HERÓIS E VILÕES

Por Luis Carlos Santos. Desembargador. Vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá

O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de um grupo de pessoas, formado por agentes políticos do Estado e outros a eles assemelhados, vem causando uma revolução na mídia de um modo geral, inclusive nas denominadas redes sociais.

A repercussão é tão grande a ponto de se formarem dois lados: Heróis de um lado, dentre estes, o ministro Joaquim Barbosa do STF que, pela repercussão, já é indicado pela mídia como um possível candidato à presidência da república, nas próximas eleições de 2014. De outro lado, um grupo de vilões, criminosos da pior espécie, malfeitores da pátria e inimigos da democracia, sobretudo pela natureza e pela repercussão dos delitos que cometeram.

A coisa não é bem assim. Não há heróis destemidos nem vilões execráveis. Há, sim, pessoas que não deviam fazer o que fizeram, quer pelo passado que possuíam, quer pelos cargos que exerciam. Por outro lado, pessoas que tinham a obrigação de fazer o que estão fazendo. Julgando com imparcialidade e com segurança jurídica. Quem cumpre sua obrigação jamais pode ser herói. Estes, à luz do juízo comum são aqueles seres humanos que arriscam sua vida para garantir a vida de seu semelhante ou em prol de um bem social maior, mas sempre com risco de sua própria vida.

Quem comete um delito não pode ser execrado. Deve ser punido e pagar pelo que fez. Mas sem lhes retirar algo que lhes é inerente: a condição de ser humano.

A onda de apuração e punibilidade é patente e traz alento ao cidadão. Em todos os Estados há exemplos daqueles que não deviam fazer e dos que fazem. Todavia, não se pode olvidar que a persecução é produto de um trabalho mais acentuado de quem tem obrigação de fazê-lo. No caso, o Ministério Público. O órgão vem trabalhando mais e melhor, os resultados são visíveis. Até mesmo em nosso Estado, os reflexos estão à vista de todos. E fiquem certos, os que têm obrigação de fazer, não se furtarão de fazê-lo. Aliás, sou um deles.

Contudo, como toda atividade humana sempre sofre a influência das emoções, paixões, rancores e até mesmo vindictas, há necessidade de que não nos esqueçamos que, sobretudo os criminosos políticos, os vilões de agora não vieram de Marte. Não são anjos nem demônios. São produto de nosso meio, de nossas vontades e sobremaneira de nossos erros.

Aliás, o assunto é tão sério que há muito é tratado. E ninguém foi mais feliz em abordá-lo do que Vieira. Antônio Vieira. O padre que viveu entre São Luiz e Lisboa nos últimos lustros do século XVII. Os sermões do padre Vieira foram famosos, porque dizia ao rei, em palavras duras mas equilibradas e metafóricas, as mazelas da época, sem que fosse levado à fogueira. E pasmem! A pessoa do rei era inviolável.

É a lição dada pelo padre Vieira, no sermão do bom ladrão, que se encaixa como uma luva ao contexto atual. Lição que não devemos esquecer. Disse o padre Vieira: “Nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo os reis”. Hoje tudo é uma questão de palavras. Fala Arnoldo! Fala Paulão!

Des. Luiz Carlos.

  • É por ai desembargador,os erros é parte de um aprendizado p/não continuar neles,mas em nosso país pela falta de correções ou punições,a tendência é dq os vilões saiam ilesos e voltem à práticar os mesmos delitos,com a certeza da impunidade.Nossa justiça é réfem de leis ultrapassadas e brandas D+,e por isto,impedida de fazer a coisa certa.Maioria de nossos parlamentares são viciados,nestas práticas de apropiação do dinheiro público,já tá no sangue,uma vez que nada acontece.O povo já esta tão desacreditado na justiça, que quando por “um milagre” ela acontece,passamos a ver heróis no cumprimento dq é dever destes e vilões, náqueles que acreditavamos serem salvadores da pátria.Erramos pela falta de reflexão,ou pelo comodismo mesmo.

  • Caro,desebargador.

    Se o padre Antonio Vieira, estivesse entre nós nos dias de hoje, com toda certeza ja estaria condenado, haja visto que por ser um bom homem, daria o perdão aos nossos representantes políticos e eles novamente voltariam a praticar os mesmos delitos.Temo pela nossa juventude de hoje, que serão os cidadões de amanhã, com toda a carga genetica que carregam mais os exemplos dos nossos políticos de hoje poderão se tornarem verdadeiros maufeitores.
    E poucos serão os benfeitores, que poderão guardar e proteger os menos favorecidos.

    Que Deus nos proteja desses maufeitores de hoje e os maufeitoes do futuro.

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