Macapá não vai jogar fora um futuro promissor por causa de vaidades pessoais

*Casimiro Pacheco Neto – Professor da rede municipal e mestrando em Educação 

Sou um observador da politica do nosso estado do Amapá. Parece que foi ontem que uma grande aliança suprapartidária, acima de sectarismos ideológicos e de vaidades pessoais, foi construída para virar a página mais triste da história do Amapá e aposentar de uma vez José Sarney. Bom, na verdade foi ontem: 2014 não está tão longe assim e as memórias daquela eleição são bem vívidas nos corações e mentes de todos os amapaenses.

Uma ampla frente foi construída em torno do nome de Davi e a força desse projeto não demorou a se fazer notar. Foi tão intensa, que o maranhense sequer concorreu, lembram? Ele preferiu se retirar e evitar o que seria uma derrota acachapante. A vitória naquele ano veio ao melhor estilo do movimento “Concertacion” chileno. Uma aliança acima de pessoas e da pequenez partidária, em nome de algo maior e mais urgente: levar o Amapá a um novo momento histórico.

É por lembrar bem de como as coisas aconteceram então, que é difícil entender algumas escolhas agora. O que é mais importante do que dar continuidade aos dois mandatos de Clécio? Estes oito anos que estão se encerrando colocaram Macapá em um patamar acima daquele que sempre esteve. É óbvio que não foi tudo perfeito, há sempre como melhorar. Mas o caminho é evidentemente bom e é preciso perseverar, persistir. É preciso, enfim, “seguir em frente”.

Não deixa de ser irônico que o mote escolhido pelo pré-candidato da Rede, ao anunciar que se retirava para apoiar o PSB, tenha sido justamente “seguir em frente”: uma expressão que remete à continuidade, afinal. Porque eles sabem, lá no fundo eles sabem, que o certo é seguir no bom caminho que se começou a trilhar lá em 2012, com a eleição de Clécio. Como vão explicar aos eleitores que isso, de repente, não serve mais? Difícil…

Aliás, como explicar que a “inaceitável aliança” (agora…) com o partido de Josiel foi bem aceitável em 2014, 2016 e 2018? E era aceitável, porque a base dessa aliança era o projeto maior de desenvolver Macapá e o Amapá, trazer obras, recursos e, finalmente, investir em nosso estado. Quem mudou agora? Não foi Clécio, não foi Davi, não foi Josiel.

Não se encara uma eleição com o fígado e com animosidade. É assim que se pretende cuidar da cidade? Brigando? Não fazia sentido antes, não faz sentido agora. Por isso o caminho da perseverança, que vai manter Macapá no bom rumo em que ela está sendo conduzida há oito anos, é o melhor. Há muito o que fazer e melhorar, sim. Mas não jogando os últimos anos no lixo, de jeito nenhum. É com união, trabalho e serenidade que dias ainda melhores virão.

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