Ao decidir destinar 50% do valor de suas emendas para a área da saúde, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) iniciou diálogo com profissionais da área. No último sábado (13) reuniu-se com lideranças da classe médica, entre elas o presidente do Sindicado dos Médicos do Amapá, Fernando Nascimento; o presidente do Conselho Regional de Medicina, Dorimar dos Santos Barbosa e o coordenador da Residência Médica, Aljerry Dias Rego. A prioridade apontada pelos médicos por unanimidade se refere aos serviços prestados pelo Hospital de Emergências.

Durante a semana passada o senador ouviu do governador Camilo Capiberibe a indicação de prioridade para saúde. Conversou com o secretário da pasta no estado, Edilson Afonso Mendes Pereira e participou de encontro com prefeitos no Ministério da Saúde. “O momento é de juntar esforços para encontrarmos saída para a grave crise que vive a saúde pública no Amapá”, disse o senador. “Estou surpreso e contente com a decisão do senador de destinar 50% de suas emendas para a saúde. E o que é mais importante, nos chama para ouvir e decidir em conjunto para onde vão esses recursos”, disse o presidente do CRM, Dorimar dos Santos.

Dorimar elencou sugestões como a construção e adaptação de unidades básicas nos municípios, de acordo com as necessidades de cada região; transporte aéreo para emergências em locais de difícil acesso; construção ou adaptação de unidades de pronto atendimento nos bairros de Macapá e Santana, como forma de desafogar o Hospital de Emergências; adequação do SAMU aos padrões nacionais. Hoje, só 28 leitos do Hospital de Emergências são regulamentados pelo SUS. No atendimento básico, 82% das UBS estão fora do padrão exigido pelo Ministério da Saúde.

A desestruturação do sistema de saúde no Amapá ao longo dos últimos anos tem consequências graves. Uma delas incide sobre o programa de Residência Médica, que já formou 63 profissionais, dos quais 47% permaneceram no estado. “A residência fixa o profissional”, explicou o coordenador Aljerry Dias. No entanto, há dois meses a comissão nacional de residência médica alertou para o risco de descredenciamento do Amapá por causa da falta de condições técnicas dos hospitais para abrigar o programa.

Os médicos se comprometeram em construir junto às entidades da classe uma carta contendo diagnóstico e sugestões para a saúde no estado, que deverá ser entregue ao governador e aos prefeitos. O senador Randolfe considera fundamental a convocação urgente de uma conferência extraordinária de saúde, com a participação de todos os atores envolvidos. Ele se comprometeu também em articular um encontro com a bancada federal, liderada pela deputada Dalva Figueiredo (PT-AP), com as entidades da área da saúde no intuito de sensibilizar deputados e senadores do Amapá para o grave problema.

(Márcia Corrêa)