Sim. Eu tenho amigo na Globo..

Brincadeiras a parte, Ronaldo Fayal é um grande amigo, que foi um verdadeiro irmão na época em que eu estudava em Belém.

Sempre foi talentoso e dedicado em tudo o que fazia. Na faculdade. Como ator e como maquiador.

Tenho, claro, acompanhado seu sucesso com orgulho. E por isso divido com vocês essa matéria publicada ontem no Diário do Pará.

Ronaldo Fayal: maquiador paraense na Globo

 

Quem acompanha a enfermeira Norma sabe o quanto ela mudou no decorrer da novela “Insensato Coração”. De pobre moça ingênua a milionária vingativa, a personagem de Glória Pires passou por uma verdadeira metamorfose. E a maquiagem da personagem acompanhou essa transformação.

Mas o que pouca gente sabe é que por trás dessa mudança está o talento de um paraense. Ronaldo Fayal integra o quadro de maquiadores da Rede Globo, onde trabalha no núcleo de teledramaturgia – uma função importantíssima em tempos de HD. Ele ingressou na emissora em 2005, e desde então vem emendando um trabalho atrás do outro, resultado da dedicação e do amor pelo que faz.

Essa história começou bem antes, com a paixão pelo teatro produzido em Belém nos anos 70 e 80, época de grandes experimentações cênicas, marcada pelo talento e ousadia de nomes como Zélia Amador e Luís Otávio Barata. Fayal relembra um pouco de sua trajetória na entrevista a seguir, concedida por e-mail.

Do teatro ao cinema e TV

P: Como você iniciou a sua carreira? Tudo começou no teatro?

R: Sim, acho que tudo começou como espectador de teatro. Lembro bem de uma montagem de “Angélica”, do Grupo Cena Aberta, que assisti ainda na infância, no anfiteatro da Praça da República, com Zélia Amador no elenco. Mais tarde ela seria minha professora de teatro na Escola Kennedy, que na época tinha teatro como disciplina opcional.

Quando terminei o primário, já tinha algum contato com os grupos de teatro da cidade, e em pouco tempo estava envolvido com um deles, que nem tinha nome. Nos encontrávamos no Colégio Santa Catarina, e lá conheci o Uirandê Holanda, que mais tarde me empurrou para o mundo da maquiagem como profissão. Mas o começo foi mesmo a busca pelo trabalho do ator, foi o encanto pela capacidade de mudança, de metamorfose do ator diante dos meus olhos.

P: Quais as suas recordações mais fortes dessa época? Quais espetáculos te marcaram?

R: Tenho muitas lembranças boas, mas o que sempre foi mais forte, e que fez a diferença, é ter tido a oportunidade de conhecer pessoas fazedoras de arte, como Luis Otávio Barata, que me influenciou esteticamente de forma definitiva. Depois do “Angélica”, que tinha direção e figurino do Luis, salvo engano, “Pluft, O Fantasminha”, do Grupo Experiência, marcou a minha infância. Virei um espectador, e na adolescência assisti a alguns espetáculos como “Theastai Theatron”, do Cena Aberta, e “Aquém do Eu Além do Outro”, do Grupo Cuíra, só para citar alguns que me marcaram e que traziam à cena a estética do Luis Otávio. Não demorou para que eu passasse de espectador a participante ativo na criação do espetáculo, na montagem “O baile em Hiroshima logo após a bomba”, do Grupo Cuíra, que trazia a discussão sobre política cultural para o teatro e me aproximou do Luis Otávio. Isso abriu caminho para a minha participação no Grupo Cena Aberta, que iniciou com “Genet, o Palhaço de Deus”, espetáculo que considero um divisor de águas na minha vida e na minha forma de ver o mundo.

Neste período também me formei em Sociologia, tudo na década de 80, que considero um período muito rico para a produção artística em Belém. Na década seguinte, eu teria a minha primeira experiência como maquiador no cinema, quando trabalhei no filme “Brincando nos Campos do Senhor”, de Hector Babenco, onde conheci Jaques Monteiro, o maquiador do filme, que me fez ver a maquiagem como forma de expressão, como linguagem.

 

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