O Amapá e as Hidrelétricas

Por Charles Chelala, Economista e Mestre em Desenvolvimento Regional

Está em fase final o licenciamento para a construção de mais uma Usina Hidrelétrica, a de Cachoeira Caldeirão, situada um pouco acima do Paredão, com potência de 219 MW (mais ou menos a demanda total do Amapá de hoje) e com reservatório de 47,9 Km2, dos quais 45% já correspondem à calha atual do rio Araguari. Esta usina operará em regime de fio d’água, o que significa que não armazenará água e pouco influenciará no regime normal do rio, além de reduzir a área alagada. Por isso é uma das menores relações reservatório/energia gerada do país. O investimento é estimado em R$ 1,4 bilhão e deverá gerar 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos.

Com Cachoeira Caldeirão, o Amapá se consolida como potência energética, pois produzirá algo em torno de 1.000 MW de energia renovável até 2016, considerando também as usinas de Ferreira Gomes (em construção), de Santo Antônio do Jari (licenciada) e a repotencialização de Coaracy Nunes. Com isso, será possível desligar as poluidoras, caras e de má qualidade usinas a óleo diesel que hoje respondem por 80% da demanda do Amapá.

É relevante esclarecer que uma das críticas às hidrelétricas no Amapá afirma que “toda” a energia seria exportada e nós somente ficaríamos com os impactos. Esta afirmação é infundada: primeiro porque ao ser integrado ao Sistema Interligado Nacional, via linhão de Tucuruí, a energia gerada será primeiramente aqui consumida e o excedente exportado. Não teria sentido ao sistema manter em funcionamento as termoelétricas para entregar ao Amapá energia cara subsidiada. Além disso, a CEA já pode adquirir energia nova em leilões, como o fez em agosto do ano passado. Assim, a nossa empresa distribuidora poderá e deverá participar da compra de energia no leilão de Cachoeira Caldeirão.

Há outro ponto crucial nesta hidrelétrica: a área urbana de Porto Grande a ser alagada pelo reservatório. Trata-se de aproximadamente 11 ha, no qual apenas seis moradias serão diretamente atingidas. A ideia inicial era realocar cerca de 100 domicílios próximos ao reservatório o que gerou muita resistência local. Diante disto, em reuniões com a prefeitura, vereadores, moradores e líderes, as empresas interessadas no empreendimento concordaram com a proposta de adotar soluções de engenharia (como estender o muro de arrimo), possibilitando a permanência dos moradores. Na área rural, a grande maioria dos proprietários não terá que sair, pois serão atingidos apenas parcialmente.

Outra vantagem é o fato de que teremos no Araguari três usinas em série, com melhor aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio e menor impacto do que se cada uma estivesse em um rio diferente.

O Amapá deve aproveitar a oportunidade. Os recursos oriundos das compensações, dos programas ambientais, além dos tributos gerados e a movimentação da economia podem transformar aquela região do Estado. Poderíamos, inclusive, nos inspirar na experiência do rio São Francisco, no qual as usinas de lá, também em série, propiciam energia de qualidade e apoiam projetos de irrigação, fruticultura, turismo e indústrias. Até vinho fino se produz no semiárido nordestino. Para tanto, basta ao Estado cumprir o seu papel de fiscalizar as ações de mitigação socioambiental e potencializar os impactos positivos desta transformação do Amapá em potência energética.

  • Excelente texto do Chelala e lembrar aos do contra, a queima de combustivel fossil pela termoeletrica de Santana continua a todo vapor. O Amapá necessita urgente de energia, que é fator preponderante para atração de investimentos.

  • Se no futuro falta energia no sul maravilha, eles levaram sim energia daqui para lá. É questão de segurança. No racionamento anterior não levaram porque não havia linhão. quem viver verá.

  • Gostaria de ver esse desenvolvimento no meu dia-a-dia. Fica fácil falar isso e aquilo, mas nunca vi nada de benefício em Ferreira Gomes e no Paredão, pelo contrário, a violência está absurda, não tem saúde, educação, ha, esse eu nem comento!
    Me mostre fatos e não factóides!

  • Atualmente F.Gomes passa por grandes mudanças, no que diz respeito a construção dessa usina. quero lembra-lo dos pontos positivos e negativos, pois nesse caso são mais negativos. sabe-se que essas reuniões que as autoridades competentes chamam de audiência pública, não tem nada democrático. quando perguntam ao povo se eles concordam com a construção, não obtem resposta, porque os papeis já estão todos assinados pelos políticos que nos representam. É notável a crescente onda de violência e prostituição naquele município, além do mais, sabemos que o interesse dessa empreitada é puro capitalista, não dando chace aos mais necessitados.

  • Meta do Amapá para a Rio+20/Economia Verde: Reduzir em 100% a queima de diesel para a geração de energia até 2015. Excelente artigo Prof. Charles Chelala.

  • Nossa, nunca vi tamanha desfarsatez, dizer que no Araguari três usinas em série terá menos impacto do que se cada uma estivesse em um rio diferente, no mínimo é muito estranho. O Amapá hj esta sendo explorado para manter o desenvolvimento do sul e sudeste do Brasil,quando se fala que ficaremos só com os impactos ambientais é uma realidade. Pergunto quantos MW de energia a nossa endividada e falida CEA comprou do consorcio Ferreira Gomes?, como uma empresa falida vai ter poder de compra das duas novas usinas a serem construídas. Cadê os Royalties para o município de Ferreira Gomes onde os índices de prostituição, violência e desemprego aumentam a cada dia? Os professores em Ferreira Gomes estão sem receber salários e o prefeito alega que não pode cumprir com a lei do piso nacional, pois não tem dinheiro!! cadê o desenvolvimento??? cadê os filhos da terra capacitados e qualificados para assumir os cargos de médio e grande escalão dessas empresas??? Então meu caro economista o jeito que tem é continuarmos servindo de chacota para o resto do Brasil, porque aqui existem muitos absurdos e queremos chamar tudo isso de desenvolvimento.

  • se não sasinarem termo de compromisso,de reservar,kw de energia pro ap,e ficarem esperando responsabilidade dos empreendedor ,é piada no fundo dos olhos desse povo tem um $,ai mora a responsabilidade dos dparlamentares,de cobrarem deles o que é devido ao estado,não só de royates,mais da enregia a gerar pra nós.emquanto os pba, de olho na cobrança de sus responsabilidade.

  • Prof. Charles, parabéns pelo texto, em minha opinião, muito lúcido e esclarecedor. Fala-se muito em sustentabilidade ambiental no Amapá, a incoerência é ter essa matriz energética poluidora cuja base é a queima de combustível. Com as hidroelétricas, temos a oportunidade de modificar essa realidade. Além disso, o aumento da oferta de energia será fundamental para novos investimentos da iniciativa privada, sobretudo os voltados para o setor secundário – intensivo no consumo de energia – criando as bases para rompermos com a “economia do contracheque”, que hoje predomina Estado. Um Abraço.

    • Muito feliz a colocação do Douto Professor Chelala. Morei 10 anos em Tucuruí e trabalhei na construção na UHE. Note-se a importância de tal obra pois se o Linhão chegar aqui, será de grande valia a importação dessa energia do Estado Paraense… bom final de semana, fquem com Deus.

  • Concordo em alguns pontos com o Chelala, discordo quanto a má qualidade de energia gerada pelas termoelétricas que tecnicamente é melhor que a produzida pela Hidroelétrica, visto o conhecimento de graves problemas de qualidade de energia no paredão. Gostaria de saber também se existe algum planejamento de desenvolvimento da região, como por exemplo chegada de indústrias juntamente com a construção das usinas, o que seria um modelo de desenvolvimento agregado com a construção da mesma, se a empresa responsável pela construção, manutenção e operação da usina, investirá no curso de Engenharia Elétrica da UNIFAP. Criação de empregos não necessariamente implica em dizer que estes serão ocupados por AMAPAENSES, tanto nos temporários quanto no empregos fixos. E a imagem do Amapá, gerando energia excedente para o Brasil, como fica? Ainda seremos hostilizados como somos hoje em dia? Ainda seremos considerados peso para o desenvolvimento do Brasil? Acho necessário também o investimento em propaganda, parece besteira, mas quem viaja pra outros estados sabe que é necessário recuperar a imagem tão decadente da nossa terra. Do mais, acho interessante a exposição do Chelala, pelo menos estamos acordando para o desenvolvimento. Sou totalmente a favor da construção das usinas, mas o governador e os senadores tem que acordar pra tal discussão, senão seremos somente motores para o desenvolvimento do Brasil, sem nem mesmo sermos reconhecidos e muito menos remunerados.

  • Eu como leiga no assunto vejo que isso nao causará beneficio nenhum só impactos, destruiçao de belezas naturais q irao pro fundo, bioma, a agua salgada, energia abstrata para nós. Nosso estado tao rico e ao msm tempo pobre! Vai acontecer igual as multinacionais q vem explorar e o investimento do estado vai para o bolso dos politicos… revoltante!!! Quem defende isso sao as pessoas q se beneficiarao desse absurdo

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