Games. A localização na mídia

Gabriel Cavalcante Leão Dias – Design de Games

Recentemente foi anunciado que a localização da série The Great Ace Attorney será lançado dia 27 de julho. Apesar de vazamentos sobre essa notícia terem surgido aqui e ali, é muito comum nessa era de fake news qualquer vazamento ser desacreditado de início, então muitos ainda se surpreenderam quando esse vazamento foi confirmado.

A série Ace Attorney começou em 2001 no Game Boy Advance e é uma das maiores propriedades intelectuais da Capcom, sendo sucesso de vendas e tendo diversas adaptações, incluindo orquestras, um anime e um filme live-action. E os jogos originais já foram portados para diversas outras plataformas, começando com o DS e mais recentemente para a Steam, PS4 e Xbox One e The Great Ace Attorney é a denominação para a continuação do original e foi  lançado em 2015 para o 3DS  exclusivamente no Japão. Mas se esse é um de seus títulos mais fortes por que a Capcom demorou 6 anos para trazer a continuação para o resto do mundo? 

Localizar propriedades de outros países para outro público é algo que existe há muitos anos, mais proeminentemente por meio da dublagem, certas adaptações renderam jóias como a da imagem:

 

Traduzido, essa frase diz “Estas rosquinhas são ótimas! Recheadas de geléia são minhas favoritas.”  Mas nem de longe o que aparece na tela se parece com rosquinhas. Na verdade, o nome dessa comida é Onigiri, um bolinho de arroz, mas a dublagem da 4Kids mudou para rosquinhas para que o público ocidental tivesse algo mais relacionável, isso é, um exemplo clássico de má qualidade de localização, onde parte da identidade original se perde após ser traduzido para outro público. Outro problema possível é quando o dublador não consegue realizar uma performance tão boa quanto o ator original.

Aqui no Brasil não temos que nos preocupar muito, a dublagem brasileira é de excelente qualidade, alguns shows que foram adaptados para o público brasileiro tiveram seu texto e parte dos personagens alterado para acrescentar o “jeitinho brasileiro”, que fez com que o público tivesse uma experiência única e marcante.

Num mundo globalizado não tem muitos problemas em deixar alguns termos e nomes iguais ao do trabalho original(como a dublagem japonesa da turma da mônica que manteve os nomes originais dos personagens) mas ainda é muito difícil e complicado criar uma adaptação que agrada múltiplos públicos, e seria muito caro traduzir para muitos públicos diferentes.

Outro fator que afeta certos trabalhos são os fatores de direitos autorais que varia de país para país, usando The Great Ace Attorney como exemplo:

 

O jogo possui um personagem chamado Herlock Sholmes(nome também usado por Maurice Leblanc no curta Ársene Lupin contra Herlock Sholmes em 1906). No japonês original o nome é de fato Sherlock Holmes, essa mudança no nome se deu por conta de que nos Estados Unidos os direitos autorais do personagem Sherlock Holmes ainda não entraram em domínio público, mas em outras partes do mundo como no Reino Unido o personagem já caiu no domínio público, pelo menos a versão inicial do Sherlock Holmes que era um personagem frio que pouco se importava com os outros e via tudo como um possível pista. As últimas histórias escritas por Sir Arthur Conan Doyle mostram um Sherlock mais empático e isso faz com que existam duas versões diferentes do mesmo personagem e uma delas está em domínio público e a outra não. Então para mostrar um personagem mais condizente com o jogo a decisão de mudar o nome foi feita.

Existem diversas paredes e vários desafios que devem ser feitos para se fazer uma boa adaptação, mesmo que as possíveis vendas sejam boas, pode não valer tanto a pena  trazer certos produtos para fora. Normalmente também quando o produto traz muito da cultura e da identidade do seu lugar de origem, pode ser que seja mal-interpretado ou seja entendido errado, o que também traz a escolha de apenas traduzir ou tentar adaptar o texto para outros públicos.

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