Saudades De Um Herói.

HIRENE GIBSON PENNAFORT.

 

Tudo começa quando nascemos, aprendemos a falar, e depois andar, e conhecer pessoas, e assim sabemos que começamos a crescer, e descobrir o quanto o mundo trás para todos nós uma surpresa, pode ser boa ou ruim, pode nos fazer sorrir ou chorar, nos fazer acreditar e desacreditar, mas ele nos faz ter fé para fazer com que tudo possa dar certo.

Era pequena quando perdi o meu pai, tinha por volta de uns cinco anos, então todos me diziam que ele estava viajando, ou que estava lá em cima, mas que não podia voltar então a nossa ingenuidade quando somos crianças é a maior que possamos imaginar, não sabemos o que acontece com quem morre, e sempre pensamos que eles podem voltar, mas depois quando cresci um pouco mais, descobri que isso era o ocorrido, meu pai nunca mais poderia voltar, e assim temos que compreender e continuar a viver.

Temos sempre alguém para nos apoiar, primeiramente temos Deus, depois a nossa família e nossos amigos, mas quando se é uma criança se tem apenas a família do nosso lado, sinceramente o mais difícil é quando você cresce e vê seus amigos com seus pais juntos, e também quando chega o dia dos pais e não temos, ele ao nosso lado, para estar presente, dizer que o ama muito, e dizer obrigada por tudo que ele fez, e faz por você.

Recordo-me de poucos momentos, mas que foram os melhores para mim, devo ter passados, mas momentos com ele, mas infelizmente não tive a sorte de lembrar-me de todos, sei que fazia de tudo para me ver sorrir, e para me proteger, ele foi o herói da minha vida, aonde quando eu me derrubava, ele me levantava e sim com certeza me ajudava, acabei pensando que ele seria para sempre, que ele nunca poderia ir e não voltar.

Há dias que acabo imaginando coisas, que pra mim poderiam ter acontecido, ou que quem sabe aconteceram realmente, imagino, ele me contando histórias antes de dormir, ter brincado comigo, conversado sobre algo que pra mim parecesse interessante, mas para ele poderia ser apenas um assunto de criança que me faria feliz, ou apenas ter deitado ao meu lado e tenha me colocado para dormir, e quem sabe quando ele tivesse chegado de algum lugar e mesmo cansado tenha feito algo que eu goste apenas para me agradar.

Eu conheci o melhor homem do mundo, quando eu nasci, e descobri isso ao passar do tempo, em momentos que você está apenas pensando no que ele pode ter sido, o que ele deve ter feito, apenas me contam o quanto ele era inteligente, e bom para todos, e amava minha mãe minha irmã e a mim também.

Diziam-me que ele sempre esteve presente comigo, não deixava escapar nada do que eu fazia, para ele tudo era bom, eu vi as fotos que ele tirava de mim quando criança, ando sempre com uma foto, que eu estou com ele em uma bicicleta, pois a cada manhã bem cedo, ele andava de bicicleta comigo, dizia que era o que fazia bem a nossa saúde, eu não me lembro disso também, mas vi a foto e como sempre me contaram isto.

Pensamos em vários tipos de coisas que poderiam ter ocorrido em poucos anos, mas que para mim valeram muito mais do que simples dias, horas, minutos, e segundos, mas valeram para ele me ensinar a ser um pouco a ser essa pessoa que sou hoje, sei que ele sempre vai estar perto de mim, não como pessoa por enquanto, mas sim com seu espirito sempre a me olhar, e a me proteger.

Certa vez fizeram a ele uma homenagem, passou na televisão, eu assisti, e sinceramente chorei, mas não de tristeza, e sim de saber que ele sempre foi este homem, que para mim foi único, que nunca poderá ser substituído e que sim merece todas as homenagens do mundo, sei que seu nome já está eternizado a todos, para lembrarem o quanto ele foi um bom amigo, um bom marido, e principalmente a mim um bom pai.

Perguntam-me às vezes se eu sinto sua falta,  acho que as pessoas que me perguntam isso não sabem o que é perder um pai, é como se você vivesse sua vida pela metade, como se mesmo tendo tudo sempre estivesse incompleta, claro tenho minha mãe que é como se fosse um pai pra mim também, e isso que acaba me ajudando a entender que eu posso ter os dois só em uma pessoa, ela é o que mais me demonstra o quanto ele valorizava a nossa família, e que nunca nos abandonou, mesmo tendo falecido.

Queria entender o porquê, de ele ter ido logo, sei que Deus é que diz quem vive ou morre, e ele sabe o que faz isso pode ter sido bom a ele, pois já estava sofrendo, pois estava muito doente, e penso também que isso deve ter sido melhor a ele também, e sei que agora ele está em paz.

Eu o vi duas vezes, em sonhos, não pensei em acordar, queria ficar vendo ele por um bom tempo ali, como sempre parado me olhando e sorrindo para mim, como se estivesse olhando para algo que lhe fizesse muito feliz, espero que os cinco anos que passamos juntos eu tenha lhe feito bem, tenha o feito sorrir e tenha mostrado em poucos momentos o quanto eu o amava, e o amo até hoje.

Tem vezes que pego alguns livros, jornais que ele escreveu e fico pensando, como Hélio Pennafort, poderia escrever tudo isso, para ele era tão fácil coisas que nos fazem pensar tanto e para ele era prazeroso de se fazer, uma de suas felicidades era isto, escrever, ele mostrava uma paixão enorme por sua profissão que era ser jornalista, algo que certamente poucas pessoas devem gostar, mas ele foi um dos melhores jornalistas conhecidos em nossa cidade, e isso me faz ter o maior orgulho de ser sua filha, um homem que tinha um amor pela arte do jornalismo, pelas histórias, por tudo que envolvesse leitura.

Olham para mim e sempre dizem que eu sou muito parecida com ele no jeito de falar, de ser, fisicamente, bom em vários aspectos que sinceramente, eu me sinto muito feliz quando isso acontece, gosto de quando dizem que sou parecida com ele, isso mostra que sou alguém que um dia eu quero ser, uma pessoa parecida com ele, para mim meu pai é uma grande inspiração, o que me ajudar a crescer e a pensar em algo para fazer no futuro, penso que ele iria querer me ver sendo assim, pensando sempre no que poderá me fazer bem e fazer bem a minha família.

Penso a cada dia que poderei reencontrá-lo, pode demorar o quanto tempo for mas sei que poderei olhar para ele novamente, e ele poderá me contar todos os momentos, e sei que iremos rir, e que vou abraça-lo e ficar perto dele novamente, eu vou contar a ele tudo o que aconteceu,  e dizer o quanto senti a sua falta, e queria ele ao meu lado, mas acima de tudo, irei dizer o quanto nunca deixei de ama-lo.

 

  • Vivemos numa cidade na qual ainda é possível termos esse tipo de sentimento. Também lembro do meu pai, um batalhador por esta terra. São heróis assim que devemos reverenciar, imortalizando-os com referência a logradouros públicos e histórias de seus feitos, contados tal qual a publicação deste blog. Parabéns pelo texto.

  • Conheci e tive o prazer de trabalhar com o Hélio no inicio de minha carreira jornalistica. Era um ser humano inigualavel e um jornalista talentoso. Tambem lembro de vc, ainda de colo, uma vez que fui a casa dele, ali atras da Pediatria. Ja se vai uma decada sem o Helio, e a saudade continua…

  • Tenho uma foto de seu pai com membros de minha família(meu pai, tia e tios) tirada na Vila de Santa Maria Do Cunani no município de Calçoene. O que me inpressiona nos texto que vosso pai escrevia é a forma como ele sentia a vida dos homens e mulheres do interior. Também já perdir meu pai e entendo perfeitamente tua alegria e dor. Seja feliz e curta muito a memória deste profissional fantástico que foi vosso genitor!

  • Vc tem toda razao de ter saudades, ele era maravilhoso e amava muito sua familia. Tenho certeza que ele esta bem e com Deus. Tenho orgulho de ser sua sobrinha e de ter convivido com ele. Beijos

  • Peço licença para fazer uso de sua carta em uma aula de literatura da amazonia , quando estaremos falando sobre os autores amapaenses e é óbvio falaremos do Helio. Nada melhor do que suas palavras para definir um homem que lidava com palavras e sentimentos e que ao mesmo tempo conseguia bulinar nossas emoções e impressões desta terra. Bjs e que a saudade seja sempre sua companheira , pois so temos saudades de quem foi importante para nós.

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