História dos videogames, parte III. A crise na indústria de jogos, A lenda urbana da Atari, o game over e outras histórias

*Gabriel Cavalcante Leão Dias – Design de Games

 A Crise dos Videogames de 1983 foi uma recessão da indústria dos jogos entre 1983 e 1985, quando o mercado de jogos estava supersaturado de consoles e jogos de péssima qualidade. Para se ter uma comparação agora existem apenas 3 consoles de videogame que competem no mercado Playstation, Xbox e a Nintendo. Na época da crise existiam 9 consoles de marcas e qualidades diferentes, sendo que a maioria não possuía uma boa biblioteca de jogos ou nem mesmo eram bons, e o preço  sempre foi alto. Pagar um preço alto por um produto de baixa qualidade deixaria qualquer um com receio de tentar comprar um produto parecido de novo.

Outros fatores que influenciaram a Crise foi que, apesar da demanda por jogos ter aumentado, o mercado teve um excedente de jogos, produziam mais do que vendiam e com o surgimento de companhias criando jogos para os consoles, as empresas que manufaturam os videogames foram perdendo mais dos seus lucros. O motivo de haver tantos jogos e consoles diferentes é que muitas empresas se juntaram ao mercado emergente de jogos sem ter o conhecimento ou o know-how para fazer jogos. Então as empresas só pegaram os jogos de maior sucesso e fizeram engenharia reversa para criar uma cópia de cor diferente do mesmo jogo e assim era feito com qualquer jogo novo de sucesso. O mercado ficou cheio de cópias do mesmo jogo, mas com grande parte, deles sendo de uma qualidade inferior.

A Atari era uma das empresas que mais faziam sucesso no começo da era dos videogames, mas na época da crise a Atari tinha sido comprada pela Warner, com executivos que só procuravam oportunidades de negócios criando portes de jogos de arcade já de sucesso para seu console. Pac-man foi um deles. A Atari na época também pagou de 20 a 25 milhões de dólares para fazer um jogo baseado no filme  “E.T: O Extraterrestre” mas queriam que o jogo fosse feito em 6 semanas (um tempo absurdo diga-se de passagem) para ser vendido no natal. Com 5 milhões de cópias feitas, a maioria das lojas de revenda de jogos fez um pedido de retorno para a Atari, virtualmente quase todas as cópias foram retornadas.

Com milhões de produtos que não mais poderiam ser vendidos, a Atari resolveu enterrar centenas de milhares de produtos em um aterro na cidade de Alamogordo no Novo México, criando uma lenda urbana na época “se realmente enterraram os jogos ou não”. Em 2014 foi lançado um documentário chamado Atari: Game Over mostrando a escavação dos jogos e uma parte da história toda. É um documentário interessante!

 

A Crise realmente foi um marco na história dos jogos apesar de ter afetado principalmente o mercado americano. Em 1986 a Nintendo começou a exportar o Nintendo Entertainment System(NES) para os EUA e isso começou uma trend em que o mercado de consoles era dominado por empresas japonesas e o mercado de jogos para computadores começou a ganhar o interesse que foi perdido por esse mercado. Maneiras de controlar o desenvolvimento de software por terceiros  também tiveram que ser implementados para evitar jogos de baixa qualidade para os consoles de cada empresa e também o começo da anti-pirataria com a Nintendo produzindo chips que apenas a Nintendo produziu e sem eles era impossível um jogo rodar no NES (mas como a pirataria de hoje em dia, na época também acharam um meio de passar por isso, e até hoje as empresas e desenvolvedores buscam meios de evitar que seus produtos sejam pirateados). Tópico pra outro dia.

Uma cópia do jogo E.T está na coleção do Smithsonian, museu histórico dos EUA. De acordo com o museu, o cartucho representa “o desafio de um bom filme ser adaptado em um bom jogo, o declínio da Atari, o fim de uma era de manufatura dos videogames e o fim do ciclo de vida do cartucho”.

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