Em 2008, quando Macapá foi homenageada em seus 200 anos pela escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro, inauguramos no blog antigo uma série de entrevistas leves e lúdicas sobre Macapá, que fez muito sucesso com os leitores. Chamei a série de entrevistas de “Macapá, Marejando o Meu Olhar”, que era um verso do samba da Beija-Flor.

Vamos republicar algumas entrevistas que foram muito legais e retomar a série com outras pessoas.

Estou pensando em um novo título que vou colocar em votação aqui

1 – Gente e coisas do Meio do Mundo.

2 – Impressões tucujus

3 – Ou dê sua Sugestão na caixinha de comentários.

 

Vamos iniciar hoje republicando a entrevista com o saudoso advogado Adelmo Caxias.

 

Publicada em 08.11.2009

Blog passeia pela Macapá de ontem e de hoje e por seus personagens, com o grande advogado amapaenses Adelmo Caxias, que destaca para os leitores, olhares, sabores, sentimentos e lembranças, da cidade plantada a beira do Amazonas e fincada no meio do mundo.

Adelmo

A cara de Macapá – A Fortaleza de São José de Macapá, até mesmo quando retratada pelas mãos do saudoso amigo R. Peixe.

Obra de R.Peixe do acervo de Fernando Canto

Obra de R.Peixe do acervo de Fernando Canto

Beleza do Amapá – O rio Amazonas visto da orla de Macapá, ao entardecer, porque além de inspirador, alivia o espírito de quem o aprecia.

SaoJosePedradoGuindaste-Internet

Música do povo daqui – Tajá, Tarumã e Vida Boa, porque suas letras são poéticas e refletem nossa cultura e crendices.

Programa de folga –  Passear com minha família pelos locais próximos de Macapá, como Ferreira Gomes, Macacoary, entre outros.

Comida do meio do mundo – Camarão no bafo, haja vista que quando, ocasionalmente, encontro um conhecido de fora do Estado que esteve em Macapá, ele não pergunta pela Igreja São José, pelo Marco Zero, pela Fortaleza (pontos turísticos famosos), mas, sim, pelo famoso Camarão da Fazendinha.

Uma lembrança – O Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares, onde me desemburrei, como diria a vovó, porque o que aprendi naquele educandário, desde a infância, até hoje ponho em prática: ler, escrever, ler, brincadeiras sadias, cantar o hino nacional, o hino da bandeira, o hino da independência. Tínhamos aula de canto com a Prof. Valquíria. Recorda-me, ainda as saudosas professoras Carmen Caluf, Edite Goiana, Deuzuite Cavalcante, Corila, Nely, Carmelita do Carmo, entre outras, e  as que ainda estão entre nós, como Risalva e Maria Olinda.

Saudades de um tempo qualquer –Da minha infância, especialmente quando eu via o papai atravessar a Rua Leopoldo Machado, trazendo uma sacola de mantimentos para alimentar sua prole, oriundo do Mercado Central ou da Beira (como chamavam antigamente). Isso nos deixava (eu e meus 11 irmãos) felizes de ter um pai, que antes ir ao trabalho, preocupava-se primeiramente conosco e com a mamãe. O papai, porque tinha salário humilde, trabalhava em outros lugares para aumentar a renda familiar, e, ainda assim, arrumava tempo para fabricar os carrinhos de madeira para os filhos homens, pois não dispunha de dinheiro para comprá-los. Somente depois que amadureci é que passei a valorizar esses gestos de amor e carinho que me marcarão para sempre.

Quem faz ou fez acontecer – As procissões do Círio de Nazaré e de São José, nosso padroeiro, porque é bastante reconfortante ver as pessoas caminharem juntas movidas por um sentimento de fé, parecendo que todos se amam e se respeitam, sem interesse algum, cumprindo o mandamento máximo de Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Fico muito feliz!

Alegria – Os nascimentos de meus 06 filhos: Ana Kátia, Ana Karla, Adelmo Jr., Cesar Caio, Cássio de Luca e da Maria Caxias, que hoje conta com 5 anos. Depois de passar verdadeira via crucis ao contrair um câncer, Deus me deu a cura e mandou-me a Maria Caxias (homenagem à minha mãe) para compensar o sofrimento experimentado.

Paisagem que mareja o meu olhar – Sem querer ser amargo,de tristeza, quando vejo o Rio Amazonas bombardeado de esgoto não tratado e lixo de todo espécie.

glaúcia

É UÓ em Macapá –Assistir uma aula televisiva do Desafio.

Queria que os políticos fizessem por Macapá – Brecassem seus interesses particulares e passassem a olhar para os interesses maiores do povo, com o firme propósito de criar políticas públicas modernas, que oportunize a todos, trabalho capaz de garantir seu próprio sustento, devolvendo a dignidade àqueles que vivem de política assistencialista em idade produtiva, afinal a lei do menor esforço só é bem vinda para os animais selvagens, que não mais precisam sair à caça de seu próprio alimento. Para o homem que se respeita, é humilhante.

Faz falta em Macapá – Fiscalização séria e rigorosa do trânsito e dos logradouros públicos. Tenho comigo, que dois órgãos, se atuantes, viveriam abarrotados de dinheiro em Macapá: o DETRAN e a PMM, porque não se dá dez passos na cidade sem que não nos defrontemos com uma infração de trânsito ou ao Código de Posturas do Município. O bolso ainda é a parte do homem que mais dói. Se todo infrator fosse multado, de início teríamos muito dinheiro nos cofres públicos para investir na cidade. Quando a consciência coletiva fluir, não haverá tanto dinheiro assim, mas teríamos uma cidade mais saudável e agradável para se viver.

cidade

Um projeto ou atitude ousada para melhorar a qualidade de vida do povo daqui – Eu diria, não só daqui, mas do Brasil todo, seria acabar de vez com os privilégios que a Administração Pública goza nos processos judiciais, a fim de que o Judiciário pudesse imprimir celeridade razoável nos feitos contra a fazenda pública, como ocorre na ação contra pessoa jurídica de direito privado. Na atualidade, quem ousa ajuizar ação para receber créditos junto às pessoas jurídicas de direito público, especialmente Estado e Municípios, terá de esperar por tempo indeterminado, o que desestimula o credor a buscar seu direito pela via judicial, preferindo aceitar traficante de influência (não precisa sair em busca, eles se apresentam). Isso obrigaria cada governante, durante seu mandato, a honrar os compromissos financeiros  realizados durante sua gestão.