Saudades do PDSA

Por Elson Martins – Jornalista.

Com o titulo acima o professor-doutor Marco Antônio Chagas, da Universidade Federal do Amapá, escreveu um primor de artigo destacando o programa de governo que assegurou dois mandatos a João Alberto Capiberibe, do PSB, de Janeiro de 1995 a abril de 2002. Ao ler o texto, fiquei surpreso de ver como o professor que no período assumiu duras criticas ao Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá, afirma agora ser este “o único planejamento estratégico que o Amapá teve nas ultimas décadas¨.

 

Concordo plenamente, e parabenizo o doutor pela coragem da afirmação. Principalmente por acrescentar que o PDSA deu passos importantes para equacionar o fato do Estado ter atingido 90% de sua população morando em centros urbanos, em cidades desestruturadas e sem capacidade de gerar emprego”, e que a solução para esses problemas foi contida “pela elite do atraso”.

Vale a pena reproduzir como Marco Antônio descreve essa elite”:

 

“A elite do atraso no Amapá é institucional. Está por dentro das instituições e foi forjada em canetadas oficiais como gratidão à bajulação e a fidelidade dos compadrios que perduram até hoje. O PDSA enfrentou a elite do atraso, mas se rendeu diante das reeleições inseguras, disputas orçamentárias e ameaças de impeachment”.

 

Sou testemunha desses acontecimentos, porque sou amigo do então governador do PDSA desde os tempos da militância politica contra a ditadura militar e civil de 1964. E também porque editei um jornal diário, a Folha do Amapá, com o compromisso ideológico de defender a sustentabilidade do povo amapaense. Conheci a “elite” de perto, a começar pelos desembargadores que Capiberibe considerou suspeitos de julgar qualquer ação contra seu governo.

 

A “elite do atraso” se completa com os políticos conservadores que ganham assento na Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado comprando votos; cabos eleitorais que sobrevivem de maracutaias; funcionários corruptos; comerciantes insaciáveis que adoram enfiar as mãos nos cofres públicos; peixes graúdos e miúdos caindo de montão nas malhas da Policia Federal; e por aí vai!

 

O PDSA tem muitos bons exemplos a serem citados. Primeiro, como admitiu o professor, teve um planejamento estratégico, elaborada com exaustivas discussões no Torrão Bonito do Curiaú, seis meses antes das eleições. Lá foram priorizadas ações para criação da Escola Bosque do Bailique, a reconstrução do Trapiche sobre o Rio Amazonas, a distribuição de lotes semi urbanizados para famílias com baixa renda, estabelecimento de relações com a Guiana Francesa (ponte sobre o Rio Oipoque e Escola de língua francesa Danielle Miterrand), criação do Museu Sacaca, Centro Cultura Negra, entre outros.

 

Em fevereiro de 1996, Capi fez um tour por cinco países da Europa apresentando seu PDSA. Foi aplaudido nas palestras que fez na Alemanha e na Franca, nas visitas a Portugal e Bélgica, obtendo apoio e entusiasmo em cidades francesas como Mompellier e uma outra que não lembro o nome, o que resultou em inúmeras parcerias, intercâmbios e cooperação científica.

 

Um exemplo da transformação da floresta em produção sustentável sobreviveu ao esforço que o atual governo, Valdez Goes, fez para apagar a sigla PDSA., ela pode ser vista na região dos castanheiros do Vale do Jari, onde foram construídas duas usinas de beneficiamento d castanha, uma delas ‘a no meio do mato, em 860 mil hectares resgatados da empresa Jari Florestal que havia grilado a ‘area. Os castanheiros continuam produzindo azeite e outros subprodutos da amêndoa que fornecem para a Natura..

 

Eu também sinto saudades, de verdade, do PDSA, meu caro Marco Antônio Chagas. Saudade do tratamento dado aos chefes indígenas do Amapá, que eram recebidos na residência oficial do governador como chefes de Estado. Saudade das festas de fim de ano junto a Fortaleza São José de Macapá, que a população queria ver de perto. Saudade do bondinho do Trapiche. Saudade do Marabaixo e do encontro dos tambores, quando povo dança e ri sem medo.

(24/02/2022)

Bondinho do Trapiche

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