Republicado, porque vamos voltar com essa coluna. “Sabores do Meio do Mundo. Alcione Cavalcante apresenta, em gostoso texto, um dos mais tradicionais restaurantes de Macapá”.

Restaurante da Raimunda: Do Pato à Torta, uma Saborosa Tradição

O Restaurante da Raimunda, ou simplesmente Raimunda, como sempre nos referimos, é um dos mais tradicionais recantos da cidade Macapá, localizado na Hamilton Silva, às proximidades do Glicério Marques, na Favela. Está por lá desde quando a Igreja de Fátima era a “Capelinha” e estava erguida onde hoje funciona o Pronto Socorro e onde se situa o Quartel dos Bombeiros, que nada mais era do que um campo de pelada que revelou vários craques como Lemos, o Mata, o Baraca (que por sinal tinha estilo e fino trato com a bola) e alguns projetados nacionalmente como o Rodrigues Chevrolet, o Baraquinha e os irmãos Aldo e Bira que vez por outra passavam por lá.

Raimunda é uma das pessoas mais interessantes da Favela. Trabalhou como merendeira por longos anos no então Grupo Escolar Coaracy Nunes e no Rondônia, onde conseguia, com sua imensa aptidão, tornar digerível o famoso leite “peidão”, doado pelos americanos através da Aliança para o Progresso, média feita em decorrência da guerra fria e do carisma do Kennedy.

Além da atuação, vamos dizer assim, oficial, elaborava lanches que eram vendidos nas ruas dos bairros da CEA e da Favela e faziam a festa não só da garotada, mas de professores, operários e transeuntes. Lembro bem do mingau com canela (de arroz ou seria milho?), o tacacá, o bolo de macaxeira e o impagável croquete de arroz com camarão. Essa trajetória refinou seu talento e a aprimorou a arte de cozinhar.

Mas vamos ao que interessa, ou seja, o baco-baco, o thembre, o boião, o rango, como dizemos no interior.

Várias são as especialidades da Raimunda, mas particularmente destaco o Pato no Tucupi e o Churrasco de carne bovina (pra quem gosta existe ainda de frango e de porco), ambos feitos artesanalmente e com temperos caseiros.

No churrasco, a carne é aberta em bifes grossos, assada em fogareiro, servida ao ponto, acompanhada de batata frita em finas rodelas, saladinha de tomate e cebola, arroz branco e farofa sequinha.

Churrasco-Raimunda-SAM_1692

O pato é sem dúvida top de linha. Não por acaso alguns amigos da Universidade Federal Rural do Rio, da Universidade da Federal do Paraná e do Ministério do Meio Ambiente, mesmo antes de chegar a Macapá, já me lembram do compromisso “uma noite dedicada ao pato no tucupi da Raimunda”. Feito da forma mais tradicional da culinária amazônica, ou seja, com tucupi (comprado no Pelado, na Favela), jambu e generosa participação da chicória e cheiro verde. Pra quem gosta, tem um molho de pimenta de cheiro no capricho, que só os anos e o traquejo podem dosar.

O pato é servido em prato individual (mas que dá pra duas pessoas), acompanhado exclusivamente por arroz branco, mas que se você pedir, pode vir com uma boa porção de farinha d’água baguda ou de ralo (também do Pelado, se não for, não serve). Salivou? Então pede uma porção de torta de banana que está no cardápio há mais de trinta anos e que é indescritível.

Se você quer conhecer, recomendo chegar cedo, pois o ambiente e pequeno e tem clientela regular e fiel, principalmente aos finais de semana.

Torta de Banana
Torta de Banana

Obs – Você também pode colaborar com o blog, dividindo com os leitores, os lugares que tem comidinhas bacanas, no Amapá.

  • Concordo com você Alcilene. Ja tive o prazer de saborear essas delicias. Mas quero aproveitar pra falar de comidas típicas. Tem uma outra Raimunda, mas conhecida por RAY que faz um sucesso com as suas delicias do Norte. Na verdade a Ray só fazia esses pratos deliciosos para os amigos e familiares em momentos comemorativos. Fazia e convidada seu rol de amizade para degustar, e, claro, gratuitamente. Ocorre que achavamos um absurdo que outras centenas de pessoas não pudessem degustar dessas delicias. Sim delicias por eu, embora viajada pelo norte do Brasil, nunca, jamais saboreie uma maniçoba, tacacá, carruru, vatapá tão especiais como o da Ray. E olha que Belém tem a fama de ter o melhor tacacá do Norte. Mas afirmo e quem quiser vá conferir. Não tem comida tíca melhor do que da Ray. Atendendo aos apelos dos amigos, já conhecedores de tais delicias. Após muita insistência dos amigos,Ray resolveu abrir um espaço bem humilde lá na Rua São José, dois quarteirões antes da Pizzaria Estrela de Davi e, está enlouquecendo, principalmente os moradores daquela área com suas maravilhas tipicas do Norte. Sem sombra de dúvida vocês concordarão comigo. Agora sim temos na terrinha um TACACÁ (maior especialidade dela) que não deixa à dever ao do Pará.

    • Bacana sua informação, Edileia. Vc pode fazer fotos e mandar o endereço pra gente postar sua dica no blog?

  • Tem também as comidas típicas da “Rose”, na Rod. Duca Serra, em frente ao Conjunto Cabralzinho. É uma delícia !

  • O restaurante da Dona Raimunda, é na rua Hamilton Silva, entre as avenidas Ataíde Teive e Henrique Galúcio.

  • Por mais de 40 anos minha avó morou ao lado do Restaurante da Dona Raimundo. Quando eu era criança nem que fosse meia porção de churrasco a minha mãe tinha que comprar quando eu estava por lá. Boas lembranças!

  • Bela lembrança. Frequento seu restaurante desde 1980. Não encontrei um pato no tucupi tão gostoso, embora seu churrasco de leitão seja divino.
    Tem um outro assador, podemos chamar assim, que é o Messias, lá da praça da Conceição. Tem um churrasquinho no espeto tão velho quanto a praça, que é um pecado. Podem experimentar.

  • Praticanente me tornei cidadão macapaense de coração, quando levado pelas mãos dos meus amigos Alcione e Matta, passei a ir a Macapá quase todos os meses por conta de um projeto da minha Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro desenvolvido com eles. Desde então o pato da Raimundo é compromisso obrigatório, quase que uma confraria, uma fraternidade secreta que se reúne sagradamente e resolve todos os problemas do mundo sentados na mesa “da casa” da Raimundo. É por isso que hoje me defino Carioca da Gema porém Macapaense do Pato (mas só se for o da Raimunda…)

  • Me mate logo, general! Mas não esqueça a maniçoba da Raimunda, também de excelente qualidade!
    Só tu, mesmo, para lembrar do leite “peidão” e da Aliança para o Progresso.

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