Praça do Sacaca em fase de acabamento

As obras de revitalização da Praça do Sacaca no centro do Museu de Pesquisas Museológicas – Museu Sacaca iniciaram no dia 1º de julho de 2011 e estarão totalmente concluídas quando da inauguração do novo projeto, em 3 de fevereiro.

O trabalho de revitalização realizado pela empresa Di Micelli Construções Ltda consistiu em transformar a arquitetura da praça deixando apenas uma escada de acesso, no centro; a área de entorno, que se apresenta em dois planos, totalmente gramada; no plano mais baixo estão as plantas medicinais, assim como as antigas escadarias, antes de alvenaria, receberam o verde da grama e se transformaram em viveiro de plantas medicinais.

A praça também ganhou iluminação. Assim, à noite, quem trafegar ao redor do Museu, mesmo de longe poderá visualizar não só a estátua do Sacaca, mas a praça em sua totalidade.

A chefe da Divisão de Exposição e Programação Visual – Museu Sacaca, Nayara Cavalcante, explica o porquê da denominação do Museu e da homenagem ao famoso Sacaca.

“O primeiro contato de Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, com as plantas surgiu aos oito anos de idade, quando acompanhava seu pai no corte da lenha para ser usada na Usina de Eletricidade de Macapá. A partir dos 13 anos, Raimundo começou a prática de punçangaria, pois apanhava ervas para dona Sara Zagury aliviar as dores que sofria em virtude de uma erisipela (infecção de pele causada pela bactéria Streptococcus). Dona Sara apresentou o garoto Raimundo ao cientista francês Paul Le Cointe, dizendo que era um menino sabido, parecendo um ‘Sacaca’.

E este lhes explicou que a palavra Sacaca significa índio, pajé, senhor da floresta e de muito conhecimento da flora. Desse momento em diante, o garoto Raimundo dos Santos Souza passou a ser conhecido como ‘Sacaca’ e começou a trabalhar com Paul Le Cointe, acompanhando-o diariamente, escolhendo as plantas, as folhas, as raízes para sua aplicação na medicina popular.

Ao completar 17 anos, Sacaca passou a trabalhar com o cientista Waldemiro Gomes, já que o Dr. Paul Le Cointe havia regressado para a França. E foi com o cientista que desenvolveu e ampliou seus conhecimentos sobre a flora local e sua utilização na medicina popular. Assim, fazia seus ‘unguentos’ e ‘garrafadas’ que eram muito utilizados pela população.

Após sua morte, em 19 de setembro de 1999, o então governador do Amapá, João Alberto Rodrigues Capiberibe, decretou luto oficial no Estado e, como forma de homenageá-lo, deu seu nome, ou melhor, seu apelido ‘Sacaca’, ao Museu do Iepa, que passou a se chamar Museu Sacaca do Desenvolvimento Sustentável”.

Segundo o diretor-presidente do Iepa, Augusto Oliveira “o Sacaca tem hoje o significado de seu nome ampliado, já que realiza pesquisas do ‘modus vivendi’ e valoriza a identidade e as origens da população amapaense. É um Museu Vivo porque contempla as pesquisas museológicas que vêm sendo realizadas e difunde conhecimentos sobre o universo cultural, econômico e social e histórico do povo do Amapá”.

Angela Andrade/Iepa

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