• Vista Aérea
    Letra: Célio Alício/
    Música: Beto Oscar

    Manhã de aurora e brilho cálido
    De um novo dia sob o Sol, por entre o véu
    Da nave louca, doce moça, tu cidade
    Jóia rara do quintal da Amazônia.
    Do alto espio o tempo, a chuva, o anel da tarde
    Num vôo rasante e lento, as asas de Pinzônia

    De cima, enquadro tua anatomia
    O meu remédio em teu mistério
    O que te move e me vicia.
    Contemplar-te o panorama
    Nas matas de Pindorama
    A costa norte, o anel da sorte
    Teu negro olhar, tua alquimia

    Das nuvens estacionadas no horizonte
    Bebo da tela bucólica das enseadas
    A tua gente, a tua alma
    O rio gigante, o curso d’água
    Quem te ama e quem te mata
    Quem te cuida ou te maltrata

    Bêbada noite, órbita do meu planeta
    Ladrilhos e mosaicos nas gravuras dos cometas
    No chão amarelado nessa festa, desta feita
    Ensimesmados que te entendem
    Desassombrados em tua receita

    Ó mãe do meio do mundo inteiro,
    Olhai teus filhos no terço primeiro
    Estação Bacabeira, teus pretos te amam
    Morada primeira, ameríndios te chamam

    A chuva cinza se condensa e precipita
    Na cavidade do sorriso, prima gesta
    Via-L’Afritea, Macapaba prometida
    Eis que, linda, só deslindas minha festa.
    Júpiter-Ambé, Abaca-Marte da Pedreira
    Mer-Curiaú, me batucas noite inteira.
    Mar-Urano-Anum, feitiço das vilas
    Soltas horas, vozes roucas, volta e meia

    O rio-mar de têmpera e guache
    O barro sagrado no chão de bom grado
    Alinhando tuas casas à luz das estrelas
    Refletindo no azul o solar das palmeiras.
    Vista aérea, meninos alados
    Ornamento de linhas, assoalho das aves
    Abençoadas margens de igarapés de asfalto

    E agora olha, e, então, vê
    A tua face espelhada nas estrelas,
    Bem pra adiante, o coração andante
    No teu futuro refletindo essa grandeza.
    Ao léu da sorte, no cais da vazante
    Ao mar abaixo das caixas
    Tens aberto o horizonte
    Entre a lida e a morte
    E o final de anteontem.
    Palpitando em versos a tua gentileza
    Entre a canoa e os carros,
    O bálsamo, o cigarro
    A corrente que espalha a tua beleza
    Embala meus versos a firme certeza
    De que um mantra de amor
    Anoitece e adormece
    A tua cândida natureza.

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