E é reacesa com muito combustível a pira da discórdia entre professores e o governo do estado.

O governo do estado aprovou ontem, projeto enviado à Assembleia Legislativa, incorporando a regência de classe ao salário dos professores.

Beleza. Sem conhecer o projeto a fundo, entendo que incorporar a regência ao salário base é uma boa conquista. A regência de classe passa a compor o salário e isso sempre é melhor para o trabalhador do que receber penduricalhos. E bandeira da maioria das lutas sindicais, principalmente de servidores públicos.

Confesso que não consigo entender por que a categoria, ou seus dirigentes, não querem a incorporação da regência de classe.

Como também não entendo por que o governo de Camilo Capiberibe trata o diálogo (ou falta dele) com os professores de maneira tão inábil. Uma categoria importante, forte, organizada nacionalmente, politizada, e com as mais diversas ligações políticas.  E manda para aprovação um projeto que diz respeito a esses servidores “a toque de caixa”, parece que meio que escondido.

Sobrou para os deputados que fizeram sessão extraordinária para aprovar o projeto na manhã de sexta-feira. Os professores descobriram. Foram para Assembleia Legislativa. Jogaram ovos por lá e fizeram muito barulho na avenida Fab. E teve professor preso.

Lamento. Vejo mais desgaste na já ferida relação entre governo e professores.

E fico realmente impressionada com a capacidade do governo em transformar uma ação positiva, em desgaste político.

Fazer política é dialogar, negociar, convencer. Melhor assim, penso eu.