O Novo Trabalho do Desenvolvimento Sustentável

Por Marco Chagas, Doutor em Gestão Ambiental

A Amazônia é uma região onde os superlativos são sempre exaltados como sinônimo de abundância e o desenvolvimento, segundo a lógica da racionalidade da economia clássica, seria a consequência esperada das transações de mercado de suas vantagens comparativas, sobretudo dos recursos naturais.

Tal lógica desenvolvimentista, entretanto, desviou-se para o campo das incertezas e dos conflitos socioambientais ao se defrontar com modos diferenciados de percepções e significados quanto à apropriação e uso dos recursos naturais; com o atraso e desinteresse político da ciência e tecnologia pelos problemas da região e a consequente crise do conhecimento que não tem sido capaz de incorporar a diversidade de saberes em prol do desenvolvimento dito sustentável da Amazônia diante de um mundo globalizado.

No plano político-normativo, o desenvolvimento se associou ao adjetivo sustentável para estabelecer novos conceitos por vezes qualificados de “enigmas a serem decifrados”, que tanto aglutina comunidades racionalistas da ciência da ação que se dedicam a desagregar a realidade em dimensões (social, econômica e ambiental) para reordená-las em indicadores mensuráveis do desenvolvimento, quanto marxistas renovados pela ecologia política para os quais o desenvolvimento sustentável é mais uma demonstração da capacidade do capitalismo em superar suas cíclicas crises, mas acreditam num “outro mundo possível”.

Sem extremismos, permanece integro junto intelligentsia amazônica o desafio de construir um modelo de sociedade e de economia que seja capaz de incorporar a noção de natureza como matriz fundamental do desenvolvimento sem abrir mão da utilização do capital natural, seja pelas inovações de cadeias produtivas, seja pelas valoração dos serviços ambientais.

É diante desse desafio que as novas leituras sobre Desenvolvimento Sustentável se posicionam sobre a Amazônia. Há, desta forma, o reconhecimento de uma maior maturidade política na região para reivindicar o “Novo Trabalho”, conceito que defende uma nova relação do Estado como o mercado para negociar a substituição das importações de commodities pela inovação de serviços de alto valor agregado para produtos que servem ao capital global e com isso possibilitam uma divisão do trabalho de oportunidades e mais justa na região.

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