Um feriado pelo Calçoene e Cunani

Aproveitando o feriado da última semana, acompanhamos o amigo Clécio Luis Vieira, em seu projeto “Pelo Amapá Inteiro”, visitando o município de Calçoene e o Quilombo do Cunani.
Lá no Cunani
O Cunani é um lugar lindo, que fica dentro do Parque Nacional do Cabo Orange. É um quilombo e já foi uma república independente na época do contestado, quando França e Brasil brigavam pelo território do Amapá. República com bandeira, selo e moedas próprios.
Pela sua belezas e riquezas naturais, é um lugar que pode ser viável para projetos de turismo comunitário.
A comunidade quilombola vive principalmente da extração do açaí, que dizem ser o melhor do Amapá (e é muito bom mesmo), do cacau nativo de excelente qualidade, e da pesca.
As principais reivindicações deles são: a melhoria do ramal de 53 km que liga Calçoene ao Cunani, que no período chuvoso fica cheio de atoleiro. E a construção da ponte sobre o rio Cunani para escoar a produção que é grande, principalmente de açaí e cacau.
A ponte onde a comunidade atravessava a pé, foi danificada em uma enxurrada em março

Pé de cupuaçu e a cozinha com amassadeira de açaí da casa da dona Olga, que nos recebeu com todo acolhimento
Rio Cunani, no parque Nacional do Cabo Orange
Sobre a origem do Cunani e a República Independente do Cunani 
No extremo sul do Parque existe uma comunidade chamada “Cunani” ou “Vila de Cunani” cuja origem remonta a história da República de Cunani. Em resumo, a Vila de Cunani era a capital da República de mesmo nome que foi originada na época do contestado Brasil/França pela região do Amapá. Duas foram as tentativas de fundar e manter a república, uma em 1885 e outra em 1902, a primeira foi rechaçada pelo governo Francês e a segunda pelo governo brasileiro. Hoje, há poucos vestígios da república na região, mas com um bom guia é possível entender um pouco do modo de vida da comunidade e ter uma ideia de como era o modo de vida naquela época.[8]
Bandeira da República do Cunani
Calçoene. Um município cheio de potencialidades 
Em Calçoene, acompanhamos a atenção de Clécio ao setor pesqueiro. Reunião com pescadores, visitas às fabricas de gelo e à indústria de beneficiamento de pescado.
Todo o setor reclama da falta de uma agência bancária no município. “O pescador chega da pescaria e quer vender seu peixe recebendo na hora”.
Também reivindicam um local com estrutura para encostar seus barcos e uma casa de apoio, onde possam ter banheiros .
Calçoene tem energia de qualidade, estrada asfaltada e pode ser um grande polo de desenvolvimento da pesca.
Clécio diz que é preciso trabalhar com toda a cadeia produtiva da pesca para viabilizar a atividade econômica, com apoio de tecnologia e incentivos, desde a manutenção e modernização de barcos, mecânica náutica, carpintaria naval, e produção de conhecimentos na área, que estimulem os jovens a atuarem no setor .
Visita a Cunhaú Industria Pesqueira
A Cunhaú é uma fábrica de processamento de pescado, que funciona desde 2001 em Calçoene, com controle de qualidade, SIF,  que beneficia peixes do Amapá e tem clientes em vários estados do Brasil, gerando renda e trabalho no município.
Na foto, a Gleiciane, que explica tudo sobre o funcionamento da fábrica, é filha de Calçoene e engenheira de pesca formada pela UEAP.  Sabe muito sobre pesca e sobre todo o setor.
  • Maravilhosa região! Infelizmente dentro do PARNA CABO ORANGE. Com todo esse potencial histórico, já foi tentado pelas “otoridades” ambientais, sua mudança para a outra margem do Rio Cunani. Como se a história pudesse ser trocada de cenário pela vontade de alguns xiitas.

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