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Randolfe entra em bloco do governo, mas diz que mantém ‘independência’

Felipe Néri Do G1, em Brasília

Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), no plenário do Senado (Foto: Arthur Monteiro/Agência Senado)Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), no plenário do
Senado (Foto: Arthur Monteiro/Agência Senado)

Conhecido pela postura crítica ao Palácio do Planalto, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) ingressou formalmente nesta semana no Bloco de Apoio ao Governo, grupo partidário formado por PT, PDT, PSB, PC do B e PRB e que dá sustentação à presidente Dilma Rousseff no Senado. A entrada foi formalizada na última quarta-feira (20) e chegou a ser comemorada pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), com um “Seja bem vindo senador!!!”, postado no Twitter.

O ingresso no grupo, porém, segundo o parlamentar, foi necessário devido a um “golpe” de colegas, que poderia impedi-lo de permanecer em comissões importantes. A despeito da mudança, o senador reiterou ao G1 que manterá sua posição de “independência” no Parlamento.

“A incorporação ao bloco de apoio ao governo é uma formalidade. A minha posição política não muda nada – e o bloco tem conhecimento disso. A entrada ocorreu em virtude da limitação da minha atuação parlamentar por força da nova regra de proporcionalidade”, disse Randolfe.

O “golpe” apontado por Randolfe foi uma mudança na composição partidária do Senado, que rege a ocupação de cadeiras nas comissões temáticas, onde se concentram as discussões sobre os projetos de lei que tramitam na Casa. A composição das comissões segue a ordem da proporcionalidade, em que partidos – ou grupos de partidos aliados, os blocos – com mais senadores têm direito a mais vagas; e as menores legendas, a menos cadeiras.

Continuo na mesma posição de oposição à direita conservadora”
Randolfe Rodrigues

Ocorre que, desde 2011, Randolfe se tornou o único parlamentar do PSOL no Senado, depois que Marinor Britto (PSOL-PA) teve que deixar o mandato para dar lugar a Jader Barbalho (PMDB-PA). O peemedebista assumiu o mandato porque, em março daquele ano, o Supremo Tribunal Federal julgou inválida a aplicação da Lei da Ficha Limpa em 2010, que inicialmente o havia barrado.

Pelo mesmo motivo, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP), outrora impedidos, também assumiram seus mandatos, mudando a configuração partidária da Casa. Por causa das substituições, há duas semanas, líderes dos blocos partidários pediram ao novo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a revisão do cálculo – hoje defasado – que distribuiu as vagas para cada partido e bloco no início de 2011.

“É um golpe que me obriga a me incorporar”, afirmou Randolfe Rodrigues. Por conta da entrada no bloco, ele ganhou assento nas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, de Educação e de Relações Exteriores. “Mas continuo com mesma posição política”, arrematou o senador.

Randolfe em sessão da CPI do Cachoeira, onde atuou com parlamentares conhecidos como "independentes", que votam sem compromisso fechado com o governo (Foto: Agência Senado)Randolfe em sessão da CPI do Cachoeira, onde atuou com parlamentares conhecidos como “independentes”, que votam sem compromisso fechado com o governo (Foto: Agência Senado)

O socialista diz que escolheu o Bloco de Apoio ao Governo porque engloba partidos de visões políticas mais próximas à sua. “Continuo na mesma posição de oposição à direita conservadora”, justificou. O outro bloco que apoia o governo, União e Força, é formado por PTB, PR, PSC, PPL e PR.

O PMDB, maior da Casa, tem a liderança sobre todos os aliados ao governo, sob a condução do senador Eduardo Braga (PMDB-AM). A oposição, que reúne 16 dos 81 senadores da Casa, forma o Bloco da Minoria, composto por PSDB e DEM.

Líder do Bloco de Apoio do Governo, o senador Wellington Dias (PT-PI) disse que a presença de Randolfe vai fortalecer o grupo, que passa a agregar 26 dos 81 senadores. “O que tem de positivo é que a gente passa a discutir primeiro com ele no bloco antes de ter uma posição”, afirmou Dias.

Para o líder, existe pouca divergência no posicionamento de Randolfe com o bloco. Dias promete, no entanto, que o colega do PSOL terá sua autonomia garantida nos temas de seu interesse. “Às vezes ele tem posição diferente do bloco, e nisso terá autonomia”, disse.

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