O “PIBÃO” do Estado do Amapá

* Charles Chelala. Economista e Mestre em Desenvolvimento Regional.

Charles Chelala

Foi divulgado o resultado do PIB do Amapá relativo ao ano de 2012, que comento neste artigo de hoje. O Produto Interno Bruto é o mais relevante dos indicadores de uma economia por demonstrar, em dados monetários, tudo o que foi produzido, consumido ou auferido como renda em uma região geográfica.

Pois bem, os dados de 2012 são excelentes para o Amapá, confirmando o dinamismo da nossa economia já defendido neste espaço por algumas vezes, inclusive quando fundamentei que a dita “desaparição do dinheiro no mercado” não passava de um mito. É bom ver nossas posições confirmadas pelo IBGE. Vamos aos dados.

Primeiramente, a produção no Amapá rompeu a barreira dos 10 bilhões de reais em 2012, alcançando um degrauzinho a mais na participação nacional, ao passar de 0,2 para 0,3%. O crescimento em relação ao ano anterior pode ser classificado como padrão “chinês” com 16,2% nominais. Em termos reais (descontada a inflação) o crescimento foi de 7,2% no ano, bem superior ao Brasil, que cresceu apenas 0,9% em 2012. Aliás, se comparar a média anual de crescimento real do Amapá de 2004 a 2012, observa-se a taxa de 5,3% ao ano, contra 3,0% do Brasil.

Outro fato interessante de se observar é a pequena redução do tamanho do Governo na economia, caindo de 48,7 para 47,3%. Isso graças ao crescimento do setor secundário, principalmente a construção civil que cresceu 89% naquele ano, bem como a indústria de transformação, com 66%. Tal fato reflete as obras em andamento no Amapá, tanto públicas como privadas, como edifícios, conjuntos habitacionais, hidrelétricas, dentre outras.

Ressalte-se que o PIB de 2012 ainda não captou a importante transformação em andamento no setor primário, uma vez que seu impulso se dá a partir do ano seguinte. Assim, a agricultura, pesca, pecuária tiveram crescimentos um pouco inferior à média geral do Estado, permanecendo praticamente inalterada sua participação na economia, mas com forte perspectivas de ampliação nas próximas divulgações.

Também chama a atenção a redução relativa do peso da mineração na economia do Estado. Nos tempos áureos da ICOMI, a indústria extrativa mineral chegou a representar mais da metade de tudo o que se produzia no Ex-Território Federal. No PIB de 2012, a produção mineral responde por meros 0,6% da nossa economia, amargando um decréscimo de 48% em relação a 2011, em função da baixa internacional dos preços das commodities minerais. Esta queda deverá se acentuar na mensuração do PIB de 2013 em virtude do incidente com o porto de embarque de minérios ter ocorrido naquele ano e impactado negativamente o segmento.

Cabe também “tirar uma casquinha” com o Estado do Acre, com o qual o Amapá vem travando uma renhida disputa pelo 25o lugar entre as unidades da federação no ranking nacional do PIB. Em 2010 o Acre estava à nossa frente. O Amapá o ultrapassou em 2011 e, nos dados de 2012 apresenta um folga de 1 bilhão de reais, consolidando sua posição.

A divulgação das contas regionais de 2012 apenas refletiu o fato de que a economia do Amapá está em franco crescimento e, mais do que isso, apresentando uma importante alteração estrutural ao ir lentamente deixando de ser a “economia do contracheque público” e dos minérios para vir a ser o local da indústria, do agronegócio, da construção civil e do comércio. Temos bons motivos para estamos esperançosos em relação ao futuro do Amapá.

 

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