O Custo Econômico da Corrupção

*Charles Chelala. Economista. Professor. Mestre em Desenvolvimento Regional

Charles Chelala

Cerca de quatro anos atrás escrevi um artigo para o Jornal do Dia no qual analisava que a chaga da corrupção nos governos ultrapassa em muito o aspecto moral e ético, atingindo em cheio a capacidade de atendimento às necessidades socais e impactando diretamente no mercado e no nível da atividade econômica. O texto é extremamente atual e, como se aproxima um período eleitoral, acho oportuno reeditá-lo para avivar a memória do eleitor, cuidando apenas de atualizar alguns números. Vamos ao artigo:

A “Operação Mãos Limpas” deflagrada pela Polícia Federal revelou as ramificações de um poderoso esquema de corrupção instalado no aparelho do Estado, trazendo à tona uma pergunta: Qual é custo que esta mazela impõe aos cidadãos?

O economista Marcos Fernandes, da escola de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, autor do livro “A Economia Política da Corrupção no Brasil”, fez esta conta e chegou a números impressionantes. Em seu estudo foi comprovado que a cada ano é desviada uma cifra de aproximadamente R$ 380 bilhões, impactando em uma redução do crescimento econômico de até dois pontos percentuais no PIB. Para efeito de comparação, o Produto Interno bruto do Amapá situa-se em R$ 8,3 bilhões e o orçamento do Estado é da ordem de R$ 5,2 bilhões.

No caso específico do Amapá, onde 48% de toda a nossa economia é gerada pela Administração Pública; praticamente 70% dos salários são oriundos das folhas de pagamento de servidores e um em cada três empregados é funcionário público, a situação se agrava. Aqui, o ralo da corrupção causa um impacto devastador na economia local, uma vez que os gastos públicos são os principais responsáveis pelo dinamismo das demais atividades.

Além de desvios de recursos, a corrupção afeta de maneira profunda o ambiente de negócios, inibindo decisões de investimentos privados, pois a base institucional não inspira credibilidade. Assim, as empresas optam por carrear suas inversões financeiras para outros lugares onde há maior estabilidade.

Como tudo na vida, há uma abordagem otimista que a ser feita em relação à crise que o Amapá atravessa. Ao trazer para a ordem do dia o problema da corrupção, algo que todos sabiam que existia, mas que poucos o denunciavam ou buscavam enfrentá-lo, criaram-se condições favoráveis para começar a solucioná-lo.

Com a hecatombe da “Operação Mãos Limpas” reduz-se tolerância dos cidadãos para com os políticos desonestos e é gerado um ambiente favorável aos gestores que queiram combater a apropriação privada dos recursos públicos. Não será uma tarefa fácil, mas é necessária para que o Amapá possa trilhar o caminho do desenvolvimento.

Dinheiro apreendido pela PF na Operação Mãos Limpas
Dinheiro apreendido pela PF na Operação Mãos Limpas

 

  • Sem falar que a corrupção e a impunidade geram um mal estar e um descrédito enormes nas instituições por parte da sociedade. Além de gerar também muita insegurança e falta de respeito pelo próximo. E tudo isso acompanhado pela desfaçatez de uma bela cara de pau que deve imaginar que nossos ouvidos são o pinico da sociedade para escutarem as mentiras espalhadas através dos veículos de comunicação.

  • Brilhante artigo. Bom seria se todas as classes sociais tivessem acesso a essas informações. Um dia chegaremos lá!

  • O maior “custo” da Operação Mãos Limpas para o Amapá foi ter por quatro anos o Camilo como governador (inclusive eu votando nele).

    • Vasconcellos, depois de ler este artigo, penso que você entendeu que a incompetência e a desonestidade, não podem, mais, fazer parte da nossa historia, sob pena de estarmos condenados socialmente às mais diversas e perversas condição de vida.

  • Ë triste ter que ler esse artigo. Infelizmente o nosso Estado esta entregue. Tivemos um grande estardalhaço das operações mãos limpas que culminaram na vitória do nosso atual governador. Ele não disse ainda para o que foi eleito. Elegemos um prefeito, Clécio, que nos iludiu com o sol nascendo para todos, iluminando uma Cidade suja, mal cuidada, esburacada, que não tem sequer uma sinalização decente em ruas indecentes, mas que terão pardais para conter a violência de um trânsito que é ruim principalmente pela péssima sinalização. E já e vão 1 ano e 4 meses. Que prioridades são essas? Ainda quero acreditar, principalmente com o Prof. Chelala, que ainda tem jeito para esse Estado, para a nossa cidade de Macapá. Não sofremos apenas com a corrupção, sofremos também com a incompetência dos honestos em resolver os problemas que estão engolindo a nossa Cidade e o nosso Estado. Governadores e Prefeitos sem competência para administrar levam a sua gestão ao encontro do caos, além de afundar a Cidade e o Estado em dívidas, pois o dinheiro é gasto de forma errada. A picuinha politica e o o “sobrenome” impedem de se contratar bons técnicos que possam ajudar a resolver os problemas que crescem vertiginosamente. Professor vamos trabalhar para resolver os problemas, apontar soluções viáveis, e agir, pois chega o tempo que não será mais possível reverter tamanho desmando e incompetência que estão assolando o nosso Estado.

  • Muito bonito o discurso e pega carona na onda que inclusive elegeu Camilo, encostando-se na Operação “Mãos Limpas”. Esse pre-candidato tem que esquecer o caminho da vitoria percorrido por Camilo, o Amapá precisa de propostas e ações mais eficazes de um gestor que realmente saiba, quando sentar na cadeira, começar a dar um rumo de desenvolvimento ao estado, coisa que não vimos nesse senhor quando sentou na cadeira de secretário de Clécio, teve uma boa oportunidade pra isso, e ao contrário promoveu junto com o prefeito um loteamento de cargos com pessoas do PSOL paraense. Todos farinha do mesmo saco, que Deus nos ilumine e que apareça um governante realmente voltado a resolver nossos problemas, esse é só mais um.

    • Tem razão , camarada. Votar nesses candidatos que se apresentam por aí, é jogar voto fora. O melhor é não votar em ninguém! Já pensou como seria bom ficarmos sem governador, sem deputados, sem senadores?

  • Fiz opção votar nulo de primeiro ao quinto, é isto que devemos fazer, pois não se configura omissão mais sim descrédito nos políticos em geral.

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