• Natal, por Alexandre Amaral.
    “Natal”, do latim natális, derivada do verbo “nascor, nascéris, natus sum, nasci”, significando nascer, ser posto no mundo. Como adjetivo, significa o local onde ocorreu o nascimento de alguém, logo a expressão terra-natal, reportando-se ao nascimento. Igualmente, no Natal comemora-se, desde os séculos IV e V, o nascimento de Jesus, pela Igreja Ocidental Romana e pela Igreja Católica Oriental, respectivamente.
    O dia 25 de dezembro tornou-se mais uma daquelas tradições inventadas, como exemplo, lembro que na parte Oriental do Império Romana, não era aceito o Calendário Gregoriana, logo celebrava-se o nascor em 7 de janeiro.
    Eric Hobsbawm, na obra “A invenção das tradições”, define “tradição inventada”, no sentido de construídas e formalmente institucionalizadas, como “um conjunto de práticas, normalmente reguladas por regras tácita ou abertamente aceitas; tais práticas, de natureza ritual ou simbólica, visam inculcar certos valores e normas de comportamento através da repetição, o que implica, automaticamente; uma continuidade em relação ao passado”. Nesse sentido, a Igreja rapidamente agiu para cristianizar as festividades consideradas pagãs, adotando a data 25 de dezembro no seio das festividades romanas.
    As comemorações pagãs celebradas no solstício de inverno diziam respeito as homenagens aos deuses, como a Saturnália e a Brumália, entre os dias 17 a 25 de dezembro, caracterizada pela troca de presentes, comemorações e festividades. Outra festa pagã, como O Sol da Virtude ocorria em 25 de dezembro, em homenagem ao nascimento do deus persa Mitra e, portanto, anterior ao nascimento do messias cristão. Por isso a continuidade em relação ao passado” era (re)apropriada e transferida à Cristo, como o “sol da justiça” (Malaquias 4:2) ou mesmo a “luz do mundo” (João 8:12), como forma de “inculcar certos valores e normas de comportamento através da repetição”.
    Entretanto, o teólogo Orígenes, repudiava a forma de se festejar o nascimento de Jesus, pois “não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo”
    Não há dúvidas que o Natal de Jesus tem raízes pagãs, sendo instituída a festividade oficialmente pelo Papa Libério, no ano de 354 d.C, uma tradição inventada que procura simbolizar a coesão social, legitimando a instituição religiosa (Igreja), que ao socializar a festividade como cristã, incutiu novos valores e padrões de comportamento.

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