A COPA DA LIBERDADE

Por Rafael Capiberibe

Inicia-se a abertura da Copa da África, com uma característica peculiar traduzindo a sua identidade cultural, com os tambores rufando todas as suas dores, impregnadas no sangue negro, da luta pela sobrevivência, o barulho ecoado a cada canto do planeta, representa a vitoria de um povo, que aprisionado, escravizado e maltratado pela História, se liberta na maior festa do Futebol mundial, se liberta com sua africanidade estampada no sorriso negro. A festa é na África do Sul, mas representa todo um continente esquecido pelo mundo, entregue a própria sorte, mas um povo que insiste na consistência corporal, na dança, na musicalidade, na alegria de ser negro, e acho que se não fosse isso, esse povo não teria a força necessária para mostrar com orgulho a todos que assistem estátic os essa aula cultural, essa aula da vida, e de como nossos problemas podem ser superados.

Vejo essa copa do mundo, não apenas como uma festa do futebol, mas uma festa da celebração da VIDA, e não to querendo esconder ou pormenorizar os problemas que nesse continente existe, mas quando presenciamos a história se confundindo com o presente, não temos como exaltar o esforço que esse povo faz para mostrar com a maior felicidade do mundo que o país deles, não perde pra nenhum país desenvolvido no quesito criatividade, orgulho, luta e amor pelo próximo. Sofre com problemas sociais, mas acredita na força e no desenvolvimento humano, como fator transformador para que esses problemas sejam solucionados.

Vejo encantado, a esperança que mora nos pés dos “Bafanas Bafanas”, em simbiose com a esperança que emana do povo. Vejo também o quão o esporte pode ser transformador na vida das pessoas, não à toa os maiores espetáculos de integração entre povos são a copa e as Olimpíadas.

Como não se emocionar e não se arrepiar, ao ver Mandela, braço forte da libertação africana sendo cantado e contado através da música, sinto que o som da áfrica, são gritos que ecoam de espíritos ceifados em guerra, são almas que gritam para que o mundo reconheça a áfrica, e gritam mais forte ainda para que ela se liberte de suas feridas que ainda sangram no coração do homem. A áfrica de todos nós, não é diferente do povo daqui, a grande diferença é que o povo de lá transborda a alegria em cada poro de seu corpo e, sobretudo sabe cantar e ser feliz, mesmo não tendo alguns motivos para isso.

No final das contas, me dei conta vendo esse espetáculo de tamanha grandeza e de uma emoção ímpar, percebi que o fato deles não pararem de soprar as VUVUZELAS é porque no som delas está o grito de toda uma nação negra, enfim um grito de liberdade que um continente esperou centenas de anos para fazer com que o mundo ouvisse. Hoje enfim a AFRICA se libertou pelas vozes das vuvuzelas. Hoje me sinto mais negro do que nunca, pois ser negro consiste saber, que a felicidade mora em você. Viva a África, por proporcionar talvez o maior espetáculo que o mundo moderno já viu.

Rafael Guedes Capiberibe

  • A intenção é válida (não se discute),falta experiência, prática – o que este jovem não tem – e quer demonstrar. Recomendo-o cautela, caldo de galinha e tudo o mais, logo será um grande nome da crítica amapaense- tal como o mestre Correa neto.

      • Sonhar nao custa nada, mas eh gratis,,.. e eu tenho direito.. por isso continuo 🙂 !! saude e paz!

    • Bom, vamos do comeÇo, não desvalorize o correia me comparando a ele, pois ele é único, mágico e inigualável, espelho daqueles que querem fazer um jornalismo competente e maduro, o que não é o meu caso, sou apenas um menino que escreveu nesse texto o que sentiu, e resolvi compartilhar, se não com a competência do Correia, mas não importa, escrevi o que sentia, e pra mim isso que vale. A áfrica é um continente que só lembramos pela fome, miséria, pobreza, e agora com essa festa do povo, caiu um pouco esse paradigma que ali é visão do inferno, esse povo tem muito a contribuir com o mundo e está mostrando isso nessa copa. Voltando ao assunto inicial, se vc não gostou do meu texto, que pena, poderia ter pelo menos gostado da mensagem, que eu acho que é valido para todas as gerações. Eu não tenho pretensão de ser jornalista, até porque não foi esse curso que eu escolhi, porém gosto de escrever, não vou negar, assim como também não peço para que as pessoas gostem do meu texto. Acho que a boa escrita deveria ser regra geral para todas as pessoas que tem o mínimo de oportunidade de ter acesso ao estudo, e por isso gosto de pratica-la. Toda vez que eu tiver vontade e sensibilidade para transformar meus pensamentos em palavras, eu farei, independente de quem goste ou não, e aconselho isso para todos, pois acho que toda forma de conhecimento deve ser compartilhado, guardar para si é ser egoísta com a propagação do pensamento. No mais espero um lindo início de semana, e que sua vida seja pautada pelo amor e carinho. Um grande abraço!

  • Nada… É só mau gosto mesmo. Cultura? Duvido… Acho que eles, espertinhos, só fazem aquele barulho horroroso pra tentar atrapalhar os não-africanos.

    P.S.: Ainda que fosse um aspecto cultural, fica a pergunta: quem disse que todo traço de uma cultura é bom? Essa tal vuvuzela não é.

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