AMAPÁ FRENTE A AMEAÇA DE UM TSUNAMI

*Por Valdenira Ferreira dos Santos, Geóloga, Dra. em Geologia e Geofísica Marinha. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Aquáticas – IEPA. Professora do Curso de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional-UNIFAP

Viver sobre a superfície do Planeta Terra não é tão trivial. Vivemos constantemente ameaçados pelos rumos dos processos naturais, pois nossa casa comum tem uma vida muito movimentada. As vezes, como seres humanos, acabamos dando uma forcinha aqui e acolá.
Neste ano, a convite do Dr. Edward Anthony, participamos de uma publicação onde alertamos para nossas ameaças naturais. Entre elas os terremotos e tsunamis.
Coincidência ou não, no dia da publicação do artigo, 14 de maio de 2021, tivemos o terremoto com origem no arquipélago do Marajó. Agora nos deparamos com um sinal de alerta proveniente do outro lado do Oceano Atlântico, a cerca de 4.750 km,nas Ilhas Canárias.
A Sociedade Brasileira de Geologia, lançou uma nota. No caso do pior vir a acontecer e o tsunami se materializar, teremos tempo…lembrando também que o evento pode não ocorrer como se espera. É bom entretanto estarmos alertas.
Mas a bem da verdade nós precisamos estar preparados e cuidar de entender essas ameaças. Para isso, é necessário investir em Ciência, que não é luxo e nem desperdício de recursos. Sem investimentos não conheceremos nossas reais vulnerabilidades e riscos, e não poderemos traçar estratégicas preventivas e mitigadoras e mesmo planos emergenciais efetivos. O fortalecimento das instituições de ensino e de pesquisa na região é necessário, seja por meio de ampliação de cursos, seja por meio do aporte de recursos financeiros para apoiar linhas de pesquisas que abordem esses problemas.

Já está na hora do Amapá despertar e investir em cursos como Geologia, Oceanografia e Hidrologia. Cursos estes que podem tanto alavancar o conhecimento sobre nossas riquezas, como também ajudar a compreender melhor nossas vulnerabilidades e riscos e dar suporte ao planejamento do estado. I

nformações são necessárias para uma melhor gestão do território e para evitar ou mitigar os danos sociais e econômicos provenientes das ameaças, sejam elas naturais ou antropogênicas.
Ficamos na torcida para que o Cumbre Vieja fique bem comportado, e permaneça lá, dormindo seu sono esplêndido. Se espreguiçar… que seja só um pouquinho para aliviar a tensão.

Deixo aqui uma tradução livre de parte de um dos itens do artigo acima citado.

“4.2. Riscos Naturais no Delta do Amazonas
O Delta do Amazonas não pode ser considerado particularmente exposto a riscos naturais, mas uma grande parte de sua população vive sob um alto grau de vulnerabilidade a inundação. Esta situação reflete uma configuração equatorial que o coloca fora da trajetória de tempestades tropicais e ciclones, e um leve (mas provavelmente não desprezível) contexto tectônico.” … “Riscos sísmicos não devem, portanto, ser negligenciados nas áreas baixas na Foz do Amazonas, especialmente no que diz respeito à geração potencial de tsunamis.” … “Tsunami mais distante, originado das Ilhas Canárias e se propagando para oeste no Oceano Atlântico também pode atingir o Delta do Amazonas, e pode estar potencialmente sujeito a amplificação devido a plataforma interna muito rasa”

Caso os leitores queiram ler o artigo na íntegra poderá encontrá-lo no seguinte link https://www.mdpi.com/2073-4441/13/10/1371/htm

Fonte da Figura – acessada via aplicativo Google Earth no dia 17 de setembro de 2021.

  • Os impactos de um possível tsunami no Amapá são previsíveis e os danos podem ser minimizados pela ciência ou se tornarem trágicos pela omissão. Foi isso que entendi lendo o excelente texto da doutora Valdenira Santos.

  • O vulcão entrou em erupção hoje. Tomara q não seja uma erupção de grandes proporções a ponto de provocar tsunami na costa das regiões Norte e Nordeste.

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