Entrevista do blog: Pessoal do Meio do Mundo. Com Irani Gemaque

Entrevista do blog: Pessoal do Meio do Mundo. Com Irani Gemaque

E neste 5 de junho, Dia Nacional do Meio Ambiente, o blog começa nova série de entrevistas.  Num formato leve, vão desfilar por aqui pessoas que moram ou já moraram no Amapá, para um debate construtivo sobre o estado, sonhos e críticas, passado, presente e futuro. Mas fugindo do lugar comum.

Estreando a série, Irani Gemaque, professora, Mestre em Desenvolvimento Sustentável e doutora em Desenvolvimento Sócio Ambiental.

Irani

Como anda a política ambiental do Amapà? 

Irani – nos últimos anos a capacidade de fazer mobilização social ficou  complicada, e no Amapá pior ainda. A discussão ficou restrita ao próprio Estado, a sociedade amapaense está distante e desconhece os problemas socioambientais que continuam os mesmos de anos atrás. Por exemplo, o movimento ambientalista da década de 80 se preocupava com a chegada da soja no ecossistema de cerrado, especialmente pelas questões sociais como a expulsão dos agricultores familiares e de todos os impactos socioambientais que a monocultura da soja desencadeia. Hoje a soja está lá! A Educação Ambiental (EA) que é o veículo do desenvolvimento da conscientização ambiental está tímida.  As externalidades negativas do projeto que envolve a relação economia-meio ambiente, não são discutidas.

Qual o maior patrimônio do Amapá?

Irani – Os saberes das populações tradicionais, sua biossociodiversidade.

Foto: Emprapa
Foto: Emprapa

Um fato determinante e prejudicial ao Amapá?

Irani – a ausência do planejamento do desenvolvimento local a partir de nossas riquezas naturais e culturais. A intervenção, transformação e manutenção dos recursos, nos tiraria dessa condição restrita dos repasses do governo federal e arrecadação dos tributos locais.

Um sonho real?

Irani – Escrever um livro sobre a Educação Ambiental e esse está bem próximo de se concretizar. Com ele desejo auxiliar professores das escolas públicas a intervir no processo de conscientização dos alunos da Amazônia.

Educaçãoambiental

Uma pessoa genial – Que vive ou viveu aqui, importante em sua área de atuação?

Irani – Na história ambiental da Amazônia, especialmente na política de proteção dos povos da floresta, foram criadas as Reservas Extrativistas ( RESEXs). Nesse processo esteve presente a antropóloga Dra. Mary Allegretti. Tive a felicidade de trabalhar com ela na política de Educação Ambiental, na década de 90, período intenso de debates e agenda positiva em torno da política ambiental do Estado do Amapá.

Mary Com Chico Mendes
Mary Com Chico Mendes

 

Mary Alegretti nos EUA
Mary Alegretti nos EUA

 

O que era bom e não é mais?

Irani – Nasci em Santana, na Vila Amazonas, sou filha de funcionário que trabalhou a vida inteira na ICOMI. Morar na Vila Amazonas, com sistema de tratamento de esgoto e lixo, arborizada, com jardinagem, calçadas, sistema de drenagem, enfim, 100% urbanizada, foi muito bom. A qualidade de vida no sentido da afetividade também foi fundamental na formação das pessoas que por lá passaram. Esse, inclusive, é um lado da ICOMI que não se discute. Hoje, ir na Vila e presenciar o Estado de abandono  pelo poder público,  dá  tristeza.

A Vila Amazonas estava pronta!

Vila Amazonas - Cópia

E o que era ruim e melhorou?

Irani- A cidade de Macapá. Mas ainda falta muito até que possamos parar de achar que a cidade do outro é melhor. A construção de uma boa cidade pra se viver necessita de arranjo feito em duas vias, em um mesmo nível de exigência. Prefeituras precisam ser exigentes na qualidade das obras e a população deve estar presente, cobrando cada vez mais.

Foto-Floriano Lima
Foto-Floriano Lima

Creme de La Creme no Amapá

Irani – Nossa gastronomia! O camarão no bafo, especialmente. A caldeirada e o pirão de filhote. O tamuatá assado na brasa. O açaí geladinho com muitooo açúcar e tapioca. Nossas frutas. Tudo creme de la creme!

camarao-2-fazendinha

açaí

E tosco, trash

Irani – Gosto da expressão “tosco” pra manifestar atitudes grosseiras, argumentos sem fundamentos, fracos.

Nossos políticos e muitos gestores, com poucas exceções, tem sido Toscos e Trashes quando aprovam parcelamento dos servidores públicos e quando concedem gratificações de Regência de Classe para alguns professores e para outros não…e usam de argumentos nada elaborado para justificar a “crise”. Não ouço argumentos que essa não é somente uma crise econômica, mas é também uma crise de valores, comportamento/atitude frente a um fracassado modelo econômico há  muito anunciado.

  • Parabéns alcile pela iniciativa e pela matéria .gostei muito da entrevista dà professora irani,essa foto do Chico Mendes e Mary nosso voltei ao tempo,na época

  • Parabéns alcile pela iniciativa e pela matéria .gostei muito da entrevista dà professora irani,essa foto do Chico Mendes e Mary nosso voltei ao tempo,na época que capi foi governador a Mary foi secretaria de planejamento do estado onde começou às discussões para criação da reserva do rio iratapuru.hoje estar lá esse legado do povo do Amapá.porque não do capi q e um grande defensor. Das populações tradicionais..

  • Importante o trabalho da Professora Doutora Iranir Gemaque para a Educação de nosso Estado!
    Lamentavel que SEED não valorize seu potencial e pouco ou quase nada se investe em Educação Ambiental do ponto de vista das políticas educacionais!!!
    Os profissionais são ignorados e seu potencial frustrado!
    Avante com o trabalho Professora Doutora Iranir Gemaque!
    Salve o Dia Nacional do Meio Ambiente

  • Alcilene, agradeço a oportunidade de falar um pouco de nosso Estado em um blog tão especial e comprometido com o povo do lado daqui do Rio Amazonas e que ainda precisa estar incluso nas políticas de desenvolvimento com forte identidade local. Forte abraço!

  • EXCELENTE entrevista.Dra.Irani Gemaque sempre comprometida c as questoēs ambientais do Amapá.

  • Parabéns pela iniciativa Alclineia. Acredito mto nas iniciativas feitas por pessoas, que pensam e vivam no mundo sustentável. Professora Irani, aguardamos esperançosos no projeto de seu livro, Amapá anceia por esses conhecimentos, para que possamos agir com mais autonomia nas políticas ambientalista

  • Parabéns Tia Nica pela grandiosa entrevista! Estou fora mas sempre acompanhando as coisas boas da nossa terra, que é incrivelmente rica em cultura e biodiversidade. E pelo seu relato, que tristeza em constatar que grande parte dessa riqueza não é dignamente sustentável como realmente deveria ser. Um dia chegaremos lá. Não deixemos de sonhar…um beijão!

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