Tá no blog do jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo

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Contra Sarney, PSOL lança ‘anticandidato’ no Senado

Dono de uma bancada de dois senadores, o PSOL decidiu “disputar” com o grão-pemedebê José Sarney a presidência do Senado.

Chama-se Randolfe Rodrigues o postulante do PSOL. Elegeu-se pelo Amapá, o mesmo Estado que mandou Sarney ao Congresso.

“Uma segurança nós já temos: o próximo presidente do Senado será do Amapá”, ironiza Randolfe.

Ciente de suas limitações, o novato do PSOL se autodefine como um “anticandidato”. Compara-se a um velho ícone do ex-PMDB:

“Nós carregamos o simbolismo de uma anticandidatura. Navegamos nas mesmas águas que Ulysses Guimarães navegou”.

Formado em História, o senador Randolfe alude um verbete da enciclopédia referente a 1973, ano em que o Brasil respirava os ares da ditadura.

Nessa época, Ulysses liderava um PMDB que ainda se chamava MDB. Sarney militava na Arena, o partido do regime militar.

Ulysses lançou-se na corrida presidencial. Sabendo-se derrotado, discursou assim na convenção do MDB, em 23 de setembro de 1973:

“Não é o candidato que vai percorrer o país, é o anticandidato, para denunciar a antieleição, imposta pela anti-Constituição”.

O general Ernesto Geisel prevaleceria sobre Ulysses no colégio eleitoral por 400 votos contra 75.

Mal comparando, dá-se coisa parecida no Senado de 2011. Sarney, agora um morubixaba do PMDB, tornou-se, por assim dizer, um candidato fluvial.

Todos os partidos com assento na Casa escoaram, em movimento lerdo e passivo, para o colo de Sarney.

Não fosse a decisão do PSOL de nadar contra a maré, Sarney seria unanimidade. “Pelo menos dois votos nós teremos”, diz Randolfe.

Sua conta inclui, além do próprio voto, o de sua única colega de bancada, a recém-eleita Marinor Brito (PSOL-PA).

“A anticandidatura não é um gesto fortuito, impõe responsabilidades”, diz Randolfe. Mirando-se em Ulysses, o PSOL deseja como que denunciar uma “antieleição”.

Além do canudo de historiador, Raldolfe é bacharel em Direito e mestre em ciência política. Embora neófito nas artimanhas do Senado, parece dominar a simbologia da Casa.

Ele resume assim a mensagem de seu partido: “Nos últimos quatro anos, o Senado viveu uma gravíssima crise ética e moral…”

“…Seria importante que os senadores sinalizassem para a sociedade alguma preocupação com a mudança. Nós não acompanharemos a maioria”.

Sarney caminha para a tetrapresidência sem o inconveniente de ter de debater um programa para sua “nova” gestão.

Para diferenciar-se, Randolfe esgrime uma plataforma que, no mínimo, lembrará aos 81 senadores que, se quisessem, teriam o que fazer. Consiste em quatro pontos:

1. Autonomia: “O Senado tem de ser protagonista da cena política, independente e autônomo. Não pode ser Casa de recepção de medidas provisórias. As que forem aceitas, tem de respeitar os preceitos constitucionais de relevância e urgência”.

2. Fiscalização: “O Senado, assim como a Câmara, tem a obrigação de exercer a nobre atribuição constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo”.

3. Ética: “O Senado não pode fingir que nada aconteceu. A Casa tem de passar por uma profunda reforma ética: transparência de todos os atos e nomeações, contas na internet, tudo submetido ao controle público”.

4. Reformas: “Queremos agilizadar as reformas política e tributária. Não reformas de interesse dos políticos, mas da sociedade. O Congresso não pode ser presa do Executivo. Sua agenda tem de ser a agenda do Brasil”.

Segundo Randolfe, o PSOL não é movido a caprichos. O partido se dispõe a apoiar “outro candidato mais viável, que encarne a mudança”.

Nesta sexta (28), o próprio Randolfe abriu diálogo com colegas de outras legendas. Procurou Lindberg Farias (PT-RJ) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Egresso do movimento estudantil, Randolfe conhece Lindberg da UNE. Os dois pintaram a cara e foram ao alfasto pelo impeachment de Fernando Collor.

Hoje, porém, Lindberg está noutra. Integra uma megacoligação que inclui Collor e, sobretudo, Sarney. Disse que não tem como divergir da posição oficial do PT.

Cristovam, ficou de fazer consultas. A legenda dele, o PDT, compõe a mesma supercoligação. Seu mandachuva, Carlos Lupi, chefia o Ministério do Trabalho.

“Se o diálogo não prosperar, o PSOL terá candidato. Está resolvido”, diz Randolfe, em timbre peremptório.

Sabe que não tem a mais remota chance de prevalecer sobre o candidato fluvial. Mas deseja borrifar na corrente pró-Sarney palavras incômodas:

“No mínimo, o Senado teria de fazer uma autocrítica. Tudo está acontecendo como se nada de extraordinário tivesse ocorrido aqui. A sociedade espera mais”.

  • Um presente para nós eleitores. PQP! Humor é a saída, Grace Gianoukas em um texto bacana pra todos os nossos “políticos sacanas”.

  • O jogo agora está empatado. Nos últimos vinte anos “tivemos” um senador que nada fez pelo desenvolvimento do Amapá e ainda nos fez passar vergonha e servir de piada ao restante do país, através de sua forma anacrônica de fazer política. Com competência técnica e moral forja em valores das lutas sociais o Senador Randolfe Rodrigues por certo dará ao Brasil muito orgulho, por fazer a política como pedem os ritos republicanos. Sorte bravo companheiro!

  • minha cara alcinea ,eu ñ votei no senador randolfe ++ ele e nosso senador pelo amapa espero que ele faça a diferença no senado federal.ñ se dobre para esse do bigode(sarney)

  • Mesmo que não prevaleça sobre o continuismo, só o fato de lembrar aos outros as premissas que deveriam ser levadas em conta naquela Casa, já valerá… E tbem o fato de representar o novo; a angústia do povo que pensa e se desespera em ver que nada muda; enfim, representar o meu voto, ah Senado, tudo valerá a pena… Espero muito que Randolph seja a voz do povo, que não quer calar! Como dito na msg enviada por ele de boas novas no novo ano: A vida não tem ensaios…Um brinde ao que está sempre em nossas mãos: a vida inédita pela frente!** Um brinde aos quatro anos que começam! Tchim,tchim… Seja a pedra do sapato de todos eles.

  • Não tenho nada contra a Canditadura de Sarney. Mas dou meus parabens a essa iniciativa do PSOL, pois chega dessa unanimidade burra. É uma ótima mensagem para todos os Legislativos do Pais. O Brasil já está cansado inclusive o Amapá de ver sai ano entra ano as eleições de presidente das Casas de Lei de transformarem em indicações provenientes de acordões e distribuições de Cargos na Mesa.

  • O Randolfe tem que aproveitar a chance de ter ganhado por rejeição de voto…o meu voto foi um..e de toda minha família.e ele tem que trabalhar bastante pra não cair no esquecimneto…

  • A candidatura de RANFOLFE à presidência do senado da república tem muita importância política no cenário nacional. É o momento de se debater o verdadeiro papel daquela casa de leis e as alternativas para se construir um país aonde todos possam ter oportunidades iguais. Discutir o Brasil é questionar as oligarquias que até hoje dominam o país e que são responsáveis pelo atraso político e social em que vivemos. Randolfe sabe o que é ser minoria, mas sabe de destacar pela sua experiência e conhecimento da realidade brasileira. Era minoria na Assembléia do Amapá quando aprovou a licença materndade de 4 para 6 meses e foi, também, o relator da reforma da constituição do Amapá. Deu um baile naquela casa.

    Derrotando caciques de peso da política local, tem uma nova missão e uma grande tarefa em Brasília. Randolfe não teme desafios e a prova disso é sua candidatura à presidência do senado federal. Sarney e seus áulicos que se cuidem, o garoto tem o dom de tirar leite de pedra e dará muito trabalho aos “velhos de Brasília”.

    Parabéns Randolfe, sorte e muitas lutas em Brasília. FÉ NA VIDA, FÉ NO QUE VIRÁ!

    AGORA SÃO OUTROS 500!

  • vai lar menino vc representa de fato o povo do amapa.o zoio representa apenas a familiar dele, o do bigode representa o maranhão e muito mal. vcs viram a reportagem do fantartico sobre a segurança lar pelas quelas bandas de lar.estado governado pela filha do presidente do senado.o senhor do bigode.

  • É isso aí Randolfe, mostre a que vc veio! Vc pode até não ganhar a presidência, mas vai demosntrar sua, nossa, insatisfação com o q está ocorrendo aí em Brasília.
    Meus parabéns pela atitude, vc honra meu voto de confiança!!!

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