Do Portal G1

Casa da mãe vira ‘comitê’ de prefeito eleito de Macapá

Com escritório e orçamento apertados, dirigentes se reuniram em residência.
‘Alguns decidiam coisas importantes, outros se espichavam’, brincou Clécio.

Priscilla Mendes Do G1, em Macapá

 

Os dirigentes da campanha do novo prefeito de Macapá, Clécio Luís (PSOL), não tinham do que reclamar durante as longas reuniões para as eleições deste ano. Eles eram recebidos com biscoitos, cafezinho e o tradicional “sopão da noite” na sala de estar de Ana Maria Vieira, mãe de Clécio, que acabou transformando a casa da matriarca em uma filial da sede do partido na capital do Amapá.

Ana Maria, viúva, conta que os apoiadores do filho, um grupo de aproximadamente dez pessoas, começaram a usar o sofá da sua casa para discutir os rumos da candidatura porque o escritório do PSOL – localizado na Avenida Beiro Rio – estava ficando pequeno para as reuniões.

“O comitê estava apertado, então resolvemos adaptar a sala em um escritório”. Para isso, instalaram um aparelho de ar condicionado e uma porta de vidro que isolava a sala – repleta de porta-retratos da família, bibelôs e crochês – do corredor que dá acesso aos quartos.

Foi nesta sala que Clécio Luís acompanhou neste domingo (28) a apuração do segundo turno, do qual saiu vitorioso com 50,59% dos votos válidos. Seu concorrente e candidato à reeleição, Roberto Góes, teve 49,41% dos votos de Macapá.

A sala de Ana Maria foi o cenário da primeira entrevista do filho como prefeito eleito (veja ao lado). Na noite deste domingo, ele conversou com a imprensa ali mesmo e, atrás de si, usou as cortinas brancas da mãe para pendurar uma enorme bandeira do partido.

“Como a campanha é 24 horas, chegou um momento em que não dava mais para reunir só no diretório”, conta Clécio. “Enquanto alguns decidiam coisas importantes na mesa, outros se espichavam no sofá para tirar uma soneca. Era o local das decisões e das ‘energizações’ da campanha”, brinca o prefeito eleito.

Aperto
A decisão de usar a sala de Ana Maria ao invés de alugar um imóvel veio do aperto financeiro da campanha. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o total de receitas arrecadadas pela coligação do PSOL até setembro de 2012 – data do último balanço divulgado pelo tribunal –, foi de R$ 183,2 mil. A arrecadação da coligação de Góes (PDT) no mesmo período, foi cerca de sete vezes maior, com R$ 1.323.408.

A campanha só foi possível de ser realizada, diz Ana Maria, graças ao trabalho voluntário de amigos e familiares. “O mais bonito é que a maioria das pessoas trabalharam com a gente por amor. É bonito a espontaneidade das pessoas, que batiam na nossa porta para oferecer ajuda ainda quando não existia nenhum indicativo de vitória”, conta.

A candidatura de Clécio começou “tímida”, segundo ele mesmo classifica. A primeira pesquisa Ibope de intenção de votos, de 14 de agosto de 2012, mostrou Clécio em terceiro lugar, com 13% da preferência dos entrevistados, atrás de Roberto Góes (29%) e de Cristina Almeida (16%), do PSB. A virada só se consolidou do primeiro para o segundo turno.

Na casa onde Ana Maria criou os três filhos, Clécio, Clícia e Cliciane, porém, ninguém fazia fila na porta durante a campanha. “Separamos bem. Não amanhecia gente na porta, nunca trouxemos uma bandeira para cá, um panfleto, nada. O material de campanha ficava todo no diretório”, conta.

Sopa e suco
Ana Maria lembra que adquiriu o hábito de esperar o filho à noite, após um dia de comícios, passeatas e reuniões, com sopa e suco das acerolas colhidas no pé do quintal de casa.

“A sopa é do jeito que ele gosta, cheia de legumes, verdura e pouca massa. Primeiro era só para ele, de repente tinha mais uma pessoa junto e comia também. Sei que começou numa panelinha e terminou num panelão. Todo mundo passou a chamar de ‘sopão da noite'”, ri a dona de casa.

Apesar do empenho, porém, a mãe reclama que Clécio perdeu de oito a nove quilos com a campanha. “Mas ele ganha de novo”.

A mãe não se arrepende das adaptações que teve de fazer na casa em prol do político. “Nós juntamos nossas forças para mudar Macapá e ninguém botava dificuldade, estavam todos juntos”, diz Ana Maria. “Minha sala deu esse tom familiar à campanha”.

  • Parabéns à todos que voluntáriamente se dispuseram à somar na campanha de Clécio.Muitos fizeram no anonimato, em suas própias casas e com vizinhos e amigos.Pouca grana, muita “fé em Deus e nq virá”.

  • O QUE VALE É O ESFORÇO. MAS O QUE QUEREMOS MESMO É UMA GESTÃO TRANSPARENTE E COM ÉTICA. VOU LHE DAR UM CONSELHO. IMPLANTE NA SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO REGISTRO DE PREÇOS E O PREGÃO ELETRÔNICO PARA MONITORAR TODAS AS LICITAÇÕES. AFINAL TEM PARTIDOS QUE ADERIRAM A CAMPANHA E JÁ TEM VICIOS(ATOS ILICITOS) E PODEM COMPROMETER SEU GOVERNO. TENHO CERTEZA QUE DO PSOL SAI O CANDIDATO ELEITO PARA GOVERNAR O AMAPÁ.

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