Conheça o histórico de problemas da empresa responsável pela subestação que deixou o Amapá às escuras

Manoel Ventura – https://oglobo.globo.com/economia/conheca-historico-de-problemas-da-empresa-responsavel-pela-subestacao-que-deixou-amapa-as-escuras-24737885

BRASÍLIA –

A empresa responsável pela operação da subestação de energia onde os transformadores pegaram fogo no Amapá tem um histórico de problemas em obras de infraestrutura no Brasil.

A subestação é tocada pela Gemini Energy, empresa administrada por fundos de investimentos formada a partir de ativos da espanhola Isolux no Brasil, que está em recuperação judicial.

A estrutura danificada é a única responsável por conectar o estado do Amapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia. São três transformadores de grande porte que compõem o empreendimento, que faz parte de uma linha de transmissão chamada de Linhas de Macapá (LMTE).

Desde dezembro do ano passado, porém, apenas dois desses transformadores estavam em operação.

Para solucionar, por completo, o problema da subestação, é preciso instalar dois novos transformadores que ainda chegarão ao estado. A operação é complexa porque eles pesam mais de 140 toneladas e precisam ser desmontados, transportados em balsas e aviões, e depois serem montados.

Também é preciso transportar o óleo para o transformador e filtrá-lo antes de colocá-lo no equipamento. Este trabalho está sendo feito pelo governo federal e não pela concessionária.

O histórico de problemas da Isolux inclui atrasos em obras de linhas de transmissão de eletricidade, que levaram à cassação de contratos de concessão dessas linhas. A empresa era dona de projetos que chegavam a 1,5 mil quilômetros de redes usadas para escoar energia.

A empresa também abandonou as obras de duplicação da BR-381, em Minas Gerais, em 2015. Nesse mesmo período, o governo de São Paulo rescindiu o contrato em que a Isolux deveria construir duas das quatro estações da Linha 4 do metrô da capital

Isso ocorreu, segundo o governo paulista, porque a empresa abandonou a obra, descumpriu normas de qualidade e segurança, além de não pagar as subcontratadas.

A mesma Isolux saiu da ViaBahia, responsável por administrar 680 quilômetros de estradas entre Salvador e Feira de Santana. A rodovia é considerada por técnicos como problemática, com baixa execução de obras.

Procurada, a Isolux não respondeu. A Gemini Energy disse que assumiu o controle da LMTE em janeiro. “Nesses últimos 10 meses, os esforços se concentraram em estabilizar e reforçar a operação dos ativos”, disse a empresa, em nota..

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