Memorial Sacaca completa 5 anos homenageando o ‘doutor da floresta’

Espaço que fica dentro do Museu Sacaca, apresenta a vida de Raimundo dos Santos Sousa, que se dedicada à medicina natural, à cultura e ao esporte.


O Memorial Sacaca completa nesta quarta-feira, 22, cinco anos de existência. O ambiente é uma homenagem ao saudoso curandeiro Raimundo dos Santos Souza, conhecido na região como “Sacaca”, uma figura que se inspirou nas florestas do Amapá, para ajudar as pessoas com remédios naturais. Ele morreu em 1999, aos 73 anos de idade.

Funcionado dentro do Museu Sacaca, um dos principais pontos turístico de Macapá, o memorial conta, através de documentos, fotos e objetos, a trajetória do “doutor da floresta”, que também se destacou como importante personalidade da cultura amapaense.

No espaço há artigos que remetem à trajetória esportiva e cultural de Sacaca e seu convívio familiar, e com amigos. Dentre os objetos, está um pilão onde ele manuseava as ervas para produzir medicamentos a partir de plantas da Amazônia.

Sacaca é um dos dois brasileiros homenageados pela Divine Academia Francesa, entidade social, que homenageia grandes personalidades pelo mundo. Outra homenagem recebida é o nome “doutor da floresta”, que foi dado a uma orquídea e a um organismo aquático encontrado no Amapá.

Seu trabalho com as plantas foi referência para muitos pesquisadores que desenvolviam estudos sobre a fauna e a flora amazônica. A Universidade Federal do Amapá (Unifap) concedeu à ele, o título de doutor “Honoris Causa – Post Mortem”, pelos diversos serviços ofertados para a comunidade.
Família e cultura
Sacaca nasceu no ano de 1926, em Macapá. Casou-se com a primeira miss Amapá, Madalena Souza. O matrimônio gerou 14 filhos. O mestre Sacaca também era envolvido na cultura, tocava caixa de marabaixo e sabia confeccionar os instrumentos.

Ele foi um dos fundadores da União dos Negros do Amapá (UNA) e da primeira associação de idosos. Na década de 1990 atuou na Rádio Difusora de Macapá (RDM), com o programa “A Hora do Campo”, descrevendo as propriedades medicinais das plantas. Sacaca ainda publicou três livros que falam de “A à Z” sobre as plantas que curam.

Participou do carnaval amapaense por mais de 20 anos seguidos como o Rei Momo e tinha a Boêmios do Laguinho, como escola de samba do coração. Foi enredo das agremiações Solidariedade, Piratas da Batucada, Boêmios do Laguinho e Império da Zona Norte (antigo Jardim Felicidade), além de vários blocos carnavalescos.

No esporte, Sacaca destacou-se como técnico que revelou craques amapaenses e também como massagista. Atuou no Esporte Clube Macapá, quando o time foi campeão do primeiro Copão da Amazônia, em 1975, ao lado de grandes jogadores amapaenses, como Bira.

Museu Sacaca
Espaço reúne fauna, flora e até um igarapé dentro da área urbana de Macapá. É um acervo a céu aberto sobre o modo de vida dos povos indígenas e ribeirinhos. O local reúne cultura e história, além de gastronomia de terça a domingo, das 9h às 17h. A entrada é gratuita.