GESTÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO

Por Marco Chagas, Doutor em Gestão Ambiental

As empresas que têm interesse em investir no Amapá se assustam quando iniciam o processo de licenciamento ambiental. O primeiro susto decorre da forma primitiva com que se estabelecem as relações entre empresas-governo, com processos de licenciamento conduzidos muito mais em forma de protocolos a serem cumpridos do que sob a concepção de um pacto de responsabilidade social e ambiental.

O licenciamento ambiental é um instrumento de gestão ambiental que não se sustenta sem recursos humanos altamente qualificados e tecnologia de ponta. Não formamos técnicos para praticar a gestão ambiental inteligente, onde empresa e governo ganham diante da manutenção de um permanente diálogo para ajustes de ações que possam minimizar os impactos negativos e potencializar os impactos positivos sobre os meios físico-biótico e socioeconômico.

Essa situação se torna mais grave quando o processo de licenciamento ambiental é conduzido na forma de “barganhas” de coisas que nada tem a ver com os impactos do empreendimento, numa tentativa de transferir para o empreendedor responsabilidade pública. Essa é uma das razões pela qual o mapa do IDH é frequentemente utilizado por investidores para decidir onde se instalar.

No caso de empresas que tem interesse em explorar recursos naturais que apresentam rigidez locacional, como no caso de minérios e recursos hídricos para geração de energia (investimentos estimados em R$ 3 bilhões/4 anos), o Amapá mais uma vez está jogando fora uma oportunidade de desenvolvimento pela “síndrome do alto ego”, doença que afeta os super-heróis dos quadrinhos no mais arrogante imperativo do “eu tenho a força!”

Isso aconteceu com a ICOMI, perdoável enquanto empresa que se confundia com o Governo, e está acontecendo com as empresas de mineração e de energia. Infelizmente, devo dizer que as empresas estão muito à frente do Estado em termos de organização e capacidade de agir. Entretanto, também devo dizer que apesar dessa distância, o Estado é fundamental para que a gestão ambiental contribua com o desenvolvimento da região na qual as empresas pretendem se instalar.

Feliz Natal!!!!!!!

  • Marcos, concordo plenamente com suas colocações. Os maiores entraves para o desenvolvimento da economia do nosso Estado, são exatamente as “barganhas” impostas pelos municípios envolvidos, a extorsão praticada pelo nosso legislativo, a interferência intepestiva do MP e as dificuldades impostas de forma amadora pela Sema. Com isso, o nosso Estado está fadado a sobreviver eternamente com a economia do “contra-cheque”. Nenhum investidor, com todas essas dificuldades, terá coragem de vir aplicar o seu capital em nosso Estado, gerando emprego e renda. A gestão ambiental tem que ser parceira do investidor, para que haja um “ponto de equilíbrio” no desenvolvimento do projeto. Mas, para isso, o gestor ambiental tem que agir de forma inteligente e profissional.

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