Parque Municipal de Macapá

Por Marco Antonio Chagas, doutor em desenvolvimento socioambiental pelo NAEA/UFPA.

 

O Parque Zoobotânico já foi campus experimental da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, laboratório etnobotânico do Sacaca e lá muitos estudantes amapaenses tiveram suas primeiras aulas de educação ambiental. A primeira vez que ouvi falar de epífita foi através do biólogo Benedito Vítor Rabelo numa aula no Parque. Benedito é um dos mais experientes pesquisadores da Amazônia.

Em 2008, o Parque Zoobotânico foi transformado em Parque Municipal, recebendo o nome de Parque Natural Municipal Arivaldo Barreto (o nome correto do homenageado é Arinaldo Barreto, pai do Zeca e hoje Promotor de Justiça José Cantuária Barreto). A área do Parque Municipal é de 107 hectares. Comparativamente, a área do Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi é de 5,2 hectares. Um campo de futebol tem aproximadamente 1 hectare.

A área do Parque é belíssima. Abriga amostras de pelo menos três ecossistemas do Amapá (floresta, cerrado e ressaca), além de representar uma zona natural ainda preservada entre municípios em processo desordenado de conurbação.

O Parque encontra-se fechado deste 2003 por não atender as normas federais quanto aos logradouros dos animais e segurança dos visitantes. No dia 04/07/2011 aconteceu mais uma audiência na Justiça Federal para discutir a situação de abandono do Parque.

A empresa Ecotumucumaque elaborou o projeto de revitalização do Parque e o Juiz Federal João Bosco queria saber porque o projeto não foi implantado. O projeto está orçado em R$ 12 milhões e uma emenda da bancada parlamentar foi alocada no Ministério do Meio Ambiente para a implantação do projeto. Os recursos não foram liberados pelo MMA. O Parque continua fechado e a sociedade distante de usufruir daquele espaço natural.

A estratégia de transformar espaços urbanos em Parques é mundial. Muitas cidades globais adotaram essa estratégia para ordenamento e valorização das cidades. Paris, por exemplo, mantém um conjunto de Parques urbanos no entorno dos monumentos da cidade. No Brasil, Curitiba, pelas mãos do Prefeito Jaime Lerner, foi transformada na cidade dos Parques, atingindo a média de 52 m2/habitante de área verde. São Paulo tem o Parque do Ibirapuera. Belém, o Mangal das Garças.

Os conservacionistas, que adoram animais e são descrentes no semelhante, não concordam com essa estratégia de Parques Urbanos, pois entendem que Parque é uma imensa área natural, desabitada e com muitos bichinhos livres e felizes. Por influência dos conservacionistas, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, legislação que regulamenta os Parques Selvagens e outras áreas protegidas, não percebeu a importância dos Parques Urbanos e não tratou da matéria.

Em Macapá, um conjunto de Parques Urbanos, planejados e implantados com seriedade e competência, traria como resultado imediato o resgate da autoestima dos moradores e a possibilidade de voltar a sonhar com uma cidade que se orgulha em ser o portão de entrada do Estado mais preservado do Brasil, mas que também mantém os piores índices de qualidade de vida entre as capitais.

Obs. O Projeto de Revitalização do Parque Zoobotânico está no site www.ecotumucumaque.com

  • Lembro das várias vezes em que passei em frente ao “Zoobotânico” acompanhado da minha pequena Alexia aquela época com cerca de 6 ou 7 anos e,sempre por ela questionado, querendo saber por qual motivo o Parque estava sempre fechado. Eu, como pai e biólogo nunca pude lhe esconder a verdade. A falta de compromisso, competência e sobretudo respeito aos moradores de Macapá -tão carentes de equipamentos públicos de lazer- sempre foi a causa. Inquieta com tal descaso, Alexia chegou a escrever cartas para 2 prefeitos. Sem sucesso. Hoje aos 15 anos de idade, indignada ela me diz: “pai, não acredito que ainda não deram jeito nessa situação”. Eu, como pai, me pergunto: quantas crianças cresceram sem conhecer o “Parque Zoobotânico de Macapá”?
    Parabens ao amigo Dr. Marcos Chagas pelo belo artigo e pela luta em favor do patrimônio do povo amapaense.

  • amigo Marcos chagas parabens pelo artigo lembrome que fui protagonista de uma denucia feita atravez da tv Amapá,por vizitar o parque e ver os animais sendo maltratados, espero com grande satisfação que seja realizado o sonho de muitos amapaenses. espero com ansidade . nosso grfo, lembrar o prefeito que pessa ajuda das enpresas que se dizem preucupadas com omeio ambiente, estamos de olho

  • prabens AMIGO Marcos,espero com ansiedade, pois já fui protagonista de uma denucia por encontrar os animais sendo maltratados, espero numca mais ver aquela sena,quero levar ao parque meu netinho,e contar a ale o quejá fis em prol meio amiente.

  • Parabéns pelo artigo, Marco.
    Acho que estamos conseguindo construir um bom consenso entre bancada federal, PMM, Justiça Federal, MPE e MPF no sentido de se avançar na implementação do projeto de revitalização do Parque Zoobotânico. Se não deixarmos a “peteca cair”, o sonho pode se realizar. Bom para Macapá e para todos que defendem o meio ambiente.

  • Retomar o assunto é importante. A questao é: vai sair a emenda parlamentar ? Quais agentes políticos podem ajudar e ser parceiros no projeto ? Há interesse coletivo e político nessa questao ! Tomara !

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