Lula e o resto acima do paralelo Brasília

* Marco Chagas. Professor. Doutor em Gestão Ambiental

Marco Chagas

Lula foi o melhor presidente da história desse país! E o FHC? Bem, FHC está em minha biblioteca e por isso prefiro preservá-lo. As políticas de inclusão social implantadas pelo Governo Lula são irreversíveis e firmaram-se como direitos. Direitos não retrocedem na democracia participativa – a democracia representativa encontra-se amoral. O discurso “TEMERoso” de que a Constituição Federal garante direitos demais e obrigações de menos, o terrorismo previdenciário-fiscal e o distanciamento dos movimentos sociais indicam que a democracia está a ser testada.

A genética política de Lula também se encontra presente em vários políticos que hoje o descredibilizam. Lula, comparado a Macunaíma, em versão publicada outrora por Correa Neto, despertou a fúria da “petezada” aversa a leitura. Macunaíma é a representação da cultura do povo brasileiro. Lula é o anti-herói diante de um país de “mocinhos” que vivem confundindo a sociedade pelo moralismo difuso.

Fora do poder, Lula encontra-se diante do desafio de reinventar os movimentos sociais que o levaram ao governo e com ele também se tornaram governo. A questão agora é saber se os movimentos sociais serão resilientes ou foram deslegitimados pelo governo? Movimentos sociais e democracia participativa mantêm relações reciprocas.

A mídia procura credenciar o governo interino com um discurso sectário de um Brasil que só existe abaixo do paralelo Brasília e economicamente mensurado pelo PIB do capital especulativo da avenida paulista. O resto, acima do paralelo Brasília, é o contrapeso econômico do país, para o qual a única alternativa é o fornecimento de recursos naturais pelo interesse nacional.

O problema é que se aprendemos alguma coisa com a história é que esse sistema econômico de governo baseado em exploração de commodities é perverso, pois acentua as desigualdades pelo momentâneo crescimento econômico seguido do colapso social, além de transferir riqueza pelo maior valor agregado do processo de industrialização distante da região fornecedora do bem natural. Eis a razão para pensarmos em outras alternativas, incluindo a moratória da exploração de recursos naturais “in natura” na ausência de princípios de sustentabilidade.

Como reflexão, resgato de documentos públicos produzidos pela inteligência do Governo Federal algumas questões estratégicas para o debate sobre o desenvolvimento regional e local. A Amazônia pode ser produtiva e preservada, como defendeu a professora Bertha Becker? Como organizar a cadeia produtiva da soja com inclusão dos pequenos produtores rurais? Como regular a mineração para garantir a sustentabilidade das regiões exploradas? Como resolver o crescente caos urbano das “cidades-estado” da região amazônica?

Essas são apenas algumas questões documentadas pelo próprio governo, mas negligenciadas pelas políticas públicas, para as quais a escala dos problemas não vai além de quatro anos ou justificadas pela prioridade da consequência em detrimento da causa.

  • O Amapá vai continuar por mais cinquenta anos, sendo mero exportador de matéria prima bruta.
    Minério, Petróleo ( se tiver), soja, cavaco e agora madeira da Flota.
    Parabéns ao estado do Amapá, rico em recursos naturais, mas pobre em cabeças pensantes (microcefalia).

  • Lula seria um dos melhores presidentes, na minha opinião se saísse sem mácula de corrupção dos seus dois governos. Ele tem que explicar algumas coisas, entre elas, como um filho seu que ganhava 800 reais em um zoológico, e como num passo de mágica aparece com 2,5 milhões de reais na conta corrente! Lava jato nele!

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