Chiquinha”.

 

História das Marabaxeiras

Tia Chiquinha: Dona Francisca Ramos dos Santos, mais conhecida por Tia Chiquinha, teve 11 filhos sendo, que 05 são vivos.

Morava no Quilombo do Curiaú, sua terra de nascimento. Era uma mulher negra muito linda, dançadeira e cantadeira de Marabaixo e batuque. Era a matriarca de uma família de percussionistas autodidatas, dançadeiras e sujeitos viventes e participantes das manifestações culturais de base africana e afrodescendente do Estado do Amapá.

Tia Gertrudes: Filha de Ciriaco Manuel Saturnino e Izabel Maria de Nazareth, única filha mulher de uma família de seis irmãos.  Mulher negra, aguerrida, filha de escravos, nasceu em terras amapaenses, (Macapá), no dia 08 de Dezembro de 1899. Gertrudes foi parteira, ajudando muitas mães a dar à luz aos seus filhos, foi benzedeira e com seu conhecimento sobre as ervas e plantas medicinais, fazia seus remédios caseiros, garrafadas, chás e outros. Gertrudes exerceu importante liderança no Bairro e uma das precursoras .

Tia Venina: Antonia Venina da Silva nasceu em 17 de dezembro de 1909, no quilombo do Curiaú, a sua trajetória de vida foi de muita luta e resistência para manter viva toda sua ancestralidade, esta que repassou para as gerações que a sucederam.  Ela foi mãe de 09 filhos, foi agricultora, rezadeira, dançadeira de batuque e Marabaixo e uma grande curandeira de garganta. Foi uma das referências em pesquisas acadêmicas dentro de sua comunidade. Por toda sua história de vida e legado deixado, no ano de 1997 seu nome foi dado a primeira Associação constituída por mulheres negras do Estado do Amapá: A Associação de Mulheres Mãe Venina, do Quilombo do Curiaú.

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