Instituto Mapinguari comemora Dia das Áreas Protegidas da América Latina e do Caribe

Criado em 2013 por estudantes de biologia que desejavam ajudar a RPPN Revecom (Reserva Particular do Patrimônio Natural) a enfrentar alguns problemas de infraestrutura, o trabalho do grupo expôs, sem perceber, àquela época, a ausência de ONGs voltadas para o meio ambiente no estado do Amapá. “Conforme o tempo passou existiu a necessidade de regulamentar como instituto. Mesmo o nosso estado sendo o maior em área de preservação, não existem tantos trabalhos voltados para isso. Hoje temos outras ongs, mas essa realmente foi a única criada em Macapá”, explica Hannah Balieiro, integrante do Instituto Mapinguari. 

Trabalhando com o tripé proteção, pesquisa e educação ambiental, em seis anos, o instituto desenvolveu inúmeras atividades ao redor do estado. “Já atuamos com a proteção de animais silvestres, fizemos campanha ‘ajuda guaribinha’ e ajudamos no desenvolvimento de um filhote de macaco guariba que ficou sob nossos cuidados por um tempo. Em relação a aves, já fizemos esse mesmo suporte com corujas, construindo gaiolas de vôo. Ministramos palestras na UNIFAP e IFAP, mas nosso trabalho principal, atualmente, é fortalecer unidades de conservação”.

Foto: Saturação.

“É muito comum o pensamento de que a floresta de pé atrapalha o desenvolvimento do país e da região, sendo que não é verdade. Uma floresta de pé tem muito mais valor que um pasto para o desenvolvimento que um pasto, por exemplo”. Com o avanço das queimadas no Complexo do Pantanal, que assolam o bioma desde julho, empresários têm mobilizado a construção de uma área de conservação privada na região. Com o potencial de alcançar até 600 mil hectares, a intenção é criar um núcleo regional sustentável e avançar no setor privado de ações ambientalistas frente ao vácuo do governo federal.

Indo de encontro com o contexto atual brasileiro, o Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe, ainda ano passado, decidiu criar o dia internacional das áreas protegidas, para a valorização dos espaços e projetos neles desenvolvidos. “O instituto Mapinguari esteve presente, representado pela Adriana Formigosa, Thalita e Yuri, como delegação do Amapá e do Brasil no congresso. Durante a programação surgiu ideia de criar uma comemoração que acontecesse de forma simultânea em diversos países e que fosse adaptativa para as diferentes realidades”, recorda Hannah, uma das organizadoras da comemoração em Macapá.

Foto: Saturação.

“A gente sabe que dentro desse ano aconteceram muitas coisas que não eram esperadas, e muitas das comemorações estão acontecendo de forma alternativa. Mas estão rolando trilhas, alistamentos de aves, lives e programações ao redor da latino américa. E o Amapá, por ter tanta área protegida, não poderia ficar de fora”. Com o intuito de difundir a ideia de que as áreas protegidas não estão tão distantes assim da capital do estado, o grupo escolheu a Apa do Curiaú como o espaço para a programação. “É uma área protegida peloestado, regida pelo estado, e que as pessoas não sabem que além de balneário e quilombo, é uma região protegida, não como algo que não pode tocar, mas algo que podemos sentir e ter carinho.”

O Instituto Mapinguari também acompanha o dia a dia das comunidades que vivem dentro ou no entornos das áreas protegidas, buscando sempre entender a relação dos moradores com as localidades, suas demandas e experiências. “ A gente quer usar essa voz e de alguma maneira para dar possibilidade para que essas pessoas falem, porque nem tudo são flores. Existem muitas dificuldades e necessidades nesses espaços, e é por isso que estamos fazendo essa mobilização, para que os representantes das unidades de conservação levem suas vivências para o maior número de pessoas possíveis”, explica ela.

Foto: Saturação.

O trabalho do Instituto Mapinguari pode ser acompanhado via Instagram, onde acontece a divulgação de ações, cadastro de novos voluntários e venda de produtos para o financiamento do projeto.

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