Homenagem ao Marmitão

* Por Marco Antônio Chagas. Professor da Unifap. Doutor em Gestão Ambiental 

Marmitão


Outro dia, Eu e o Joaquim Belo, havíamos falado com ele para ajudar o “Mano Pedro”. E ele fez um generoso depósito e foi a última vez que nos falamos. Não sabia que o Marmitão, que acolhia sempre, precisava ser acolhido. Perdoe-me, amigo… extensivo a todos que deixei de acolher pela tal pós-humanidade, que nos tira o tempo do que importa.

Conheci o Marmitão no IBAMA, quando ele lutava pela melhoria da qualidade de vida de castanheiros, ribeirinhos, pescadores, enfim, de todos que eram considerados populações tradicionais e viviam comunitariamente nas florestas do Amapá. De fala forte, guerreira, mas que sempre finalizava com um sorriso de “gente boa”. O próprio apelido já o anunciava.

Depois veio o PPG7 (Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil). E ele, junto ao Mano Pedro, lá estava ao lado dos extrativistas do Sul do Amapá. E conseguiu muito, diante dos exigentes doadores internacionais. Lembro bem dele junto à Secretária de Coordenação da Amazônia, Mary Allegretti, na inauguração da fábrica de castanha da RESEX do Rio Cajari. Falava como se estive apresentando sua família. Todo orgulhoso. E eu estava lá…

Houve um Ministro do Meio Ambiente também chamado José Carlos, mesmo nome do Marmitão. Sempre íamos a Brasília participar de reunião com o Ministro e marcávamos de nos encontrar na entrada do prédio. Marmitão, com sua camisa social que nunca fechava direito, eu o abordava: – Ministro, fecha essa camisa direito! Bora, que já vou iniciar a reunião e tu vais me servir um cafezinho, respondia em tons de gargalhada.

Depois ele se meteu na política. Foi Prefeito de Mazagão. Mas, nunca deixou de ser o “Marmitão”... Sigamos, querido amigo!

 

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