LOCKDOWN PAPA-CHIBÉ – 0 ESTRANGEIRISMO NO BRASIL

*Márcio Augusto Alves – Procurador de Justiça

No cotidiano do povo brasileiro algumas palavras de origem estrangeira estão tão “incorporadas” no nosso linguajar diário, que podemos até mesmo imaginar que são originárias do nosso próprio idioma, como se já estivessem “aportuguesadas”.

Por ser o inglês considerado uma língua quase que “universal”, a grande maioria dos produtos que adquirimos no mercado nacional, mesmo que não sejam importados, sempre têm informações naquele idioma.

No meu tempo de faculdade estudei por dois anos a língua alemã na Casa de Estudos Germânicos da Universidade Federal do Pará. Foi nesse tempo que pude verificar que o nosso conhecido “fusca” é um veículo de origem alemã, que tem as iniciais daquele idioma na carroceria do carro (VW), que é a abreviação de VolksWagen (Volks: povo/pessoas – Wagen: carro). Os mais antigos, como eu, certamente tiveram um VolksWagen (Kombi, fusca, TL, Variant, karmanghya), e era indiferente falarmos: eu tenho um fusca! Eu tenho um volks! Todos, ricos e pobres, sabíamos do que estávamos falando…!

  Mas há várias outras palavras estrangeiras que já estão incorporadas ao nosso dia-a-dia: pizza (Itália), shopping (inglês), mouse (inglês) e site (inglês). Certamente que há uma infinidade de outras palavras que falamos como se fossem de nossa língua portuguesa, mas que não as são.

Ocorre que até no meio dessa pandemia que estamos passando,  a famosa live está na moda musical. Houve “live” do Andrea Bocelli, do Gustavo Lima, do “rei” Roberto Carlos e até do DJ Alok. Por isso, parece que pedimos “emprestado” o termo live e o “incorporamos definitivamente no nosso linguajar diário.

E o que dizer das famosas fakes ou fake News? Sempre serão falsas notícias. 

Mas a nossa língua é culta e bela demais para ser tão servil culturalmente às outras!

Não sou contra o estrangeirismo, pois a língua é algo vivo, que deve ser recriada e transformada cotidianamente. O povo paraense, por exemplo, sofreu várias influências da língua e cultura francesas do final do século XIX, através da belle époque e dos boulevards.

As palavras estrangeiras não atrapalham a vida do brasileiro, mas elas precisam ser utilizadas de maneira mais compreensível e de fácil adaptação à cultura, sem discriminação, e nessa pandemia, o momento é de tornar as informações as mais simples possíveis.

Por isso, qual o motivo de se usar o termo Lockdown, quando nossa língua dispõe de outras de mais fácil compreensão para esse momento, como “bloqueio/confinamento??? Certamente essas palavras portuguesas seriam rapidamente entendidas por todos, indistintamente, sem precisar expor àqueles (grande maioria) que não conhecem a língua inglesa. Isso soa meio brega para quem é papa-chibé da gema. Lockdown, além de “distante” gramaticalmente, é meio elitista!!!

O Decreto nº 729/2020 assinado pelo governador papa-chibé Hélder Barbalho “Dispõe sobre a suspensão total de atividades não essenciais (lockdown) no âmbito dos Municípios da região metropolitana de Belém….”; agora, com o nível educacional do nosso caboclo/ribeirinho, que mal sabe ler e interpretar o português, ter que usar um termo estrangeiro “distante e novo”, e que soa meio chique aos ouvidos dos ignorantes, mas terrivelmente incompreensível ao entendimento de quem não é meio enxerido.

Não quero mundiar ninguém, mas, que saudade das nossas raízes indígenas e caboclas!!! Saudades de Ariano Suassuna, que nunca foi à Disney, mas tinha orgulho da rica cultura do sertão nordestino!!!   

MÁRCIO AUGUSTO ALVES

  • Vc que é uma pessoa bem informada ajude uma amiga que está há dias percorrendo farmácias atrás do desse tal Lockdown e não encontrou em nenhuma.

  • Corroboro com a mensagem do autor, a quem parabenizo pela agradável forma de transmiti-la. Acrescento pois, como paraense da gema e torcedor do Papão da Curuzu, o francesado linguajar adotado, e até hoje largamente utilizado entre cametaenses e abaetetubenses…rsrs

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