20 anos do “Big Park”

* Por Marco Antônio Chagas. Professor da Unifap 

 

Em 2004 estava em Montana/EUA num curso promovido pelo Serviço Florestal Norte-Americano. Era um curso internacional sobre áreas protegidas. Minha amiga de alma, Ana Lúcia Cruz, foi quem articulou minha participação. Havia gente do mundo inteiro. Um deles era do Congo, que disse que lá havia o maior parque de floresta tropical do planeta. Negatofé!”, retruquei: – o maior parque do mundo fica no Amapá. A disputa dos “Bigs Parks” se tornou gozação no curso e desde então é como me refiro carinhosamente ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.

O Big Park chegou aos 20 anos. Recordo os imbróglios de sua criação na época do então Presidente FHC. Foi a única vez em que a teologia e a geologia se aliaram por uma causa. Sandro Gallazzi e Antonio Feijão foram guerreiros tucujus na reivindicação de compensações para o Amapá. Não se tratava de compensação pela proteção da natureza, mais sim de visibilizar as carências do Amapá. Isso aconteceu no Equador pela Iniciativa Yasuní-ITT. Aliás, essa iniciativa é didática em relação a sustentabilidade da Amazônia.

20 anos se passaram e a floresta do Tumucumaque permanece intacta. Sem a proteção das nascentes dos cursos d´água no Parque, o Rio Araguari já teria “levado o farelo” pelos maus tratos da mineração, da criação extensiva de búfalos, das hidrelétricas e do desmatamento da mata ciliar. O “Big Park” responde pela resiliência da Bacia do Rio Araguari.

Eu também fui insensato com o Parque. Empolguei-me com os modelos made in USA e negligenciei a realidade. A realidade nunca está errada. Hoje quando olho para esse mosaico de mais de 30 milhões de hectares de territórios que nos protegem, percebo os valores intrínsecos da natureza, independente dos valores atribuídos pelo tempo da vida material e utilitarista.

Temos muito a aprender sobre sustentabilidade climática, segurança alimentar, economia solidária e do cuidado, turismo espiritual e comunitário, fitoterápicos, ócio criativoe outros valores que o Parque do Tumucumaque guarda no aguardo da ética que nos falta.

Agradecimento ao Christoph Jaster, por não ter desistido do “Big Park”.

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