Sobre o desempenho da economia amapaense

José Reinaldo Picanço*

*Professor, Doutor em Ciências Sociais.

 

Historiadores e outros pesquisadores sérios sabem que para fazer a análise de certo período histórico e econômico, é preciso cumprir critérios básicos como a compatibilidade entre os horizontes temporais e as variáveis pesquisadas. Também é fundamental comprovar com dados e informações que sustentem suas conclusões. Qualquer análise que queira ser confiável deve cumprir requisitos mínimos, sob pena de cometer equívoco metodológico ou servir a interesses não assumidos.

Olhando para o desempenho da economia amapaense, faço aqui a comparação entre dois períodos que coincidem com os governos do PSB e do PDT. No quesito geração de empregos, recorro aos dados do CAGED do Ministério do Trabalho, focando no número de empregos formais nos períodos de 2003 a 2006, de 2007 a 2010 e de 2011 a 2014.

 

No gráfico 1, apresenta-se o número absoluto dos empregos gerados nesses intervalos de tempo. Esse indicador mede o nível de emprego formal, que tem a vantagem de garantir o cumprimento dos direitos sociais e trabalhistas. No gráfico 2, apresenta-se o saldo gerado pela diferença entre contratados e demitidos.

 

Gráfico 1   

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Gráfico 2

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Os dados acima mostram que o saldo de emprego entre 2011 e 2014 foi 3 vezes maior que na gestão de 2003 a 2006 e mais que o dobro que de 2007 a 2010. Em 03 anos e meio de mandato, o governo Camilo superou em quase 50% a soma de saldo de emprego de 08 anos do governo passado.

Analisando os elementos que compõem esse indicador de empregabilidade, observa-se que nos setores de Comércio, Serviços e Construção Civil, o governo Camilo obteve o dobro de empregos formais, quando comparado com a gestão de 2003 a 2006 e superou em mais de 70% a média de 2007 a 2010, com destaque especial para administração pública.

Focando exclusivamente no comércio, o saldo de empregos entre de 2003 a 2006 foi de 2.830, e de 2007 a 2010 foi de 3.087. De 2011 a 2014 esse saldo é de 5.321 empregos com carteira assinada.

 

 

Abertura versus fechamento de empresas.

 

Sobre a taxa de mortalidade das empresas amapaenses, tomamos como fonte as informações da Junta Comercial do Amapá – JUCAP e comparamos os anos entre 2007 a 2010 com os de 2011 a Julho 2014. Mostram os dados que, na gestão passada foram constituídas 8.545 empresas e extintas 1.383, o que representa uma taxa de mortalidade de 16,18% no período. No governo de Camilo foram criadas 14.256 empresas e 2.071 foram paralisadas, estabelecendo uma taxa de mortalidade de 14,52%, menor em 1,66% em relação ao período anterior. Os dados mostram que o número de empresas formalizadas entre os dois períodos analisados, é maior no governo atual quando já foram criadas 5.711 (66,8%) empresas a mais que na gestão anterior.

 

Outra informação fundamental para medir a saúde da economia é o crescimento do PIB – Produto Interno Bruto, que registra toda a riqueza gerada em determinado território. Uma análise comparativa mais completa entre os períodos de gestão fica prejudicada, visto que as pesquisas das Contas Nacionais do Brasil, coordenadas pelo IBGE, são publicadas com uma defasagem temporal de quase três anos.

 

O resultado do último PIB publicado com dados de 2011, mostram que o Brasil teve crescimento real de 2,9%, a Região Norte 3,5% e o Amapá 4,9%. Portanto, a economia amapaense cresceu quase o dobro da nacional, chegando à cifra de R$ 8.968 bilhões, que comparado ao ano anterior (2010) representa um crescimento a preços correntes de 8,5%. Aqui merece destaque o desempenho do setor de Comércio e Serviço de Manutenção e Reparação, que cresceu 13,6%.

 

Todos esses dados desmancham um discurso que tem sido colocado a exaustão pela oposição, bem como por alguns de seus analistas de plantão, que tentam dar veracidade aos argumentos daqueles. Tentam fazer crer que a economia do Amapá está mal das pernas e que pouco dinheiro circula no comércio local.

 

Para um observador mais atento, não é o que mostra a realidade das ruas. O termômetro mais evidente do momento positivo da economia amapaense é demonstrado pelos investimentos do empresariado. Observa-se o crescimento e abertura de novas lojas das principais redes locais, inauguração de Shoppings e lojas de departamentos: Vila Nova (início de 2013), Amapá Garden (final de 2013), Santa Lúcia Center (meados 2014), Macapá Shopping (com inauguração anunciada). Grandes redes nacionais e internacionais também chegam ao Amapá, como é o caso do Carrefour que está com as obras adiantadas e prevendo inauguração até o fim do ano. Outros setores importantes também apresentam desempenham significativos, como é o caso da construção civil, da geração de energia, do agronegócio e do mercado imobiliário.

 

 

Todos esses investimentos estabelecem um processo de transição no mercado local, que caminha para uma acomodação. O aumento do número de empresas, a desconcentração comercial e a mudança de hábitos do consumidor, que passou a usar mais o cartão de crédito, aumentou a competição entre as empresas e exige melhor qualidade de gestão por parte do empreendedor.

 

 

Aqueles que negam essa realidade estão com miopia metodológica ou a serviço daqueles que tentam, mais uma vez, faltar com a verdade e enganar a opinião pública amapaense. Que fique claro: nenhum empresário amplia ou inaugura um empreendimento se o ambiente econômico e institucional não for favorável e lhe de segurança do retorno do investimento.

 

O poder público também está fazendo sua parte, arrumou a casa pagando dívidas herdadas com consignados, com previdência, com INSS e imposto de renda. Em outra frente faz investimentos em infraestrutura viária, pontes, conjuntos habitacionais, saneamento, obras hospitalares e escolas, que fomentam a economia e preparam o Amapá para o futuro.

 

 

 

  • Boa tarde Caro Professor, eu sou economista e trabalho no Instituto de Pesquisa do Comércio, e acompanho mensalmente os dados do CAGED E IBGE. Gostaria de dizer que de acordo com minhas pesquisas à base de dados do CAGED, esses resultados apontados em relação ao período de 2011 a 2014 não batem com as informações do site. entre 2011 e 2014 foram gerados 112.370 empregos e não 151.828 como consta no seu gráfico, e os desligados somam 106.140, o que resulta em um saldo de 6.230 postos de trabalho, e não 16.736, me desculpe se eu estiver enganada, mas gostaria que você confirmasse na sua fonte, pois os demais períodos batem no resultado, menos o período de 2011 a 2014. Obrigada pelo espaço Alcilene.

    • Beatriz, vc está certa, não sei de onde o secretário tirou esses dados, mas estão absolutamente equivocados. Também sou economista e tenho mestrado em economia. Informações como está, que visa apenas alienar as pessoas, me envergonha. Além do mais, mostrar empreendimentos novos como prova de avanços do Governo é outro erro, é evidente que se a população aumenta o mercado consumidor passa a ser mais atrativo para as empresas de comércio e serviço. Gostaria de ver é o Amapá atrair indústrias, ai sim eu diria que é resultado das políticas de investimento do Governo. Confira o CAGED http://bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_perfil_municipio/index.php

  • O blog publica textos sem teste de resultados? Sei não meio suspeito hein. O blog é AMARELO? está na folha de pagamento?

  • Tudo bem, se os dados estiverem corretos, porque a enorme rejeição do povo ao governo Camilo? Se a resposta for a imprensa, as rádios “oficias” estão fora do ar?

  • Mesmo que os dados apresentados pelo Prof. José Reinaldo Picanço estejam equivocados e que as correções apresentadas até aqui sejam verídicas, ainda assim se verifica um avanço da economia do Estado do Amapá de 2011 a 2014 no que tange ao aspecto emprego,
    ao contrário daquilo que é noticiado pela imprensa/suporte da “turma da Harmonia” e na propaganda eleitoral realizada pelos candidatos ao governo do Estado do Amapá que fazem oposição ao atual governo. Por que a imprensa a serviço da turma da harmonia não divulga, com fidedignidade, as realizações e/ou omissões do governador, comparando-as com as do ex-governador Waldez Góes, que, como estratégia da campanha eleitoral só sabe dizer “Waldez fez e vai fazer muito mais”, sem entretando declinar quais foram as realizações? Façamos uma confrontação das realizações dos dois governos, mesmo sendo do atual de quase quatro anos e o ex de oito anos. Que se comparem dados. Ex. Construção de escolas e de salas de aula; construção de hospitais, UPAs, leitos hospitalares, aquisição de aparelhos médico/odontológicos;quilometros de rodovia (pavimentadas ou não); número de funcionários públicos aprovados e nomeados através de concurso público, e assim por diante. Tenho certeza que se esses dados fossem apurados com transparência e amplamente divulgados, as pesquisas eleitorais não seriam tão favoráveis ao ex-governador. Por não dispor desses dados, convido os visitantes desse blog e que tenham essas informações, pró ou contra o governador, que façam a divulgação a fim de que possamos fazer uma avaliação real da situação. O desafio está lançado e que o resultado doa a quem doer.

    • Nonato, vc deve tá de brincadeira quando diz “mesmo que os dados estajam equivocados”. Veja, estão muito equivocados, de quase 17 mil empregos apontados, são pouco mais de 6 mil na realidade, é 1/3 do que ele mostra, ficando a baixo do período compreendido entre 2007/2010, isso é muito grave, justamente porque devido ao aumento da população e a atração de novas empresas de comercio e serviço (que definitivamente nada tem a ver com o governo), o natural seria um crescimento. E olha que o Secretário começa o texto falando de “historiadores e pesquisadores sérios” depois me faz uma análise absurdamente equivocada. E pior, vc concorda!

  • A maioria desses empregos é gerada pela construção de três hidrelétricas, cuja construção nada tem a ver com politicas estaduais de desenvolvimento. São empregos temporários. Por outro lado dizer que shopping’s e supermercados são sinais de desenvolvimento é balela. São sinais de consumismo, proveniente de uma economia de salários, de um estado que é o paraíso do emprego público. Isto é crescimento e não desenvolvimento. O fruto da arrecadação própria é reflexo da circulação dessas verbas públicas, oriundas do FPE E FPM. Somos um estado parasita. Nossa cadeia produtiva é nada.

  • Esse blog, por sinal, muito bom, apesar das tendências, as vezes políticas da blogueira, é um espaço para publicação de informações e de leituras de formadores de opiniões. Por isso volta e meia venho por aqui. Me parece que temos uns “publicadores” que acham que aqui os leitores desse espaço tem o nariz furado ou são cegos. Nada contra quem tem o nariz furado ou quem tem deficiência visual. Mas manipular informações com vista a enganar leitores que ao meu ver são pessoas bem esclarecidas, é uma tremenda perda de tempo e claro que abre os olhos desses leitores, que são formadores de opinião, que a informação manipulada é tendenciosa, e normalmente para amarelos ou azuis. O Povo é o maior termômetro para medir a popularidade e as realizações de um determinado governante. E me parece que o nosso povo, me incluo ai no meio, não esta querendo carregar alegremente o nosso atual governador para a glória de uma reeeleição. Mas o povo, é o povo, o poder emana dele. Esclareço que também não gosto da idéia de dar + quatro anos de governo para o azulzinho, pois os descalabros administrativos pioraram a nossa situação. O amarelinho também levou o barco mais para o fundo. Em fim são 20 anos, com aparências que serão 24, que amarelos e azuis dão as cartas por essas terras tucujus. E a oratória é a mesma, nossas familias são o melhor para o Amapá, nossas oligarquias são o melhor para o Amapá. Mas o povo quanto mais sofre, mais vota nesses distintos senhores que ao meu ver não precisam provar o tamanho de suas incompetências. O distinto economista esqueceu de dizer que o mega empreendimento consumista do Shopping Garden, abriu com 33 lojas, sendo que 107 ficaram fechadas. E que a economia espetacular do Amapá ainda não conseguiu fazer as outras 100 abrirem após um ano de inauguração. Acho que é o único shopping do mundo inaugurado com 1/4 das suas lojas abertas. E ainda acham que esses números espetaculares substituem os olhos de quem vê. Me dá uma senha ai para que eu possa entrar na fila de espera para abrir uma loja no Garden.

  • Realmente as pessoas ´precisam de informações. Todos os anos o Comércio foi o maior empregador, mesmo com o grande avanço no setor da construão civil.
    É so pesquisar.

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