Viva Patrícia! Viva Zulusa! Viva a música do Amapá!

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É do Amapá. A cantora Patrícia Bastos, teve seu último trabalho, o disco Zulusa, escolhido em 1º lugar entre os 100 melhores discos de música brasileira de 2013.

Patrícia. Você nos orgulha com seu talento, e com a competência e o cuidado com que vem construindo sua carreira.

Veja aqui http://www.melhoresdamusicabrasileira.com.br/2013/12/1-patricia-bastos-zulusa.html e aqui http://www.pulsanovamusica.com.br/conheca-os-100-melhores-albuns-da-musica-brasileira-de-2013/

Texto do site.

Estou na comunidade quilombola Curiaú. Paisagem de beleza incomparável. É dia de festa. Tia Chiquinha me explica a diferença entre batuque e marabaixo, os dois ritmos mais tradicionais do Amapá. Batuque é bandaia, pode dançar sorrindo, com alegria. Marabaixo é lamento, com o arrastar dos pés no chão lembrando os escravos acorrentados. Quem me trouxe até aqui? Uma caboca chamada Patrícia Bastos. E nem precisei de barco, navio ou avião. Nem saí de casa. Apenas ouvi ‘Zulusa’ e ela me apresentou “um outro Brasil, que o Brasil desconhece”.

Para quem está longe dessas fortes características culturais, o quinto disco da cantora macapaense pode parecer apenas mais um trabalho exótico e inusual. Engano. O grande mérito de ‘Zulusa’ – que tem em seu título a representação do português, do indígena e do africano (o povo brasileiro) – é transformar regional em universal. Você provavelmente não sabe o que é o quitum do amassador e o tracatá do dobrador, mas quando ouvi-los não terá uma reação de estranheza. São sons seus, e só não tocam na música que você ouve porque o Brasil é um grande país que está pequeno demais.

O canto de Patrícia Bastos é afinado como o de um passarinho. Só para constar: essa não é uma observação minha. Ouvi de Dante Ozzetti, conceituado compositor, produtor e incansável pesquisador da música brasileira. Dante tem um papel fundamental no disco, mas falo disso daqui a pouco. Se tem algo que impressiona tanto quanto a riqueza sonora de ‘Zulusa’ é a desenvoltura de Patrícia como intérprete. Seu modo de cantar é gracioso e de uma elegância que atrai sem qualquer esforço. Uma voz que precisa ser mais ouvida nesse país.

Além do batuque e do marabaixo, também compõem esse trabalho ritmos como o cacicó (fruto da fronteira com as Guianas), o zouk, a embolada, a cúmbia, a guitarrada (alô, Manoel Cordeiro!) e o fado. Muito trabalho foi necessário para tornar essa mistura natural e satisfatória. Atento às modulações, Du Moreira dividiu a produção com Dante Ozzetti, também responsável pela direção musical e pelos arranjos de ‘Zulusa’. A percussão do Trio Manari foi outro ponto decisivo. Algumas das peças usadas por eles: xequerê, guizo, terrabuco, matraca, curimbó, ganzá, djembê, candira, conga de madeira, bilha e bongô, além da caixa de marabaixo, claro.

O esforço dos produtores e o capricho com os instrumentos fez de ‘Zulusa’ um registro uniforme e inovador. Pouco adiantaria resgatar se não houvesse nada de novo para mostrar. Encontramos letras cantadas na linguagem de corruptela, interessantes inserções eletrônicas, texturas sonoras belíssimas e, na última faixa, apenas voz e piano, num momento sublime. Um trabalho que deve servir de referência nos próximos anos.

Com parcerias certeiras e um repertório fantástico, Patrícia Bastos lançou o melhor disco de 2013 na música brasileira.

 

  • Em fim um acontecimento positivo no Amapá, com reconhecimento através da mídia nacional, quando estamos acostumados a receber só notícias negativas que jogam a fama deste Estado para a lama. O feito de Patricia e sua equipe é imensurável … Corresponde mais ou menos a um título de futebol nacional … Numa produção cultural e musical tão rica que o Brasil tem a cada ano (mais de 700 álbuns ), atingir o topo da lista, ter sido escolhida como o melhor disco (ZULUSA ) carregando consigo a melhor música (MAL DE AMOR) dos compositores Val Milhomem e Joaozinho Gomes, da rica (culturalmente falando) Música Popular Brasileira , é absolutamente relevante. Constitui simplesmente o maior fato cultural na história do Estado …! Tudo isto conseguido a base muito talento e investimento individual, sem nenhum, repito, nenhum tipo de apoio dos órgãos estaduais e municipais ” responsáveis ” pela produção ou divulgação da nossa cultura. Quero registrar esta conquista como um fato histórico, que deve ser seguido como referência e estímulo para tantos e muitos valores que temos no Estado, mas que infelizmente dependem de órgãos oficiais , geralmente insensíveis , preocupados apenas em fazer da arte uma escada com fins politiqueiros. Por fim, obrigado Alcilene por seu registro, parabéns novamente a Patricia, Dante, Du Moreira, Manari, Manoel Cordeiro, Val, Joaozinho Gomes, e todos os que construíram com seu talento, esta maravilhosa conquista … O reconhecimento, vem de fora … !!!

    • Um grande beijo na Patrícia, Dr Alejandro..O reconhecimento é merecido. O tamanho do feito é realmente imensurável

  • Parabenizar esta extraordinária cantora Patrícia Bastos, sua história é memorável e única, afinadíssima Patrícia configura uma voz aveludada, doce, impostada daquelas vozes que saem da alma e do coração, foram muitas vezes que subi no palco pra tocar bossa nova com a Patrícia desde os tempos do Lenom, carinhoso etc. uma cantora que não foi fabricada traz em seu sangue a experiência dos PuBs, bares, festivais, shows, estúdios de gravação e cantando peças da Música Pulular Brasileira complicadíssimas a titulo de harmonização como “eu te amo” do Chico Buarque, Luiza etc…aos meus 54 anos de idade fica a emoção de ver e ouvir a Patrícia gravar a música que o Brasil esqueceu que é a Amazônia, o Sul, Sudeste, Nordeste, Centro Oeste do Brasil estão com suas produções no limite e muitas foram deturpadas em sua essência de criação, e ai a música da Patrícia chega com este diferencial de produção cantando o que a Amazônia se tem de mais puro de criação com uma pitada de tecnologia que não corrompe a realidade da raiz e base de sua extraordinária musica, a alegria e felicidade de vê-la na grande mídia do eixo RJ/SP é imensurável e agora recentemente a mesma esta em Lisboa pra divulgação do de sua arte. Patrícia é ícone, memorável e dos palcos do mundo, espero que amanhã não venha o Governador Camilo Capiberibe que investe uma fábula em artistas de fora, não recebe ninguém em seu “palácio”, dizer em suas propagandas “de primeiro mundo” que foi no seu governo que apoiou a Patrícia Bastos, ela é dona de seu talento e suas conquistas foi fruto de muita batalha juntamente com seus grandes amigos da MPA. Vida longa Patrícia, foi e sempre será uma honra tocar piano capitaneado pela sua maviosa VOZ…sorte na vida amiga.

  • Belíssimo trabalho! Estou orgulhosa do seu talento PATRICIA BASTOS…O disco está impecável e sua voz é simplesmente DIVINA! Um abr cordial.

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