O impacto da pandemia na saúde mental e bem-estar psíquico das crianças e adolescentes

*Renata Ferraz. Psicóloga Clínica

O desenvolvimento humano é um processo global e contínuo de transformações individuais e grupais. Tal processo se inicia antes mesmo do nascimento, momento em que a pessoa passa a existir para seus pais como um projeto de futuro. Desta forma, aquilo que está no entorno de um ser em desenvolvimento afeta a dinâmica de suas transformações ao longo do tempo, ou seja, as pessoas, os significados culturais, o momento histórico, as experiências pessoais e sociais, as oportunidades positivas e também os riscos, influenciam diretamente ou indiretamente a construção física, intelectual, emocional e social dascrianças e adolescentes.

Os processos de natureza biopsicossocial que ocorrem no curso de vida de um ser humano configuram um processo de via dupla: os seres afetam e são afetados pelo contexto histórico (caracterizado pela dimensão do tempo) e social (caracterizado pela presença e a influência de outras pessoas, relacionados aos diversos ambientes onde se vive). Entretanto, há eventos que são considerados pontos de rupturas, uma vez queinterrompem uma trajetória de desenvolvimento saudável causando traumas e crises profundas, alterando o curso do processo evolutivo.

O impacto da pandemia na saúde mental e no bem-estar psíquico das crianças e adolescentes é um exemplo de interrupção do seu processo dedesenvolvimento saudável. A mudança na rotina, isolamento social, saudade dos amigos, dos avós e dos professores, a preocupação dos pais, a ameaça contra a vida e a falta de respostas sobre o futuro são alguns fatores que mexem com as emoções, visto que eles não estavam preparados para o surgimento abrupto de tantas adversidades advindasdo covid-19 em um processo de desenvolvimento sócio afetivo e cognitivo.

Ao longo do período de quarentena, algumas crianças e adolescentes podem apresentasentimentos vagos de medo, insegurança, apreensão, sensação de estranheza, tristeza e desânimo, estresse emocional, além de momentos de ociosidade, irritabilidade exacerbada, ansiedade, insônia e aumento de apetite. Sendo necessário avaliar o período de duração e intensidade dos sintomas, assim como a incapacidade causada por estes.

É evidente que a sintomatologia varia de acordo com a idade, as características subjetivas de cada um, o contexto familiar e social e, principalmente, o jeito com que os pais e/ou responsáveis lidam com a situação de estresse, confinamento e perdas familiares. Vale ressaltar que a família tem um papel protagonista no controle dos impactos emocionais dos filhos, porém muitas tem dificuldade em identificar se determinados comportamentos estão saindo da normalidade, haja vista que a infância e adolescência são fases que naturalmente trazem inúmeras mudanças físicas, comportamentais, psíquicas e sociais.

Existem alguns comportamentos que podem ser identificados pela família como um sinal de comprometimento na saúde mental das crianças, como o excesso de irritabilidade e o choro frequente. Nos adolescentes, deve-se atentar para um maior isolamento auto infringido dentro do próprio ambiente familiar, exagero no uso do computador/celular, desmotivação para realizar atividades cotidianas e relatos de pensamentos negativos. Além disso, eles podem apresentar alguns sintomas fisiológicos provindos da ansiedade.

O diálogo dos pais e/ou responsáveis neste momento é essencial para que a criança e o adolescente, expressem francamente seus sentimentos de medo, inseguranças, angústias diante da sua nova condição de vida, minimizando assim o sofrimento psíquico frente a incerteza do amanhã e de quanto tempo eles irão continuar vivendo nesse formato de confinamento.

Na verdade, ninguém lida bem com incertezas, sendo compreensível que as crianças e adolescentes possam agir de modo inesperado por um período curto de tempo, mas se essas alterações comportamentais e emocionais se agravarem, persistirem por muitas semanas ou atrapalharem as funções cotidianas de seus filhos, pode ser o caso de buscar uma ajuda profissional especializada.

A busca pela psicoterapia infanto-juvenil possibilita uma melhor orientação sobre a conduta dos pais e/ou responsáveis quanto ao enfrentamento do problema. Inicia-se, então um processo de mudança comportamental com vista à promoção de saúde emocional e fortalecimento dos laços familiares.

  • Tenso mesmo administrar toda essa mudança de rotina,alfalfa de convívio nas relações emocionais ruptura de aprendizado e processos criativos Para nossos pequenos. Nada substitui 100% o aprendizado e a responsabilidade que são formados na relação presencial e pedagógica com a escola.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *