Entrevista do blog com a jornalista Dulcivânia Freitas

A jornalista Dulcivânia Freitas viveu no sítio Tananduba, município de Guarabira, na Paraíba.Cursou Jornalismo na UFPB, em João Pessoa. Recém-formada, foi para Belém do Pará, onde trabalhou em jornais impressos e assessorias. Veio para Macapá para trabalhar na Embrapa, como jornalista concursada. Desembarcou na cidade do marabaixo por volta das 14h do dia 7 maio de 2006. Em Macapá, casou com um colega da Embrapa e teve um filho, o Joaquim que hoje tem 6 anos. Dulcivânia tem um sonho de voltar para a Paraíba, mas pretende vir aqui duas vezes ao ano para que o filho não perca as referências tucujus, e também para que possa rever seus amigos e tomar açaí de verdade.
Lema de vida:
“Ama a todos, confia em poucos, não faça mal a ninguém” (William Shakespeare)

Qual o maior patrimônio do Amapá ?
Parece clichê, mas tenho segurança e uma certa experiência de convívio (de 11 anos) para afirmar que são as pessoas. Digo isso porque me dei conta que, ao me referir aos pontos turísticos, ao Marabaixo e ao camarão no bafo, quando falo sobre o Amapá para visitantes e para meus familiares, sempre cito um monte de gente associada a estes ícones.

Eixos de desenvolvimento que devem ser priorizados ?

– Educação, desde o pré-escolar até a pós-graduação, passando pela oferta ampla e bem estruturada de creches escolares, investimentos e atenção de fato à educação no campo (escolas famílias agrícolas), até recursos assegurados para pesquisa aplicada.
– Manejo e exploração econômica dos recursos da imensa e bela floresta, para dignificar quem é de fato guardião dessa riqueza e botar a roda da economia local e permeada de identidade cultural para girar.
– Verticalização da produção mineral. Já pensou o pessoal daqui comprando, nos shoppings ou nas lojas de rua, seu anel de formatura feito com minérios do Amapá, e confeccionado por ourives daqui?

 

Um fato determinante e prejudicial ao Amapá ?

A indiferença com relação aos gestores e políticos corruptos e inoperantes. Há pessoas, inclusive do meu círculo de amizades, que não se importam com essa anomalia na hora de votar. Então, um fator bem prejudicial para melhorar os índices de desenvolvimento do Amapá tem sido a supremacia da afetividade e da pessoalidade, no momento de escolha de representantes parlamentares e executivos.

Um sonho real –

Voltar a morar na Paraíba, para conviver com meus troncos, vivenciar de perto com eles os acontecimentos felizes e tristes, e acompanhar o envelhecimento da mamãe.

Uma pessoa genial –

Há várias, desde a velha guarda da máquina de datilografia até a moçada das estratégias e conteúdos jornalísticos para redes sociais. Agora, vou prestar uma homenagem especial para Dione Amaral, minha amiga-irmã forever, que deixou um legado na comunicação do Amapá, com quem tive a felicidade de dar e receber os variados benefícios de uma amizade sublime, e a quem devo o resgate da minha fé em Deus.

O que era bom e não é mais?

Não era exatamente bom, mas não era estarrecedor como hoje: a segurança pública. Em índices proporcionais, acho que já estamos no mesmo patamar de Belém, Recife, Fortaleza.

O que era ruim e melhorou –

Hoje a capital tem semáforos em boa quantidade, as ruas já não são tábuas de pirulitos, embora muitas ainda com remendos. Já temos balneários de lazer que, graças a Deus e ao bom senso dos empresários do setor, não permitem som de música em alto volume. Melhor ainda: há alguns que não têm som. Hoje temos caixa eletrônico 24 horas, UPA 24 horas e batedeiras de açaí seguindo rigorosamente padrões sanitários (poucas, mas é um começo).
A pavimentação e a iluminação do conjunto onde moro. Até o ano passado, era desolador e indigno. O processo da melhoria começou quando um grupo de moradores promoveu um ato público de protesto bem organizado. Clamamos por pavimentação para um conjunto que já tem quase 30 anos, pasme! Deixamos de ser invisíveis nas mesas de trabalho das autoridades e hoje faltam apenas três ruas para serem pavimentadas. Quanto à iluminação da avenida principal, nós moradores custeamos do bolso a compra das lâmpadas, bocais e a mão-de-obra, assim como muitas ruas também estão lindamente iluminadas por iniciativa e custeio dos moradores.

Creme de La Creme no Amapá –

Com segurança, indico a rede Embrapa, Ifap, Iepa, Unifap, Ueap, Lacen. Estas instituições têm talentos incríveis, qualificados, tanto na função técnica quanto no apoio, muitos deles inclusive formados no próprio Amapá nos últimos anos. Mas padecem de um contexto geral de redução drástica de recursos para investimentos e custeio. Na prática, isso se materializa na redução da capacidade de desenvolver tecnologias, produtos e serviços que o Amapá carece para ter um desenvolvimento integral e sustentável.

Tosco ou Trash –
Filantropia para disfarçar curral eleitoral, “prender” as pessoas no laço do favor (geralmente com recursos públicos) de saciar sua fome por um dia. É repugnante e desumano.

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